quarta-feira, 8 de setembro de 2010

o passado, o presente e o futuro

É quando olhamos para trás, para tudo o que recordamos até aqui, que nos apercebemos da pessoa que nos tornámos, e começamos a pensar se realmente era isto que prevíamos ou se estamos completamente ao lado do que esperavam de nós e do que queríamos realmente ser. O passado tem um papel muito importante neste processo. É ele que nos faz crescer com os erros, aprender com a experiência e caminhar para a frente em busca de algo melhor, ou que pelo menos consideramos ser o melhor para nós. É ele que nos diz "segue o teu coração e vai onde os sonhos te levarem", é ele que nos lembra o que fomos um dia e que gostávamos tanto de ser, nomeadamente enquanto crianças puras e felizes. E sabe tão bem recordar o passado. Inexplicavelmente, dá-nos um ânimo que não conseguimos obter de outra forma. Há nostalgia, há saudades de um tempo longínquo, mas sobretudo há uma vontade enorme de o repetir no futuro, em circunstâncias semelhantes... a sensação que temos é tão agradável que só a queremos recuperar a todo o custo. Não a valorizávamos tanto nesses tempos, mas fazêmo-lo agora, que passaram muitos anos e ela se tornou tão forte e presente. Principalmente quando damos por nós a recordar os bons momentos, quando reencontramos as pessoas que faziam parte deles, quando visitamos os locais da nossa felicidade de outrora. Aí, parece que tudo vem "ao de cima", como se costuma dizer. Ficamos cheios. De memórias, de saudades, de esperança, uma esperança que também não conseguimos de qualquer forma. Sentimo-nos, de novo, crianças, em busca de algo na vida, algo que nem sabemos bem o que é. A diferença é que, hoje, sabemo-lo. Queremos isto e aquilo, somos pessoas mais maduras e conscientes do que nos espera. Mudámos, invariavelmente, com(o) o tempo e o espaço, e isso afastou-nos bastante - do que éramos e das pessoas -, mas o facto de o querermos recuperar deverá querer dizer alguma coisa. E, por outro lado, temos de olhar para o presente e ver também que o que temos hoje é bom, que sabe bem termos construído novos edifícios desde a primeira pedra e apercebermo-nos de que eles ainda se aguentam em pé, com perspectivas de se aguentarem ainda por longos anos. Afinal, somos pessoas capazes de recuperar a esperança dos velhos tempos e de alcançar a felicidade agora, por isso também o seremos, decerto, no futuro. Afinal, conseguimos tornar-nos alguém; pode não ser aquela pessoa que queríamos definitivamente ser no passado, mas uma pessoa que, apesar de muita coisa, nos agrada pelo que até hoje conseguiu conquistar. E ainda para mais, o facto de as pessoas que nos rodeiam darem conta de tudo isto, e de nos mimarem (até demais) e valorizarem a pessoa que se lhes apresenta à frente, acaba por ser bastante gratificante para nós. São elas, também, que nos ajudam a ser alguém e a crescer cada vez mais. Por isso, obrigada.

1 comentário:

Patrícia disse...

O texto está mesmo bonito a sério (:

Fez-me lembrar um bocado o facto de às vezes não darmos muito valor ao momento que estamos a viver.

Depois, passado um tempo, vemos que afinal tivemos tanto de bom e que se conseguimos crescer foi graças a esse passado.