quarta-feira, 29 de setembro de 2010

find another you

Não podia haver melhor vida do que a de universitário. Não é fantástico passar uma tarde inteira a conversar com as pessoas do curso, depois de ter uma manhã recheada de aulinhas? Tenho a dizer (aqui no blog, uma vez que já o disse no facebook) que a esplanada da FCSH é do melhor que já se viu, um verdadeiro oásis no meio do deserto. São quase sete da tarde e continua iluminada pelo sol, quando tudo à volta são trevas e escuridão. É viva e estimulante, sempre com gente nova a chegar, e só apetece ficar lá a tarde toda a 'esplanar', a jogar ao olho (buraco), a ouvir anedotas parvas, a conviver. A passar o tempo das aulas! (?) Já lá vão os tempos em que ficar em casa sem fazer nada era bom, só para estar longe da escola. Aqui quer-se estar lá até o mais tarde possível, ali na esplanada, ou simplesmente a passear na faculdade (isto já é síndrome de novidade :p)!
Agora que as aulas começaram a sério, há que falar um pouco delas (mas muito pouco ahah): aquela coisa dos sistemas até podia ser pior, mas acho que estou com o Tjiago, melhor mesmo é ver Anatomia de Grey no computador enquanto o prof fala; semiótica... é melhor nem falar (só dizer que não sei se voltarei a ir àquela aula alguma vez mais); métodos vai-se, mas não é nada de especial; economia é giríssimo (*-*), estou a descobrir melhor o meu lado oculto de economista; e teorias é assim uma coisa fofinha com história, psicologia e filosofia, tudo à mistura, e com um prof fofinho e genial também. Já tenho assim umas boas dezenas de coisas para ler, mas não deixa de ser agradável ( : e estou a aprender que se aprende bastante nas aulas, sobretudo o que o senhor sábio dizia no outro dia, sobre descobrirmos o conhecimento que está em nós e sermos despertados para pensar, para desenvolvermos o nosso espírito crítico. Gosto disso!
A conferência de hoje, com o prof Steve Doig, também foi muito interessante. Como dizia aos meus queridos veteranos, se me pedissem, numa cadeira, para escrever uma reportagem sobre a sessão, eu adorava, até pagava para o fazer! Queremos ser jornalistas (we think so), por isso qualquer coisa que fuja ligeiramente à teoria deste primeiro ano (e que nos permita tomar um maior contacto com a parte prática) é recebida de braços abertos. A recepção foi esclarecedora acerca das vertentes e a palestra do senhor, em inglês, acho que nos convenceu a todos da importância do trabalho de um jornalista, fundamental à democracia e à sociedade. Gosto disto também :p E a nossa querida faculdade, a melhor de Portugal, e o nosso querido curso de CC, o melhor de Portigal também... opá, é outro nível lol, é um prívilégio para nós podermos contactar com nomes tão conhecidos do grande público e aprender com a sua experiência, acho isso simplesmente maravilhoso (e é para eles uma honra darem-nos aulas, também, segundo o que dizem!).
Repararam que está sempre tudo relacionado com a comunicação? A comunicação é tudo, tudo mesmo. Sem ela não teríamos nada, e com ela podemos ter tanto, mas tanto.
Agora um parênteses: as minhas conversas com a Andreia são tão boas, que vou registar algumas baboseiras das aulas. Primeiro, aquela coisa que desenhaste em semiótica (enquanto eu desenhava uma cara de gato) não era um cavalo, parecia muito mais um golfinho (o_O).  Segundo, acho fantástica a ideia de se fazer uma festa de anos (ou meses, ou dias, depende) na passagem das três para as seis células, enquanto embriões na barriguinha da mamãe. Terceiro e último, levar um chimpanzé para a aula de semiótica, mascarado com uma peruca loira (e outra morena), no nosso lugar, parece-me uma ideia genial. Vamos a isso? Parênteses dois: Marta, as tuas unhas não estavam assim tão mal, não ligues ao que os outros dizem, aquele verde era bonito! E o meu padrinho tem de criar facebook, senão isto não tem jeito nenhum :p

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ser CC

Após uma grande semana de praxe, ainda estou viva. Sobrevivi e passei de bichona (LOL) a caloira, entre actividades divertidas e nódoas negras nas pernas. Nunca fui anti-praxe, apesar de algumas situações não me agradarem particularmente, mas também nunca tinha tido razões para me declarar a favor. Hoje, uma semana passada, digo que não podia estar mais de acordo com a tradição académica e esta forma de integração na universidade. Conheci gente maravilhosa e fiz bons amigos, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse escolhido ir às aulas em lugar de participar na praxe: perderia muito e não teria ganho o que ganhei.
Começar o dia com uma aula fantasma que nos matou a todos de susto não poderia ser melhor. Tudo de boca aberta, sem saber se deveria rir ou temer, com o menino Tonecas (que é meu colega de curso) a discutir com o professor de Sistémica, aquela cadeira que assusta só dizer a percentagem máxima de aproveitamento. Começamos logo a conviver com veteranos e doutores, compramos o fantástico kit caloiro - com pulseira, t-shirt e bíblia - e aprendemos a agir quando são pronunciadas as palavras granada (treino para o Afeganistão), tartaruga aflita e pega-monstros. Aprendemos também os cânticos, aquelas maravilhosas canções e hinos do curso e da faculdade, recheados de sentido e asneiras. Passamos o dia entre a fcsh e o campo pequeno, com direito a fotografias por parte dos estrangeiros e a um sorriso sincero da senhora da loja à qual me agarrei numa das actividades, com cuidado para não sujar muito os vidros x) Almoçar comida macrobiótica na cantina dos pobres, de mãos atadas e só com uma faca ('Renata, levanta um bocadinho, equilibra a gelatina... isso! Agora tu..' :P), carregar com capas de veteranos, fazer a oração à gloriosa Ana Maltez (pen na terra!) e participar nos Bicholímpicos, esta grande competição que incluía abordar estranhos para tourear, assinar uma petição, bem como fazer o macaquinho tarado e descobrir o rebuçado na farinha. Foi um bom primeiro dia para conhecer pessoalmente os conhecidos e um pouco mais de Lisboa, para morrer à sede e rir até mais não, tal como para pintar as unhas de verde e chegar a casa com braços e cara pintados.
Outro dia começa com uma vénia ao professor que nos sorriu pela única vez na vida e com um pedido cantarolado à porta do correio da manhã para o Octávio ('vem à janela'!) dar emprego aos nossos veteranos e doutores - sendo que os senhores lá de cima puseram à janela um CR7 de papel. Leilão muito porreirinho na escadaria do jardim, comprada num pack três com a Filipa e o Alex por 3,5 euros, pelo Thiago e a Luísa, uhuh. Valíamos mais! Despiques com CPRI ('tens a média baixa!' e 'ninguem vos ouve!') e outros cursos, olé. Depois do almoço melhorzito na cantina, ocorreu a melhor de todas as discussões por mim, para a equipa do rally-tascas: 'eu sou madrinha dela!' (Marta), 'eu comprei-a!' (Thiago), 'eu sou a entidade patronal!' (Pedro). O Thiago ganhou, lá fomos beber de tudo um pouco (e dançar o rebolation! :P), entre sangria, vinho (que o Miguel se encarregou de espalhar pela minha t-shirt), vodka com redbull, amarguinha e ginja; nunca bebi tanto em toda a minha vida, fiquei tonta mas passou passado um tempinho. O Z estava tão cómico que só dava para rir, até o pessoal começar a beber demais e a cair para o lado e a cena começar a perder toda a piada que tinha tido, não gostei nada de ver. Tempo ainda para registar a ida a casa do Tiago e o facto de começar a falar com sotaque madeirense, ah poisé.
O dia da eleição e do apadrinhamento foi outra coisa surreal: o Ricardo popstar que o diga, que ficou todo coiso por conhecer a Carolina Torres, para além da Diana e do Pêgo, todos jurados do concurso de Miss e Mr. Caloiros. Z e Galinfona, os dois misters caloiros de 2010, com muito mérito na dança, no stand-up e nas cantorias, o que originou uma manhã engraçadíssima e uns vídeos de partir o coco. O senhor Chico deu-me o (horroroso) nome de praxe de Manuela Moura Guedes, que permanecerá até ao fim dos meus dias. Metro até ao Marquês e uma descida muito desconfortável da Av. da Liberdade com latas presas aos pés, que se embaraçaram e fizeram um barulhão enorme - a chamada latada, coisa linda. O Netto obriga aqui a je a dançar em cima de uma bola no Rossio e a entrar 'para a história de uma família', com um senhor a filmar ahah. Os Estudos Europeus só sabiam cantar a música do arroz de ----, ainda por cima estavam armados com lanças e tinham umas caras furiosas, mas nós cantámos mais alto! A cerimónia do apadrinhamento consagrou a Martinha como madrinha e fez-me descobrir o Ricardo como padrinho, o que, pelo que dizem, foi um bom par de padrinhos conseguido :) para não falar dos muitos pseudos por aí espalhados.
E o último dia de praxe chegou assim para o chuvoso, não muito bom para o baptismo. Depois de algumas patetices e de um snake improvisado na hora mesmo para nos cansar, lá tomámos o banho da praxe nos vulcões de água do parque das nações, assim todos agarradinhos, a cantar os hinos de CC e da Nova enquanto nos encharcávamos, 3 e 4 vezes, com a erupção vulcânica de água. O Pedro a secar os calções na conduta de ar, de toalha enrolada na cintura; o Chico a surgir na fotografia de grupo de boxers azuis; as nossas t-shirts e calças todas encharcadinhas, as fotografias-maravilha tiradas naquele início de tarde, só bons momentos para recordar :p Deixámos de ser bichos, agora somos caloiros com muito orgulho (o orgulho já o tínhamos antes, por sermos especiais, bichos de elite!), já não somos maltratados (lol) pelos nossos superiores hierárquicos. O Z e a Galinfona, mais a Carolina, foram ao curto circuito divulgar a praxe e o bom nome de CC e da FCSH (CC no CC!), dançar e contar alguns episódios engraçados da semana. O primeiro jantar de curso de sempre, do pessoal do 1º ano, foi nos armazéns do chiado, umas 20 pessoas a conversar e a cantarolar pelo centro. E mesmo a chover a potes, cantámos pelo chiado, dissemos asneiras na noite lisboeta, encharcámo-nos e fomos de novo baptizados até nos abrigarmos no metro e aquecermos a voz com todo o tipo de música (e despiques!), para mais tarde recebermos fervorosamente os veteranos e doutores como deve ser. Não fomos obrigados mas, instintivamente, fomos levados a cantar e a orgulhar o curso e a faculdade, aos quais pertencemos e dos quais gostamos cada vez mais :) Somos sem dúvida os melhores caloiros de sempre e CC é a melhor família que podíamos ter arranjado nesta nossa investida na universidade! A noite no bairro alto prolongou-se, e mais virão ao longo do ano para voltar a juntar o pessoal todo, que tenho adorado conhecer: Andreia, Renata, Tiago, meus novos amigos do <3. É o reboleixon xon ahah. Não queria estar noutro sítio nem com outras pessoas =) Parabéns a veteranos e doutores pelo excelente trabalho com a praxe este ano!
NÓÓÓÓÓÓÓOÓÓÓÓÓÓÓ... somos de comunicação! pás pás pás pás!
Imaculada, senhora dos bordéis... faz com que o vinho não se acabe nos tonéis!
Lá vai a Nova de sininhos e balões...
De que curso é que vocês são? CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO!
Eu quero é CU, é CU, é COMUNICAÇÃO!
Viva CC e a FCSH : )

domingo, 12 de setembro de 2010

paradoxal effect

Adoro paradoxos, é tão engraçado quando os sentimos na pele. Este fim-de-semana foi uma espécie de paradoxo temporal / sensacionista. Descobri o meu game boy no mesmo dia em que recebi a confirmação oficial de entrada na faculdade. Yay! (o entusiasmo foi mais pelo game boy, até..)
Tinha saudades daquilo. Com os meus oito anos, não largava aquela máquina azulada e aqueles jogos, que faziam parte do meu dia-a-dia. E a verdade é que devia passar mesmo dias inteiros a jogar aquela porcaria porque, dez anos depois, ainda me lembro perfeitamente dos jogos do Pokémon (pikachu *-*), do Astérix e Obélix e do Super Mário! Ah, bons tempos, e óptimas recordações. A paciência é que já não é a mesma LOL, mas mesmo assim acho que agora vou pegar no game boy de vez em quando, para matar saudades. Que coisa fofinha. Soube tão bem descobrir aquilo e jogar um bocado, foi mesmo um relembrar da infância :)
Fofinho também foi receber um mail da DGES com as palavras:
Cara RAQUEL SILVA,
Concluída a 1ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, vimos informar que o resultado da tua candidatura foi o seguinte:
Resultado: Colocada
Estabelecimento: [0902] Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Curso: [9023] Ciências da Comunicação.
Apesar de já ser esperado, é sempre agradável receber a confirmação oficial da caloirice no único local onde queríamos estar. E é uma sensação estranha... de quem se apercebe de que, daqui a uma semana, começa uma nova etapa da sua vida e sofre algumas mudanças a todos os níveis. Agora sou bicho, com muito gosto, preparada psicologicamente para a praxe dos veteranos mais simpáticos à face da terra. E o facebook continua - cada vez mais - a unir Portugal e o mundo, ajudando-me a descobrir os futuros colegas de CC, todos eles uma simpatia também :)
Por isso, feliz com os paradoxos todos. É chato saber que algumas pessoas não conseguiram colocação nesta primeira fase, mas ao mesmo tempo alegra-me ver colegas orgulhosos do que conquistaram este ano, entre os quais me encontro também. E apesar de estarmos separados, apesar de Lisboa ser uma cidade muito grande, acaba por ser pequenina para nos encontrarmos e matarmos saudades e trocarmos dois dedos de conversa sempre que se proporcionar :) Feliz com estes paradoxos que me fazem ver o passado e o futuro numa dimensão paralela!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

childhood revisited

Há coisas que, por mais que o tempo tente apagar, nunca se esquecem. Aquele sítio é uma dessas coisas, uma dessas memórias. Ficou colado ao cérebro e não se despegará nunca. Entrar de novo por aquelas portas, ver de novo as pessoas que tornaram aquele local mágico para todos nós, está além de qualquer sensação natural de nostalgia. Foram muitos os anos, e são ainda muitas as recordações guardadas daqueles que hoje consideramos os bons velhos tempos. Trata-se da nossa infância, como nos podíamos esquecer?
Recordo os tapetes com as estradas, as esponjas em que fazíamos picotado, a plasticina, os legos, os quadros com letras para aprendermos a ler. Recordo os meninos a chorar quando os pais se iam embora para o trabalho. Lembro-me de brincar à macaca e ao jogo do lenço, de saltar ao eixo, de andar às cavalitas dos colegas, de dar cambalhotas nas barras do recreio e chegar a casa cheia de nódoas negras, mas feliz. Não esqueço os esconderijos secretos, aquelas árvores nas quais nos sentávamos vezes sem conta para conversar sobre os assuntos que mais nos encadeavam o coração; nem aquela cobertura onde ocorriam os casamentos "a brincar" dos casalinhos. E lembro-me bastante bem dos casalinhos, pelo menos os do último ano - e dos meus ciúmes também, ahah, mas isso é outra história. Lembro-me dos casalinhos antigos também, e daquele ritual de dizermos o nome de quem gostávamos no dia dos namorados, era uma coisa linda. Recordo, obviamente, os grupinhos das raparigas, sempre duos, que se entretinham a criar músicas parvas e coreografias engraçadíssimas.
Lembro-me da nespereira gigante - e de o Diogo trepar para apanhar nêsperas -, bem como de jogar andebol e de achar que as aulas de educação física eram as melhores de sempre. Recordo o jogo das palmeiras - que a minha equipa ganhava sempre LOL - e das palmeiras desenhadas no quadro de giz. Recordo os poemas decorados, os textos escritos, o nascer de uma paixão que nunca pensei vir a ser tão forte. Recordo as fotografias de grupo, no dia de o fotógrafo ir à escola; as peças de teatro e outras encenações nas festas de final do ano, e como adorava vestir-me na sala do lado, a que tinha os bancos cor de laranja. Lembro-me das conversas sobre o Nuno Markl e a Rádio Comercial com a Marta, do 11 de Setembro visto na televisão da escola, das idas à praia no Verão, e de num desses dias o autocarro ter partido um vidro. Lembro-me de ver o Tomás com a mão partida depois de a baliza lhe ter caído em cima; lembro-me das discussões do pessoal, da falta de vontade para estudar; recordo as cenouras que comíamos, cruas, na cozinha, e ainda ver o meu avô a passar pelo portão, todos os dias, à tarde, para me ir buscar à escola. São muitos bons momentos.
Claro que houve momentos menos bons. Recordo muito claramente o dia em que professoras e auxiliares vagueavam pela escola com os olhos cheios de lágrimas, e nós sem saber o que se passava, sentindo-nos impotentes no meio e tudo aquilo. Lembro-me de tentar falar com elas e perguntar se estava tudo bem, lembro-me de ter de ir embora e pedir à Inês para me contar se tivesse descoberto alguma coisa. Mas o dia seguinte chegaria e finalmente perceberíamos do que se tratava; a notícia foi recebida por todos com surpresa, revolta, e por fim com muita tristeza. Acho que naquele dia fiquei sobretudo na fase da surpresa, por isso permaneci imóvel e sem saber o que fazer, até ouvir a professora: "Raquel, conforta os teus amigos". Crianças de 6/7 anos a perderem um amigo de sempre, não é propriamente fácil aceitar. E é daquelas coisas que não se esquecem mesmo. Anos depois, chegou-me a revolta e a tristeza, e por fim a aceitação, que substitui tudo pela saudade e por uma boa memória.
Voltar a encarar o colégio, oito anos depois, apesar de lá ter ido uma vez há cerca de cinco ou seis anos, foi mais uma daquelas sensações estranhas, de quem visita um local que, quando era criança, lhe parecia enorme, e que afinal não o é tanto assim. Algumas coisas mudaram, mas a base mantém-se: está tudo no sítio certo, lembro-me bem de todos os elementos da escola. Foi bom rever os professores e as auxiliares, conversar sobre tempos idos e trazer de volta à memória algumas recordações mais esquecidas. E subir aquelas escadas até às salas, e dar uma cambalhota com a Inês, e procurar fotografias antigas para digitalizar e pôr no facebook, novas tecnologias olé. Tenho saudades daquele tempo, como qualquer um de nós tem. Fomos os primeiros da escola, somos ainda aqueles que o pessoal interno mais recorda, porque os marcámos tanto como nos marcaram a nós.
Tenho pena de não ver alguns de nós há muitos anos - mas é bom encontrar alguns nas redes sociais e pensar "o quê, aquele é o Ricardo? tão diferente...!". E tenho pena que o Tomás e o Diogo não se tenham juntado a nós na visita de hoje. Éramos um grupo muito unido, gostava de nos juntar a todos, mas já foi bom estar com as Ineses e com o Fábio. Podemos não ser amigos como dantes, podemos não nos dar tão bem nem nos ver tanto, mas quando estamos juntos, e sobretudo no ambiente natural que é o colégio, é como se voltássemos a ser crianças e estivéssemos a viver de novo nos anos 90, a nossa infância maravilhosa. Agora é continuar com as visitar, continuar a combinar coisas e a recordar o passado, that's all we have ( :

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

you can find it in yourself

O post anterior foi assim uma espécie de desabafo relacionado com os último dias e com o dia de hoje, uma coisa que pecisava de ser dita, escrita, talvez não lida, mas pronto, aqui ficou.

Por estar a menos de duas semanas da nova etapa, a faculdade e tudo o mais, esta semana ando com o espírito académico completamente on fire! Estou naquela fase, como disse ontem ao Pedro, de achar tudo uma coisa fantástica, inclusive as terríveis praxes que me esperam. Até existe um livro para os caloiros saberem como sobreviver, oh meus deuses, adorei. E existe um hino - maravilhoso e comunista (ahah) -, por sinal, que temos de começar a aprender e decorar, para depois podermos cantar a plenos pulmões, não é Z e R? :P Vejam que até escrevi isto: "abram a vossa alma e o vosso coração ao espírito académico! :p", por isso não estou mesmo bem, LOOL. É aquela fase da expectativa, gosto dela, é agradável! E pronto, deixo aqui oa letra do hino de CC, que a Marta e a Maria me ensinaram via facebook (ahah) e que o Z e o R também terão de aprender:

É ORGIA, É BACANAL, É COMUNI, É COMUNICAÇÃO SOCIAL, É DESBUNDA, É CHAVASCAL, É COMUNI, É COMUNICAÇÃO SOCIAL, DESTRUIMOS QUALQUER JORNAL, É COMUNI, É COMUNICAÇÃO SOCIAL, CAGAMOS PRÓ CAPITAL, É COMUNI, É COMUNICAÇÃO SOCIAL, ESTE HINO JÁ CHEIRA MAL, É COMUNI, É COMUNICAÇÃO SOCIAL, ENRABAMOS O PAI NATAL, É COMUNI, É COMUNICAÇÃO SOCIAL!

Claro que tudo isto está relacionado com uma série de comentários de pessoal com quem já não falava há uns oito anos, de tempos de que tenho imensas saudades e de coisas que gostava imenso de voltar a viver. Quando estamos perante uma nova etapa da nossa vida, parece qe revemos a vida toda, é uma coisa estranha. E está também relacionado com o almoço de ontem com as moças, a Raqueló e a Béubéu :) Foi bom voltarmos a estar juntas, matar saudades e conversar um bocadinho sobre as férias. E daqui a exactamente um mês lá estaremos outra vez (no chinês ou no japonês!), para contarmos umas às outras as aventuras universitárias e as praxes todas :p Singstar rula sempre, é uma coisa fantástica. É pena estarmos separadas, claro, mas Massamá é aquela base e vai juntar-nos sempre.

Nem tudo são rosas, infelizmente há sempre coisas menos boas a estragar os dias que parecem quase perfeitos. Às vezes as coisas que têm de ser, acabam mesmo por o ser, e tu sabes disso, rapariga. Aconteceu, foi bom enquanto durou, mas tudo o que é bom acaba, invariavelmente, e há coisas que não têm volta a dar. Custa, eu sei, mas hás-de recuperar depressa... agradece pelos bons momentos e tenta não lamentar : ) E não penses que por só te dedicar um parágrafo significas menos! Pelo contrário, hein?

Só mais uma coisa fofa: saiu o novo single do Michael Bublé, Hollywood, que ouvi pela primeira vez na Comercial, a altos berros, quando estava a guiar o Foxie, e que me apetece imenso imenso imenso imenso partilhar aqui:

o passado, o presente e o futuro

É quando olhamos para trás, para tudo o que recordamos até aqui, que nos apercebemos da pessoa que nos tornámos, e começamos a pensar se realmente era isto que prevíamos ou se estamos completamente ao lado do que esperavam de nós e do que queríamos realmente ser. O passado tem um papel muito importante neste processo. É ele que nos faz crescer com os erros, aprender com a experiência e caminhar para a frente em busca de algo melhor, ou que pelo menos consideramos ser o melhor para nós. É ele que nos diz "segue o teu coração e vai onde os sonhos te levarem", é ele que nos lembra o que fomos um dia e que gostávamos tanto de ser, nomeadamente enquanto crianças puras e felizes. E sabe tão bem recordar o passado. Inexplicavelmente, dá-nos um ânimo que não conseguimos obter de outra forma. Há nostalgia, há saudades de um tempo longínquo, mas sobretudo há uma vontade enorme de o repetir no futuro, em circunstâncias semelhantes... a sensação que temos é tão agradável que só a queremos recuperar a todo o custo. Não a valorizávamos tanto nesses tempos, mas fazêmo-lo agora, que passaram muitos anos e ela se tornou tão forte e presente. Principalmente quando damos por nós a recordar os bons momentos, quando reencontramos as pessoas que faziam parte deles, quando visitamos os locais da nossa felicidade de outrora. Aí, parece que tudo vem "ao de cima", como se costuma dizer. Ficamos cheios. De memórias, de saudades, de esperança, uma esperança que também não conseguimos de qualquer forma. Sentimo-nos, de novo, crianças, em busca de algo na vida, algo que nem sabemos bem o que é. A diferença é que, hoje, sabemo-lo. Queremos isto e aquilo, somos pessoas mais maduras e conscientes do que nos espera. Mudámos, invariavelmente, com(o) o tempo e o espaço, e isso afastou-nos bastante - do que éramos e das pessoas -, mas o facto de o querermos recuperar deverá querer dizer alguma coisa. E, por outro lado, temos de olhar para o presente e ver também que o que temos hoje é bom, que sabe bem termos construído novos edifícios desde a primeira pedra e apercebermo-nos de que eles ainda se aguentam em pé, com perspectivas de se aguentarem ainda por longos anos. Afinal, somos pessoas capazes de recuperar a esperança dos velhos tempos e de alcançar a felicidade agora, por isso também o seremos, decerto, no futuro. Afinal, conseguimos tornar-nos alguém; pode não ser aquela pessoa que queríamos definitivamente ser no passado, mas uma pessoa que, apesar de muita coisa, nos agrada pelo que até hoje conseguiu conquistar. E ainda para mais, o facto de as pessoas que nos rodeiam darem conta de tudo isto, e de nos mimarem (até demais) e valorizarem a pessoa que se lhes apresenta à frente, acaba por ser bastante gratificante para nós. São elas, também, que nos ajudam a ser alguém e a crescer cada vez mais. Por isso, obrigada.

domingo, 5 de setembro de 2010

vidas de cartão

Duas velhotas sentadas num banco de jardim, serenamente encostado às paredes da casa de campo, no alpendre, contemplam os verdes prados e o azul do céu, que marca aquele caloroso dia de Verão. No regaço da primeira, que demonstra ainda resquícios de um cabelo outrora louro, uma caixa cheia até cima carrega pedaços de todo o mundo, reunidos ao longo de uma vida. No regaço da outra, ainda algo morena apesar da branqueza dos cabelos, já bastante denotada, uma caixa igualmente apinhada mostra uma enorme diversidade de padrões e cores, também eles de diversas partes do planeta. Ambas recordam e conversam acerca dos postais que guardaram durante anos, de trocas com pessoas desconhecidas, conhecidas, ou até mesmo uma com a outra. Quem diz que é arcaico trocar postais? Fizeram-no anos e anos a fio, até aos dias de hoje, quando ainda se deslocam, de quando em vez, aos correios mais próximos, para depositar uns quantos postais e manter as amizades conquistadas no estrangeiro. E hoje, mais precisamente, recordam o tempo e o espaço, que as separou uma vez, mas que não voltará a fazê-lo nunca, até ao fim dos seus dias, que se adivinha não assim tão longínquo. Levarão consigo as memórias de uma vida escrita em cartões de papel, em paisagens e publicidades que atraíram as suas atenções e que partilharam sempre que lhes foi possível. Recordam aquele postal, que trocaram e acabaram por nunca enviar, e aquele outro que guardaram com especial cuidado, separado dos outros mais comuns. Recordam aquelas caixas quando ainda se encontravam vazias, quando começaram a receber um, dois, três postais, e quando foram crescendo para cinquenta, cem, duzentos, até hoje se encontrarem assim, sem mais um único buraco para postais, mas ainda com espaço de sobra para conhecimento e recordações. Recordam como a troca de postais acabou por as aproximar ainda mais, mais do que qualquer outro meio de comunicação mais moderno e em voga. Os tempos são outros, é verdade. Já não existe uma necessidade de enviar coisas por correio, existem outras formas, mais rápidas e até mais eficientes, de o fazer. No entanto, são diferentes. Um postal é um postal. Não é só um objecto, um bem material que temos e guardamos quase por capricho. É uma lembrança da pessoa que o enviou, do local que retrata, do momento de que fala, e isso pode ser tudo para uma pessoa. Significou e ainda significa o mundo para estas duas jovens de idade avançada, que toda a sua vida privilegiaram o envio de postais pela forma como este as marcou desde que se lembram de si mesmas.

É isto que duas raparigas podem vir a ser daqui a uns sessenta anos... aqui fica uma previsão para o futuro! :P

sábado, 4 de setembro de 2010

história de uma viagem

Vamos para fora, estamos numa outra vida durante uns dias, a falta de internet nem é muito notada, o descanso de pessoas conhecidas e de trabalho sabe bem à cabeça. Só que, quando voltamos, tudo volta ao normal. A nossa vida está cá à nossa espera, exactamente como a deixámos. Os problemas não desaparecem sozinhos, pelo contrário, até se acumulam, e assolam-nos logo que regressamos à normalidade. É uma chatice, mas faz parte. Anyway, é bom estar em casa, dormir na cama que conhecemos, voltarmos a ligar-nos ao mundo, embora seja normal que algumas saudades, de algumas coisas, acabem por surgir.
Praga é assim uma cidade típica do interior da Europa, embora não conheça as outras para poder comparar com certeza. Está recheada edifícios antigos, enormes, bonitos, coloridos e cheios de coisas artísticas. É cosmopolita, atrai-nos com o seu olhar histórico-modernista, transmite uma beleza enorme através das suas torres, das vistas maravilhosas para o rio, das suas enormes praças. E tem algumas pessoas simpáticas. Algumas. Por exemplo uma menina que me disse adeus logo à chegada - talvez fosse turista LOL -, um senhor do restaurante que perguntou de onde vinha e depois disse "obrigado", e ainda um rapazito simpático que desejou um bom dia. Há checos simpáticos em todos os aspectos, este último era daqueles louros todos fofos e de olhos claros :p Lembra-me o bom velho Nedved de quem eu tanto gostava ahah e ainda há imagens dele pela cidade.
Entre tudo isto, Praga vale mesmo a pena pelo relógio astronómico e pelo fenómeno que ocorre a todas as horas e junta milhares de pessoas - mesmo à chuva! -; pelos edifícios e pelas fotografias fantásticas que se podem tirar; pelas centenas de degraus que se sobem para ver uma vista maravilhosa; pela história, a influência do comunismo e da Rússia, e por episódios como o de Jan Palach, que se incendiou na Praça Venceslau; pelas pontes, pelo rio, pelas coisas típicas, do estilo o Trdelník, o folclore e o cheese cake à moda checa (LOL); pelos souvenirs... ah, os souvenirs, desde matrioshkas a marionetas, ímanes, rebuçados, chocolates, postais maravilhosos *-* e os teatros típicos, black light, que mostram uma tecnologia algo arcaica mas ainda assim muito interessante :p Para não falar dos centros comerciais enormes e das lojinhas de rua!
E eu sou suspeita, porque apesar de ter sempre 1/1000 de receio, adoro andar de avião, sobretudo quando ele levanta vôo e podemos ver a superfície terrestre de lá de cima, e a entrada nas nuvens, e o aproximar do sol. Ficar umas horas presa no aeroporto de Frankfurt (que tem umas smoking zones engraçadíssimas) não é do mais agradável, nem aturar os portugueses todos que faziam a mesma viagem, mas os contratempos também fazem parte da bagagem. Agora... andar de avião é outra coisa, abençoados irmãos Wright.
Mas deixando os aviões de parte: outra coisa muito engraçada é a língua checa, nada difícil de aprender (ok, é bastante difícil, mas há palavrinhas que se descobrem bem): náměstí = praça; ahoj = olá; čau = adeus (lê-se tchau :P); ano = sim; ne = não; pivo = cerveja; město = cidade; káva = café; Škola = escola; děkuji = obrigado; e pronto, acho que por hoje já chega :P Foi uma viagem interessante, apesar do hotel um bocado rasca (mais valia um botel :P) e da confusão inicial com os transportes - eléctricos vermelhos rulam em Praga, oh yeah, porque os táxis não são muito fiáveis (só os verdadeiros yellow cabs) e o metro tem uma escadaria inclinadíssima que dá vertigens a toda a gente (apesar de eu ser a única a sentir-me mal nas escadas rolantes). Agora falta conhecer Budapeste - e visitar a Ivett, o que está prometido :P -, e Vienna também... e já agora, conhecer a Itália, que é um desejo já antigo :) Também um país lindíssimo e com uma língua acessível! LOL. Esta é a história de uma viagem, alguns anos depois de ter andado de avião pela última vez.