segunda-feira, 11 de outubro de 2010

underground

O -4 é aquele sítio da éfecêésseagá onde há vida, não necessariamente humana, segundo o manual do caloiro elaborado pelos caríssimos veteranos. Juntamente com o telhado da gloriosa Ana Maltez (ao qual é mais difícil aceder, mas ainda havemos de conseguir!), é um dos mitos da faculdade e um local que todos, curiosos e corajosos, desejamos (ou não) visitar. Ou seja, um local para visitar pelo menos uma vez na vida, imprescindivelmente, tipo Meca - não podemos passar pela fcsh e não ter a nossa própria aventura no -4. A nossa, de caloiros corajosos (e mesmo assim num grupinho de 7) e receosos, ao mesmo de tempo, de saber o que lá iriam encontrar.
A escadaria íngreme que passa pelos pisos inferiores da torre b é por si só um mistério, o início das trevas, se assim o quisermos - começamos a sentir uma brisa e a ouvir tipo uma daquelas músicas à Hitchkok na cabeça. Uma cadeira sem rabo (isto soa tão bem) recebe-nos à entrada do famoso -4, abrindo a porta azul para o que nos parece, a uma primeira vista, mais uma das garagens da faculdade. Mas não é uma garagem qualquer! Não queria adiantar muitos pormenores, "se querem saber o que lá está, vejam com os vossos próprios olhos", é o que nos dizem e o que devemos continuar a dizer para que gerações e gerações de fcshianos visitem o mito e o sintam na pele. Mas vá, algumas pistas: há lá muita coisa estranha, desde máquinas de cortar fiambre a tractores, desde slides do Beto (ou de alguém muito semelhante!) a cadeiras e mesas inutilizadas, computadores, chapéus de chuva funcionais, máquinas de café e troncos de árvore. É do estilo "don't ask", muito estranho, muito bizarro mesmo. É como se anos e anos de vida da fcsh estivessem concentrados naquele piso, recheado de lixo e de uma camada de estranheza muito mas muito grande. E entre observar e fotografar todas estas pérolas, eis que surge a vida humana, ou não, embora a Renata diga que a senhora é do Alentejo. Alguém abre (numa cena muito cinematográfica também!) outra das portas azuis daquele labirinto de pó e história, olhando para o grupinho de sete, lançando um olhar fulminante e começando a caminhar na nossa direcção. É caso para dizer, "põe-te a milhas", e foi o que fizemos, a rir à gargalhada com a situação toda. Subir os pisos e regressar à civilização, ver a luz do sol e as pessoas que já nos habituámos (para além da senhora perseguidora, que chegou lá acima de elevador, primeiro que nós!), foi absolutamente reconfortante, um verdadeiro alívio.
E assim foi a nossa expedição ao -4, a nossa grande aventura aos escombros da fcshhhhh - achei que merecia ser contada! -, um local a não perder, já nos cinemas, em exibição na avenida de berna, todos os dias, a todas as horas, durante o ano inteiro.

3 comentários:

Rosa Branca disse...

AHHH Agora já percebi donde os produtores da Lua Vermelha roubaram a ideia da cave, onde a filha do assassino de vampiros guarda a tralha toda do pai, enquanto pensa se há-de matar ou não vampiros!

Rosa Branca disse...

AHH Sabias que a minha faculdade também tem um mitooo? :P LOL

SusanaPacheco. disse...

E que grandes aventuras pela fcsh Raquel :)
Fico mt contente q estejam a criar esta amizade entre vós, por certo bem duradoura! Gostei mt do texto!*