terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O tempo passa, mas nem sempre apaga.

Já lá vão quê... quase sete anos (?) desde que a nossa amizade floresceu no seio de uma relação de professora-aluna. E já lá vão mais de dois desde que a vi e falei com ela pela última vez. Credo, como o tempo passa e nem damos por ele. Mas parece que foi ontem. A última aula com ela, as lágrimas de quem está inevitavelmente a crescer e tem de enfrentar novas realidades e superar novos desafios. O desenho (muito razoável) que lhe ofereci para nunca se esquecer de mim. Não sei se foi o desenho, se este tinha algum pó mágico ou algo semelhante. A verdade é que ela nunca me esqueceu, e eu também não a esqueci, nunca.
Não fui das melhores alunas que alguém pode ter, pelo menos naquele campo das artes. Recordo com uma certa curiosidade aquela negativa que se transformou numa excelente nota no teste seguinte, e todos aqueles desenhos que até podiam estar pior para alguém que nunca deu cartas nas cenas visuais e tal (e tinha doze anos de idade). Mas o que lhe ofereci, para além de ser um dos últimos, era também a minha obra-prima - e foi por isso que decidi oferecer-lho. No entanto, o que mais recordo daquele dia são as lágrimas, não de uma professora que se separa dos alunos, não de uns alunos que querem voltar a ter a professora, mas sim de amigos (de diferentes idades, é certo) que se afastam porque assim o dita o destino. Verdadeiras lágrimas de tristeza e saudade. E os sorrisos que lhes seguiram e fizeram recordar todos os bons momentos passados em conjunto.
Recordo o painel de azulejos que fizemos para decorar o muro - e que ainda lá estará geração após geração com os nossos nomes inscritos, pronto a ser visitado pelos nossos netos num futuro longínquo. Recordo as construções em barro e todas as aulas em que ficava a ajudar até mais tarde, nem que fosse a limpar as salas, para estar um bocadinho mais a conversar com ela e a aprender coisas. Recordo (ah, como recordo!) aqueles encontros na 'nossa' loja - que pena que não tenham voltado a acontecer.
É certo que o tempo também afasta. As pessoas deixam-se levar pelas situações do dia-a-dia e esquecem-se temporariamente de algumas coisas que, de vez em quando, gostavam de lembrar. Visitei-a algumas vezes depois desta 'separação', e até mesmo depois da separação 'definitiva' que uma nova (e maior) mudança de vida veio a obrigar, visitas que davam apenas para pôr a conversa em dia. Uma delas foi a última vez que a vi.
Estava diferente, tinha um brilho especial. Vinha uma menina a caminho, havia felicidade ali no ar, e fiquei feliz por ela também. E agora, dois anos depois, recebo um telefonema... Todos os anos lhe costumo dar os parabéns, é fácil relembrar uma data que ocorre exactamente um mês antes do nosso aniversário. Ainda assim, ela surpreendeu-se com o gesto e decidiu agradecer-me com mais do que uma mensagem escrita. Agora vem mais um/a menino/a a caminho e continua tudo na mesma pela escola. Falei-lhe também da faculdade, de algumas mudanças, das saudades. Gostei tanto de a ouvir, de lhe falar, de voltar a sentir aquela facilidade em partilhar coisas.
Porque há pessoas que nos marcam, assim, para sempre. Através de pequenas coisas, é certo, mas que ficam como um marcador impossível de apagar, que fazem de nós o que somos hoje. Felizmente ela é uma delas, agradeço-lhe por tudo o que tem significado para mim, ainda que nem sempre o lembre. E sinto-me feliz por ainda estar no coração dela também.