quinta-feira, 1 de julho de 2010

cold cold heart

É tipo guerra fria. Já o tinhas percebido, mas dar-lhe nome é outra coisa. Guerra fria e bastante fria. Mas com nuances. É unilateral. É intraestática. É pessoal. Uma espécie de crise interna, mas que sente influências do exterior. E sobretudo que tem umas fases esquisitas de quando em quando.
Começou por ser uma coisa de grande tensão. Mais uma vez, é tipo anjinho contra diabinho, um diz para realmente ficares atenta, não deixares passar a oportunidade, arriscares; o outro diz 'não arrisques, olha que depois ficas desiludida com uma coisa tão parva como esta'. E claro, o diabinho ganha sempre estas batalhas. Estupidamente, mas ganha. 
Começam os conflitos localizados, internos (claro que a metáfora nem sempre resulta na perfeição, dêem um desconto), e a tensão realmente cresce. É aquela dor no peito que vocês conhecem. Que todos conhecemos. É um certo peso, apesar de, enfim, a coisa não ser tão grave como parece. Não pode ser tão grave. Como o poderia ser, se...? Hmmm.
Depois há o desanuviamento. Esta tensão desvanece-se ligeiramente, ouves o anjinho e segues com a tua vida. Não te importas tanto, não te deixas abater da mesma forma. Quase esqueces que existe, que supostamente devia tratar-te melhor do que o faz na verdade, que deviam falar mais vezes, que aqueles bons momentos passados desapareceram. O facto de desaparecerem ajuda-te a ultrapassar a coisa. Um bocadinho, pelo menos. Porque há sempre alguns picos se tensão a que não consegues escapar.. os mísseis de cuba e o muro de berlim. Momentos esses que são muito fortes emocionalmente.
Mas depois vêm os momentos de recrudescimento da tensão. São, de novo, pequenos picos de alegria, de emoção, de esperança, que te fazem voltar a ouvir o diabinho. De repente, tudo volta... a voz do diabinho, a tua desilusão, tudo o que te faz amar e odiar, ao mesmo tempo, sem saberes como nem porquê. As emoções estão à flor da pele e não podes fazer nada para o impedir. São mais fortes do que alguma vez o foram.. já não é uma coisa tipo flash, como no início, que te leva a pensar na possibilidade. Ela já está consumada, já estás demasiado presa para conseguires livrar-te da teia em que te meteste. Esquece, estás lá para ficar e não conseguirás sair tão depressa.
Resta-te aguardar pela última fase, em que tudo terminará - bem ou mal, para ti - e que te permitirá, efectivamente, seguir em frente. Claro que tanto pode ser positiva, o que seria bom sinal..., ou negativa, o que quereria dizer que as coisas não foram favoráveis e que o esforço não valeu a pena. Pensa na primeira hipótese. Embrenhada como estás, não tens outro remédio. Deixa-te levar. Acredita. Acredita na ínfima possibilidade de poderes sair vitoriosa desta batalha. De seres os EUA, de conseguires destruir os alicerces da URSS, por via pacífica, e de, no final, tudo acabar bem entre vocês, e ele perceber que realmente esta guerra fria, interna e desgastante, não passou de uma inutilidade do destino. Ou então acredita que, apesar de toda esta guerra fria, vais acabar bem, sem remorsos... que apesar de não ser assim tão positivo, tens outras coisas a que te agarrar. Que podes continuar, olhando para trás e aprendendo com os erros. Dando ouvidos ao anjinho. De qualquer forma: resta-te esperar e ter esperança.

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