domingo, 26 de dezembro de 2010

goodbye hope

Oh esperança, porque não te consigo matar?
És teimosa, persistente, insistes demasiado em coisas que não valem a pena, coisas inúteis e sem qualquer futuro.
Quem me dera poder pegar numa arma e dar-te um tiro no peito.
Quem me dera poder cortar-te os pulsos ou enfiar-te uma caixa de comprimidos pela garganta abaixo.
Porque é que custa tanto acabar contigo?
Sei que és sempre a última a morrer...
... mas porque não morres agora, quando já não há nada que te alimente, que te impele para continuares nesta missão falhada, quando já tudo o resto morreu e se enterrou?
Porque não desistes e me deixas desistir também?

Dás-me um pequeno sinal, um só pensamento, ou uma só ausência dele.

É agora, vais finalmente deixar-me em paz?
Vais fazer-me ver total e claramente a realidade, tal como ela é, sem essa fina camada adocicada que lhe costumas colocar em cima?
Vais-te embora como te pedi sempre, mas sobretudo agora, quando compreendi definitivamente que não compensa bater na mesma tecla, que mais vale desistir e procurar aquela 'coisa linda' noutro lado?
Será que é agora, que é hoje, que vais morrer para sempre?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

pisces stuff

É uma coisa de peixes. Compreendemo-nos, porque sabemos como nos sentimos, percebemos que não podíamos estar de outra maneira. Quando me disseste aquilo no outro dia, sabendo exactamente o que se passava, porque passavas exactamente pelo mesmo... foi um quentinho no coração, não sei. Somos tão incompreendidos pelo mundo à nossa volta, que não compreende - nem procura compreender, grande parte das vezes - as alterações de humor, o estar em baixo, o histerismo, a sensibilidade e tudo o mais... que é bom termo-nos uns aos outros, sabes? É a nossa única salvação, às vezes. E este é um signo tão estranho, tão instável, tão característico. Nunca sabemos o que esperar dele. É imprevisível! Às vezes sabe tão bem e outras vezes só apetece ter nascido noutro mês qualquer. Enfim. No fundo somos pequenos peixinhos a viajar neste mar imenso e por vezes há tubarões, marés, corais no caminho, que nos impedem de estar sempre contentes. Mas cada novo dia é um dia para os ultrapassarmos :)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

roses

Os fantasmas são animais, começo por dizer. Os crocodilos são fofinhos (e têm óculos de andar debaixo de água incorporados). Os elefantes e os tubarões são bichos estranhos, mas imaginem só um elefante-tubarão, cuja tromba é uma barbatana e sei lá mais o quê. Não é lindo? Categorizar as pessoas segundo a sua beleza também - uma é gorda e feia, outro é semi-giro, outros são lindíssimos.
Claro que as baterias dos nokias não se gastam só com estas coisinhas. Também se chateiam bastante com as conversas sobre professores fofinhos e outros que nem por isso, sobre critérios parvos e teias amorosas imensas, situações engraçadas que metem esparguete e novas designações para pessoas que comem o que lhes aparece à frente (e isto acabou de ser interdisciplinar, pois lembra-me outra coisa ahah). E também cenas assim mais sérias, não correspondidas e afins, ou ex-correspondidas e que nem sempre não dão para o torto - que fazem parte da vida e não há forma de se-lhes escapar.
Ficam promessas no ar, como viagens e visitas e passeios, que nunca mais parecem chegar. Fica uma grande molha que apanhei por a sôdona rosinha (nada a ver com o rosinha-mor) ter contactado o meu moche às quatro horas e ter levado a cadela à rua logo no momento, sem ver que estava a chover a potes lá fora (a culpa é tua!!!!). Mas ficam também duas horas e meia, longas horas, que mesmo assim passaram mais depressa do que deviam, porque qualquer minuto é melhor que nada para atenuar (palavra fófi) a distância e a saudade. E como isto está a ficar lame e coiso e tal, apenas acrescento que me rio mais contigo em duas horas do que numa semana normal sem conversarmos. Acho que é motivo suficiente para continuarmos nesta vida de amizades - atenção que é um elogio à tua personalidade louca que eu tanto admiro. E é só. Pensem na primeira frase, fantasmas como bichos. Uhuh.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

christmas lights

É Natal... e o amor acontece <3 Corresponde à mais pura das verdades. É só love all around, aqui e ali, não sentem o mesmo? Está tudo a juntar-se tipo gado, como se o mundo fosse acabar amanhã e fosse necessária companhia para a travessia para o outro lado. Vá, isto é só uma perspectiva um bocado (ou bastante) invejosa da coisa. A perspectiva simpática e sorridente (não cínica!) mostra-se contente com este espírito natalício-romântico e fofinho. Porque é fofinho assistir a tudo isto, apesar de ser visto de fora. É o típico "ohhhhhhhhh" amoroso que fazemos com um misto de querer e não querer, de agrado e desagrado, sem sabermos bem o que pensar, porque gostávamos que não acontecesse só aos outros, não é? Mas é Natal, as coisas até podem não durar muito, o que importa é que estão a acontecer agora e, quem sabe, talvez venham para ficar. Não deixa de ser bonito ver esta conjugação luminosa de natal e felicidade, de festa e amor, de fofura e tudo o mais. É uma época de magia e esta magia acaba por ser transmitida a toda a gente. É uma época de partilha (e isto faz-me rir), e o que se partilha não é só tricô. (também há troca de prendas tipo amigo secreto!) Também há coisas fofas imateriais a voarem por aí, é bom respirarmo-las, pode ser que nos contaminem ou something like that.

tricô time

Quando o tricô chama por nós, é difícil resistir ao chamamento. Ele surge-nos de forma muito dissimulada, nem damos pela sua chegada, e intrinseca-se na nossa cabeça tipo íman. Não nos conseguimos desfazer dele, e para além disso sentimos necessidade de o partilhar, de compreender o que ele significou efectivamente tendo em conta contextos e situações. Há bons tricôs, fofinhos, que não tricotamos pelo prazer de tricotar, mas sim porque toda a sua envolvência nos parece correcta, certa, verdadeira, e por isso partilhamos, sentimos que é algo que merece mais até do que ser simples tricô, porque tricô parece uma palavra muito feia e desprovida de emoção, como se gostássemos de tricotar apenas porque nos rimos com isso. O que queria dizer é... no fundo, ficamos felizes por grande parte do tricô :) Pela outra parte, nem por isso. É parva e deprime-nos saber que há este tipo de tricô mas, ao mesmo tempo, sendo inevitável, sempre arranca umas boas gargalhadas e dá para fazer umas piadas engraçadas. Claro que fora de tudo isto fica o tricô no estrangeiro, que não deixa de ser tricô, mas que não tem tanta piada e é fofinho também. De acrescentar que, quando o tricô se torna oficial, ou seja, quando acabamos de tricotar uma camisola ou um cachecol, as coisas perdem um bocado a piada. Não sobra nada para tricotar, está tudo tricotado. Resta esperar por mais tricô, e acreditai, ele virá, sooner or later. Muahahahah. We <3 tricô.

batata frita

Quatro dias. Vai ser a loucura. Estas cadeiras nhanha só nos fazem procrastinar na casa das máquinas até tarde, a fingir que se estuda a entropia e o pib, quando o sistema já está todo entrópico por si só e não precisava de mais coisas para o atrofiar. E depois aparece o desvio-padrão, feito parvo, a querer dispersar a nossa atenção, a querer monopolizar o nosso cérebro algorítmico, e a baralhar a cena toda como se estivéssemos dentro da sala chinesa e não percebêssemos nada do que estamos a dizer ou fazer, dizendo-o e fazendo-o na mesma. A verdade é que o produto não é nada diferenciado, isto é tudo a mesma porcaria, está tudo relacionado tipo teoria das redes, e depois as coisas reproduzem-se como o bonequinho do game of life, coisa tão fofa, a descer por ali abaixo, a nascer e a morrer, e depois ainda aqueles tipos acham que se pode reproduzir a inteligência, está tudo maluco, é o que é, como se não tivéssemos coisas cá dentro, sentimentos, emoções. Que se lixe o qui quadrado e o qui redondo e essas cenas todas com nomes feios, que se lixe o défice (que é mais do que deprimente) e os quintis todos, que se lixe o mundo pequeno e o mundo grande, a caixa negra e a caixa clara, o hólon e o hólon, já que parte e todo e todo e parte são todos a mesma cena cujos gatilhos e filtros fazem lembrar armas mortíferas. uhuh. Estou fritating, versão estrangeira aparvalhada do estou a fritar (os miolos) habitual e muito em voga nesta semana em que precisamos de abracinhos (hugs, vá, hugem os estudantes universitários que eles bem merecem e precisam *.*). Com esperança de não fritar ainda mais e pensando em sexta-feira às 10 horas, here i am.

P.S. - queixo-me muito mas gosto, ou não estaria aqui a brincar com a coisa. like a sério! <3

domingo, 5 de dezembro de 2010

cold cold heart

'The more I learn to care for you
The more we drift apart
Why can't I free your doubtful mind
And melt your cold cold heart'

Costuma dizer-se: "mãos frias, coração quente".
Mas está frio cá fora, muito frio, e as tuas mãos não estão frias quando tocam nas minhas. Pelo contrário, dá-se um choque inicial pela diferença de temperatura, as minhas mãos muito frias a tocarem suavemente nas tuas muito quentes.
Tens as mãos quentes, e isso dá-me voltas à cabeça. Se ainda fosse só isso, teres as mãos quentes e poderes aquecer as minhas, o mundo não estaria ao contrário.
Mas não são só as tuas mãos que estão quentes... O teu coração é frio, frio como seria o provérbio invertido. 'Mãos quentes, coração frio'.
Tens as mãos quentes e o frio, em lugar de as gelar, de gelar o que está cá fora, à vista de tudo e de todos, gela o que de mais precioso tens, o que está lá dentro, escondido, como se não se quisesse abrir e deixar entrar nada nem ninguém.
Desejo a todo o custo conseguir derreter esse gelo que te rodeia o coração frio, ainda que para isso seja necessário gelar as tuas mãos.

Uma noite.

Uma chuvada. Um jantar, Um concurso. Um copo de sangria. Um grupo de pessoas trajadas. Um prato intacto. Um conjunto de fotografias que registam momentos. Uma pessoa fixe, outra demasiado fixe. Um pó de arroz. um fado. Uma pessoa divertida. Uma coincidência musical. Um aniversário. Uma chamada telefónica. Uma revelação. Um sorriso. Um sentimento. Uma gargalhada. Uma preocupação justificada. Uma confusão. Uma impossibilidade (várias, vá). Uma e outra chegada. Uma surpresa. Uma companhia. Um abraço. Uma promessa. Um apercebimento. Uma conversa. Uma escolha. Um arrependimento? Um agradecimento. Uma fotografia particular. Uma (entre várias) canção.  Uma dança. Um sofá. Um estado sobrenatural. Outra chuvada.