sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ser CC

Após uma grande semana de praxe, ainda estou viva. Sobrevivi e passei de bichona (LOL) a caloira, entre actividades divertidas e nódoas negras nas pernas. Nunca fui anti-praxe, apesar de algumas situações não me agradarem particularmente, mas também nunca tinha tido razões para me declarar a favor. Hoje, uma semana passada, digo que não podia estar mais de acordo com a tradição académica e esta forma de integração na universidade. Conheci gente maravilhosa e fiz bons amigos, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse escolhido ir às aulas em lugar de participar na praxe: perderia muito e não teria ganho o que ganhei.
Começar o dia com uma aula fantasma que nos matou a todos de susto não poderia ser melhor. Tudo de boca aberta, sem saber se deveria rir ou temer, com o menino Tonecas (que é meu colega de curso) a discutir com o professor de Sistémica, aquela cadeira que assusta só dizer a percentagem máxima de aproveitamento. Começamos logo a conviver com veteranos e doutores, compramos o fantástico kit caloiro - com pulseira, t-shirt e bíblia - e aprendemos a agir quando são pronunciadas as palavras granada (treino para o Afeganistão), tartaruga aflita e pega-monstros. Aprendemos também os cânticos, aquelas maravilhosas canções e hinos do curso e da faculdade, recheados de sentido e asneiras. Passamos o dia entre a fcsh e o campo pequeno, com direito a fotografias por parte dos estrangeiros e a um sorriso sincero da senhora da loja à qual me agarrei numa das actividades, com cuidado para não sujar muito os vidros x) Almoçar comida macrobiótica na cantina dos pobres, de mãos atadas e só com uma faca ('Renata, levanta um bocadinho, equilibra a gelatina... isso! Agora tu..' :P), carregar com capas de veteranos, fazer a oração à gloriosa Ana Maltez (pen na terra!) e participar nos Bicholímpicos, esta grande competição que incluía abordar estranhos para tourear, assinar uma petição, bem como fazer o macaquinho tarado e descobrir o rebuçado na farinha. Foi um bom primeiro dia para conhecer pessoalmente os conhecidos e um pouco mais de Lisboa, para morrer à sede e rir até mais não, tal como para pintar as unhas de verde e chegar a casa com braços e cara pintados.
Outro dia começa com uma vénia ao professor que nos sorriu pela única vez na vida e com um pedido cantarolado à porta do correio da manhã para o Octávio ('vem à janela'!) dar emprego aos nossos veteranos e doutores - sendo que os senhores lá de cima puseram à janela um CR7 de papel. Leilão muito porreirinho na escadaria do jardim, comprada num pack três com a Filipa e o Alex por 3,5 euros, pelo Thiago e a Luísa, uhuh. Valíamos mais! Despiques com CPRI ('tens a média baixa!' e 'ninguem vos ouve!') e outros cursos, olé. Depois do almoço melhorzito na cantina, ocorreu a melhor de todas as discussões por mim, para a equipa do rally-tascas: 'eu sou madrinha dela!' (Marta), 'eu comprei-a!' (Thiago), 'eu sou a entidade patronal!' (Pedro). O Thiago ganhou, lá fomos beber de tudo um pouco (e dançar o rebolation! :P), entre sangria, vinho (que o Miguel se encarregou de espalhar pela minha t-shirt), vodka com redbull, amarguinha e ginja; nunca bebi tanto em toda a minha vida, fiquei tonta mas passou passado um tempinho. O Z estava tão cómico que só dava para rir, até o pessoal começar a beber demais e a cair para o lado e a cena começar a perder toda a piada que tinha tido, não gostei nada de ver. Tempo ainda para registar a ida a casa do Tiago e o facto de começar a falar com sotaque madeirense, ah poisé.
O dia da eleição e do apadrinhamento foi outra coisa surreal: o Ricardo popstar que o diga, que ficou todo coiso por conhecer a Carolina Torres, para além da Diana e do Pêgo, todos jurados do concurso de Miss e Mr. Caloiros. Z e Galinfona, os dois misters caloiros de 2010, com muito mérito na dança, no stand-up e nas cantorias, o que originou uma manhã engraçadíssima e uns vídeos de partir o coco. O senhor Chico deu-me o (horroroso) nome de praxe de Manuela Moura Guedes, que permanecerá até ao fim dos meus dias. Metro até ao Marquês e uma descida muito desconfortável da Av. da Liberdade com latas presas aos pés, que se embaraçaram e fizeram um barulhão enorme - a chamada latada, coisa linda. O Netto obriga aqui a je a dançar em cima de uma bola no Rossio e a entrar 'para a história de uma família', com um senhor a filmar ahah. Os Estudos Europeus só sabiam cantar a música do arroz de ----, ainda por cima estavam armados com lanças e tinham umas caras furiosas, mas nós cantámos mais alto! A cerimónia do apadrinhamento consagrou a Martinha como madrinha e fez-me descobrir o Ricardo como padrinho, o que, pelo que dizem, foi um bom par de padrinhos conseguido :) para não falar dos muitos pseudos por aí espalhados.
E o último dia de praxe chegou assim para o chuvoso, não muito bom para o baptismo. Depois de algumas patetices e de um snake improvisado na hora mesmo para nos cansar, lá tomámos o banho da praxe nos vulcões de água do parque das nações, assim todos agarradinhos, a cantar os hinos de CC e da Nova enquanto nos encharcávamos, 3 e 4 vezes, com a erupção vulcânica de água. O Pedro a secar os calções na conduta de ar, de toalha enrolada na cintura; o Chico a surgir na fotografia de grupo de boxers azuis; as nossas t-shirts e calças todas encharcadinhas, as fotografias-maravilha tiradas naquele início de tarde, só bons momentos para recordar :p Deixámos de ser bichos, agora somos caloiros com muito orgulho (o orgulho já o tínhamos antes, por sermos especiais, bichos de elite!), já não somos maltratados (lol) pelos nossos superiores hierárquicos. O Z e a Galinfona, mais a Carolina, foram ao curto circuito divulgar a praxe e o bom nome de CC e da FCSH (CC no CC!), dançar e contar alguns episódios engraçados da semana. O primeiro jantar de curso de sempre, do pessoal do 1º ano, foi nos armazéns do chiado, umas 20 pessoas a conversar e a cantarolar pelo centro. E mesmo a chover a potes, cantámos pelo chiado, dissemos asneiras na noite lisboeta, encharcámo-nos e fomos de novo baptizados até nos abrigarmos no metro e aquecermos a voz com todo o tipo de música (e despiques!), para mais tarde recebermos fervorosamente os veteranos e doutores como deve ser. Não fomos obrigados mas, instintivamente, fomos levados a cantar e a orgulhar o curso e a faculdade, aos quais pertencemos e dos quais gostamos cada vez mais :) Somos sem dúvida os melhores caloiros de sempre e CC é a melhor família que podíamos ter arranjado nesta nossa investida na universidade! A noite no bairro alto prolongou-se, e mais virão ao longo do ano para voltar a juntar o pessoal todo, que tenho adorado conhecer: Andreia, Renata, Tiago, meus novos amigos do <3. É o reboleixon xon ahah. Não queria estar noutro sítio nem com outras pessoas =) Parabéns a veteranos e doutores pelo excelente trabalho com a praxe este ano!
NÓÓÓÓÓÓÓOÓÓÓÓÓÓÓ... somos de comunicação! pás pás pás pás!
Imaculada, senhora dos bordéis... faz com que o vinho não se acabe nos tonéis!
Lá vai a Nova de sininhos e balões...
De que curso é que vocês são? CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO!
Eu quero é CU, é CU, é COMUNICAÇÃO!
Viva CC e a FCSH : )

6 comentários:

Rosa Branca disse...

Bem-Vinda Caloirinha!:D

SusanaPacheco. disse...

E nós gostámos imenso de te ter em CC Raquel. :) beijinho caloira!

Mj (Vilas Boas) disse...

«'eu sou madrinha dela!' (Marta), 'eu comprei-a!' (Thiago), 'eu sou a entidade patronal!' (Pedro)» - estou a imaginar a discussão! ahahah!!

«E mesmo a chover a potes, cantámos pelo chiado, dissemos asneiras na noite lisboeta, encharcámo-nos e fomos de novo baptizados» - Os passeios (a vida) em Lisboa são maravilhosos, não são? xD

«Não fomos obrigados mas, instintivamente, fomos levados a cantar e a orgulhar o curso e a faculdade, aos quais pertencemos e dos quais gostamos cada vez mais.» - É esse o espírito!! E naquela noite ficámos (veteranos e doutores) muito contentes e orgulhosos com a vossa iniciativa! E digo eu agora que estou muito contente por ver esse teu (vosso) orgulho nesta família de CC! :) Ainda bem que, ao fim de apenas uma semana, conseguimos que se sentissem assim! ;)

Anónimo disse...

O Thiago ainda não cumpriu o castigo de te ter roubado à minha pessoa nem de ter infringido as regras. Sou tua madrinha, tenho mais direitos de posse que ele!!!!!!!!!!

:D :D

devo dizer que o cântico no metro ,quando chegámos,deixou-me orgulhosa

ps: a falar madeirense? amanhã quero ouvir!

Pedro Coelho disse...

Eu arrepiei-me todo com vocês a cantar :b

Gosto de ver esse sentimento, espero que se mantenha quando começarem a conhecer CC a sério.

João disse...

Não sou lamechas e não faço comentários em blogs, mas este texto merece-o. Não só por revelar a tua capacidade de síntese (vais dar uma boa jornalista), mas principalmente porque deixas escrito um relato desta semana. Bem sei que nenhum de nós se esquecerá de nada, mas com o tempo a memória vai enfraquecendo e este texto será um bom auxílio.
A MJ já o disse, mas deixem-me realçar o facto: quando na quinta-feira subíamos as escadas e vimos um grupo de pessoas a cantar, a nossa (pelo menos a minha) primeira reacção foi perguntar: "Aquilo é CC?" E foi um motivo de alegria e orgulho ver que sim, que era CC. Não apenas por mostrar que aprenderam os cânticos, mas sobretudo porque é a prova que as praxes cumpriram o seu objectivo, que era tornar-vos CC'ianos como nós e, mais que caloiros e doutores, colegas e amigos :)