sexta-feira, 4 de junho de 2010

if today was your last day

Agora que o fim se aproxima
agora que está a acabar
agora que começo a pensar na vida depois disto
e apesar de querer sair, continuar em frente, abandonar...
apercebo-me finalmente de uma coisa:
vou ter saudades.
Do secundário, desta vida, de tudo isto.
Das conversas e dos desenhos das aulas de inglês
de ver o prof de macs a passear no pópó novo
das longas conversas ao telefone para acabar trabalhos
das aulas de otl em que não se fazia nada
dos intervalos à porta do G ou a passear pela escola
das aulas de educação física, do espírito de grupo
das dores nas costas, nas pernas, nos braços e afins
das aulas e da professora má que nós sabemos
e da outra burra que nós também sabemos, embora em menor grau
do chico fininho, da sua simpatia e de tudo o que batalhou por nós
do filósofo e de outros afins que encontrávamos diariamente na rua
dos trabalhos de grupo, dos encontros improdutivos nas nossas casas
da azáfama dos exames, do nervosismo antes de cada teste
do dizer a matéria aos colegas no dia anterior
do explicar a matéria de história como uma novela
dos risos e sorrisos com as coisas mais ridículas
dos telemóveis a tocar nas aulas (Raquel, esta é para ti!)
da bondade da prof de inglês, das tea partys
da música dos grupos de ap, das conversas paralelas
dos cartões, de não saber deles, de sermos repreendidos por não os usarmos
de fircarmos retidos na escola a ouvir o senhor Max a contar histórias de guerra
(Guiné, crocodilos, serpentes, armas, matar para sobreviver foram alguns vocábulos)
do cheiro do refeitório
da bibliotecária, da senhora da papelaria (com o nome giro)
dos cacifos (759 ***), das casas de banho (ahah)
da longa escadaria até à sala de aula
de ouvir o tony, o leandro e o mickael (e kizomba também!) nos intervalos
das visitas de estudo, das fotografias e dos vídeos
das semanas recheadas de prazos para cumprir, da falta de tempo
do abrir a janela para entrar o sol, do bater na cara do prof
do ver os gatos e outros animais curiosos no meio da vegetação
das abelhas nos anexos, do frio que lá faz no inverno
das aulas em que não era preciso estarmos atentos
dos insultos proferidos nas salas de aula e respectivas reacções
das trocas de papéis e recadinhos
das faltas de material, das idas para o gabinete
das danças inventadas, da acrobática, dos jogos colectivos
do mikado, do stop, da forca
do projecto e dos encontros para o realizar
dos sonos curtos mas eficazes nas aulas de história
do miúdo hiperactivo a levar porrada dos colegas no intervalo
da miúda fofinha do 7º ano que observávamos com carinho
daqueles miúdos que olhávamos e dizíamos "quando for grande vai ser muito giro"
das continas que nos davam a chave para ficarmos nas salas
dos intervalos passados a conversar com professores
das longas esperas pela 110 à porta do pingo doce
das apresentações orais quando a voz falhava, ou quando não havia muito a dizer
das intervenções argumentativas e das dissertações actuais do dt
das conversas facebookianas e das aulas de condução
da Rússia, do Hitler, do Freud, do Baltasar e da Blimunda
dos dias de chuva sem chapéu ou capuz
dos concertos, das agregações na biblioteca
do entrar na casa de banho das profs, no A
do subir ao gabinete a direcção sem pedir autorização
do ir à escola ver as notas dos colegas
do ir ao bar comer uma merenda folhada com a Ana
das idas ao japonês e ao chinês com as friends
do encontrar antigos amigos e lembrar o passado
de pedirem o meu afia, folhas, elástico para o cabelo
dos horários excelentes e do outro não tão bom assim
do ficar na escola quase até às 7 da noite
do chegar atrasada, dos atrasos que interrompiam as aulas
das vendas de rifas, das compras de rifas
dos casais de namorados sempre a mudar
das mudanças de salas, dos quadros sem caneta
dos retroprojectores, do projector da prof de inglês
do pingo doce, da correria às 18h20 e nos intervalos para comer
das longas filas de espera na papelaria e afins
até mesmo da comidinha feita pela avó. LOL.
Claro que algumas destas coisas não têm necessariamente de terminar, e que algumas delas, até, continuarão ou deverão repetir-se daqui a uns meses, quando ingressar na faculdade. Mas tudo vai ser diferente. Algumas pessoas serão outras, o local será outro, o ambiente será diferente... e mais do que isso, nós estaremos diferentes. E por isso mesmo - e apesar de dizer sempre que a faculdade é que é e que não quero mais andar nesta escola, etc, etc, e de já ser um pouco tarde para perceber isto - ...
vou ter saudades do secundário :)
(permanecem as boas memórias ****)

4 comentários:

.Tiago Vitória disse...

Raquel, foi um dos textos mais bonitos e que me tocaram mais nos últimos tempos. +.+ JURO! Porque existe imensas coisas em comum com a minha circunstância e de certeza que para o ano eu me vou sentir assim. Com a vontade de ingressar na faculdade, mas ao mesmo tempo com a nostalgia de 3 anos passados no secundário a fazer esta lista interminável de coisas que fazemos - sem nos aperceber - diariamente. (':

Raquel Silva disse...

É mesmo isso, Vitória :) Não nos apercebemos, muitas vezes, de que estas pequenas coisas acabam por fazer a diferença. E agora mesmo próximo do fim é que estou a pôr os pés na terra e a perceber de que realmente vou sentir a falta de todas estas coisas... :')

Rosa Branca disse...

Confrontar muito com o meu final de secundário...fogo...:P

*

Vai correr tudo bem...*

E o secundário nunca sai do (L)...Mesmo!:D

Caio Fabricius disse...

Muitos gostosas essas saudades :)