sexta-feira, 27 de agosto de 2010

carta

Querido Universo,
tens um sentido de humor terrível, deves ser do signo peixes ou assim. Quando as coisas estão a correr bem para os nossos lados, quando sentimos que temos finalmente a amizade junto a nós para o que der e vier, quando acreditamos que estamos cientes de relativamente tudo o que se passa à nossa volta... lanças-nos uma bomba para cima e estragas tudo, dás cabo dos alicerces das nossas forças, falsificas tudo o que acreditávamos ser verdade até à data, matas as nossas esperanças, as nossas alegrias, as nossas conquistas. Porquê? As coisas não estavam bem, perfeitas, sossegadas, confortáveis, como estavam antes? Tinhas de te intrometer e terminar algo que estava perfeito tal como estava? Universo, não gosto de ti, hoje pelo menos. Hoje, odeio-te até. Há dias em que me fazes acreditar piamente no teu julgamento e na forma como transformas o mundo à minha volta, para melhor, sem dúvida, e por isso mesmo dou graças a tudo e a todos por te intrometeres. Mas depois há alturas em que ages desta forma... dás sinais falsos às pessoas, pões-lhes coisas estranhas na cabeça, fazes-lhes nascer outras coisas esquisitas nos corações, e dás-lhes cabo do que tinham de perfeito. Ao mudares uma pessoa, acabas por mudar todas as outras, indirectamente, e ao fazê-la sofrer, estás a fazer sofrer meio mundo. Porquê? É um simples capricho teu? Todas as coisas boas têm de terminar? És ganancioso, fazes-nos querer mais do que temos, obrigas-nos a estar insatisfeitos com a vida que levamos e a procurar sempre estar onde não estamos, ser o que não somos – e que, muitas vezes, não podemos vir a ser, nunca. Isso também será obra tua, suponho. És um ser mesquinho, brincas connosco como se de pequenas marionetas se tratassem. Fazes de nós o que queres e divertes-te com isso, seja a fazer-nos sofrer ou a dar-nos uma ligeira ilusão de felicidade, logo tratando de fazer desabar tudo o que construíste e construímos até ao momento. Às vezes, preferia que não existisses, ou pelo menos que nem sequer te desses ao trabalho de agir. Nunca ouviste dizer que, por vezes, mais valia estares calado – ou, neste caso, parado? Pára, olha à tua volta, apercebe-te de que nem tudo o que fazes é para o nosso bem. Compreende que não podes tratar-nos como peões, que temos um coração que bate e um cérebro que pensa, por nós, sozinhos, e que nem sempre precisamos de ti para mudar as coisas. Que, muitas vezes, estamos bem se não nos mexeres nem com um dedo mindinho. Achas que podes tentar fazer isso? É só o que te peço. Um pouco de humildade, de justiça, de amizade. Já que me levaste algo bom esta semana, leva de mim também este conselho e tenta melhorar. E, já agora, tenta remediar todos os erros que já cometeste, tudo o que, de perfeito, já fizeste ruir. Por favor, peço-te de alma e coração que arranjes uma cura para esse vício e outra para nos deixares ser seres humanos melhores.
Obrigada,
Raquel.

4 comentários:

FLima disse...

Simplesmente adorável! Vou passar a frequentar o blog, é um autêntico lugarejo de inspiração!

Cláudia disse...

Raquel, tal como tu também me candidatei este ano à FAC....uma pergunta, dia 13 saem os resultados das colocações não é?

Raquel Silva disse...

Sim Cláudia, dia 13 :)

Pedro Coelho disse...

A culpa não é do Universo, mas sim das pessoas que vivem nele. Não temos que culpar nada, nem ninguém, pelas acções das pessoas que gostamos - elas não são perfeitas, também têm defeitos. O Universo só deseja a vida acontecer e a vida é isto... idas e vindas x)