quarta-feira, 9 de março de 2011

ver com olhos de ver, ou talvez não

Rio-me, estupidamente, porque não percebes. Passa-te tão ao lado... está mesmo à tua frente e, ainda assim, olhas sem ver, ouves sem escutar verdadeiramente. E não te apercebes do que está mesmo a pedir para ser visto e escutado. É como se fosses cego e surdo, ou fingisses sê-lo... mas porque fingirias? Não, é mesmo uma ignorância estranha, que tento mitigar constantemente, mas sem sucesso. E para ti continua tudo na mesma, como sempre, como se nada fosse. Pareces nem dar por isso. Dói tanto que acaba por ter a sua piada, as coisas escaparem-te de tal forma. Não percebes a força de uma palavra, o significado de um olhar mais demorado, de um gesto mais poderoso, tanto meu como teu. Para ti são como muitos outros, por isso acabas por já não lhes dar qualquer novo significado. Ignoras inconscientemente, no fundo, e roubas constantemente a oportunidade de qualquer coisa que poderia ser, efectivamente, qualquer coisa, mas que acaba por não ser nada. Dá-me para rir, estupidamente, do ridículo que é não veres o que está debaixo do teu nariz, na distância dos teus olhos, mesmo junto às tuas orelhas. E dói bastante não compreenderes a importância que as tuas atitudes adquirem num contexto, ou a falta delas, ou simplesmente a tua pessoa inserida numa qualquer ilusão da mente. Dói não te aperceberes do que significas.

É giro, quando estamos numa determinada sensação propícia a agir de uma determinada forma, fazemos exactamente o oposto.

3 comentários:

Rosa Branca disse...

Ai Ai...Meaningless Meaningful Things!

-.-

SusanaPacheco. disse...

«...dói bastante não compreenderes a importância que as tuas atitudes adquirem num contexto, ou a falta delas, ou simplesmente a tua pessoa inserida numa qualquer ilusão da mente. Dói não te aperceberes do que significas.»

Como compreendo isto Raquel.. Sei como é esforçar-mo-nos pela atenção de alguém que não faz nada para a merecer, dói realmente cair no chão da ilusão, a alma ressente-se sempre :( Mas, somos fortes, mais do que imaginamos, para nos levantarmos.. Quem não vê ou é cego ou quer sê-lo, tal como uma criança que brinca à cabra cega...

Raquel Silva disse...

É isso Susana, se calhar temos de desviar o olhar para as coisas e as pessoas que realmente o valorizem :)

Ritinha, you know.

Obrigada pelos vossos comentários :)