sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

two

Vem-me à cabeça aquela coisa das duas faces, do olhar para cima e para baixo, dos opostos. És feito de contradições, de dilemas, de situações com possibilidades binárias, sim ou não, isto ou aquilo, branco ou preto, aqui ou ali. És as duas faces da mesma moeda, em simultâneo; és o copo meio vazio e o copo meio cheio sem te aperceberes de que é impossível ser um sem ser o outro. Olhas para cima e vês algo ou alguém que merece respeito e cuja vontade deves procurar cumprir, mas olhas para baixo e consegues sentir-te o dono do mundo, sabes que o que ou quem agora vês te deve respeito e vontade também. És inferior quando és superior, em consonância, como se estes opostos se atraíssem como cargas eléctricas contrárias. És tudo ou és nada, e muitas vezes és ambos, porque tudo na vida é feito de opostos, e estes opostos são mais semelhantes ao que se opõem do que parece à primeira vista. Por isso não ligues quando te disser que não gosto de ti, que nos devemos afastar para sempre, porque a linguagem é traiçoeira e só mostra o que pretendemos que venha cá para fora, ignorando o que está cá dentro e se guarda a sete chaves. E por isso, quando ouvires dizer que algo é impossível de concretizar, ignora simplesmente quem to disser. Porque é tão provável ser impossível quanto possível. Porque pode ser possível e impossível ao mesmo tempo. Porque tudo é paradoxal e por vezes a verdade engana. Porque precisas sempre dos dois lados da moeda para desafiar a sorte.

1 comentário:

SusanaPacheco. disse...

Gosto sempre de ler os teus textos Raquel, sim somos compostos de branco e preto de sim e de não, somos "o copo meio vazio e o copo meio cheio", como bem escreves...
Tantas vezes me sinto assim em relação ao "outro" que, muitas vezes, não compreendo...

De facto precisamos dos dois lados da moeda, é esse desafio da sorte que nem sempre fazemos, ficando-mo-nos por uma das suas "faces"(aquela que podemos ver claramente).