sábado, 9 de abril de 2011

a esperança de não esperar

Diz-se, no jornalismo, que o inesperado é o sal da profissão. Eu arriscaria dizer que o inesperado é o sal da vida em si, que sem ele tudo seria igual e monótono, que com ele parece sempre existir uma esperança intrínseca em tudo o que acontece. Ao mesmo tempo, pode destronar tudo o que construímos até ao momento e constituir uma grande desilusão no caminho que estamos a percorrer. Magia das magias, este surge quando menos esperamos para introduzir uma mudança na nossa vida. É a beleza de tudo isto.
Porque há dias verdadeiramente maus, malditos, que parecem amaldiçoados por uma qualquer entidade superior. Nada de bom acontece, sentimo-nos impotentes, desgraçados, sem força para andar daqui para ali, que seja. Vamos a caminho de casa e a curta viagem de autocarro torna-se uma longa viagem de pensamentos, de austeridade no rosto, de tristeza no olhar, porque nos sentimos verdadeiramente fracos perante a sombra que recaiu sobre o dia. Tudo parece ir de mal a pior, o regresso à dita normalidade parece uma miragem.
E depois há coisas inesperadas que conseguem dar a volta à situação, de um momento para o outro, como se o dia não tivesse sido assim tão mau, afinal. Entre o querer terminar mais cedo e o querer prolongar um pouco mais, é apenas uma questão de tempo, de disponibilidade, de vontade, de esperança (a esperança, uma vez mais). Porque, subitamente, podemos ser consciente ou inconscientemente motivados a seguir em frente, a pensar no que está para vir, a desviar conversas e olhares para o que nos pode colocar mais alegres. Porque com um simples gesto ou sorriso, uma visita ou preocupação - com uma simples e pequena coisa inesperada -, podemos ganhar força para conquistar a boa disposição e transmiti-la aos outros, para conseguirmos ultrapassar tudo o que ainda não tínhamos tido coragem para arriscar.
A vida é feita destes inesperados. Criar expectativas leva, demasiadas vezes, à desilusão - o inesperado, por seu lado, é sempre algo que cria em nós sentimentos espontâneos, verdadeiramente nossos, sinceros e pouco reflectidos. O inesperado descobre o que está cá dentro, se quisermos ser mais abstractos e rigorosos, em simultâneo. O inesperado é o que dá cor e sabor à vida. E às vezes sabe tão bem!

2 comentários:

Rosa Branca disse...

Imprevistos são do melhor...Porque apesar do negativismo que lhes pode estar subjacente, de facto, quando eles nos sorriem, tudo se torna mais bonito e fantástico a nossos olhos!*

Mágicooo!*

Rosa Branca disse...

Pois, pois, a Raquel anda de férias no blog! -.- xD