quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Café da Saudade

O Café da Saudade situa-se ao fundo da rua principal, na esquina com o Bairro da Consolação, numa qualquer cidade na fronteira com o interior. Por vezes denominado Café da Esquina, o estabelecimento é um ponto de concentração de pessoas de todas as idades, profissões, raças ou ideais, desde o nascer até ao pôr-do-sol, e um sítio muito estimado pela população da pequena cidade.
No exterior, a fachada rústica do café evoca o mundo rural, com os desenhos de trigo e de centeio a iluminar as paredes. Também a porta da cor da madeira e as cortinas brancas e vermelhas, que se adivinham nas janelas, transportam o pensamento para o campo, para as típicas casas que caracterizam a paisagem campestre. Dentro do café, as paredes coloridas a bege, as mesas e cadeiras de madeira, as toalhas com o mesmo padrão das cortinas e o longo balcão recheado de souvenirs rurais contrastam com a televisão ligada num canal por cabo, a aparelhagem a transmitir a rádio local e o próprio cosmopolitismo citadino, o que lhe oferece um carácter paradoxal e simultaneamente universal.
Por detrás do balcão de madeira, uma mulher, nos seus trinta e cinco anos, morena, de olhos esverdeados, com um sorriso de orelha a orelha e um avental colorido sobre as roupas simples, atende os clientes que vão chegando ao café, oferecendo-lhes rebuçados de morango e convidando-os a sentar-se nas mesas ou ao balcão. Trata-se de Julieta Saudade, proprietária do estabelecimento, construído pelo próprio pai, que lho deixou em testamento há dez anos atrás. É a sua paixão, o que a faz levantar todos os dias da cama e a torna verdadeiramente feliz. Se não tivesse aquele escape, aquele emprego que tanto gosto lhe dá, provavelmente a saudade e a angústia da vida apoderar-se-iam dos seus pensamentos, quebrando-a por completo. Mas ver todas aquelas vidas paralelas, todas aquelas caras, velhas ou novas, tristes ou contentes, saudosas ou esperançosas, dá-lhe uma razão para continuar, para servir os clientes da melhor forma possível e ajudá-los a tornar os seus dias mais agradáveis, deixando-se contagiar pelo que eles próprios sentem.
É na roda-viva de entradas e saídas que D. Julieta, como é carinhosamente tratada, observa o encontro de culturas e emoções no seu café, sendo também este, para as pessoas que vão e vêm, um ponto de abrigo, um local para conversarem enquanto bebem café ou simplesmente dizerem “olá” a alguém e receberem um cumprimento de volta. Naquela gélida manhã de Inverno, o café encontra-se particularmente lotado, devido às favoráveis condições climatéricas do interior, e as pessoas começam a abandonar o espaço apenas quando se apercebem de que está na hora de regressar ao trabalho, à escola, aos seus afazeres do quotidiano.
D. Julieta permanece atrás do balcão, sorrindo aos fregueses, tentando dar conta de todos os pedidos e contando com a ajuda da empregada Rosa para servir às mesas. Pensa na vida, na forma como esta a desiludiu em relação às expectativas que tinha, e em tudo o que podia ter feito e nunca fez. É solteira, vive sozinha, aparenta ter cerca de cinquenta anos, e todos a tratam como uma avó, ou uma tia em muitos graus, o que é simultaneamente simpático e constrangedor. No auge dos seus anos trinta, talvez gostasse de estar casada, de ter um ou dois filhos, de ter uma vida “normal” de mulher moderna, uma vida perfeitinha, de conto de fadas, como aquelas mulheres de negócios que se vêm nos filmes. Sim, é verdade que viver quase no interior não ajuda muito, e que muitos aspectos dessa vida não a agradam. Mas seria mais feliz, decerto, e sentiria que o curso natural do rio a tinha levado na direcção certa, na direcção que todas as raparigas procuram tomar quando entram na idade adulta. A vida que leva, porém, traz-lhe apenas dias alegres e monótonos, bons mas vulgares, faltando-lhe toda a magia de uma vida perdida.
Perdida igualmente nos seus pensamentos, só minutos depois se apercebe da presença do rapaz num dos assentos do balcão, com o olhar tristonho, pousado no galão que arrefece entre as suas mãos. É Diogo Esperança, jovem de dezassete anos e cliente assíduo do Café da Saudade. Ignora tudo à sua volta; o movimento, a televisão, a rádio e as pessoas parecem não existir para si, bem como o frio que provoca arrepios nas espinhas de todos os presentes. O rapaz só dá pela aproximação da mulher quando esta se senta mesmo à sua frente e lhe oferece um rebuçado.
- Diogo, estás bem? O que tens, rapaz? – pergunta D. Julieta, agarrando-lhe serenamente o braço direito e acariciando-lhe as mãos geladas.
O rapaz olha para ela, tentando esboçar um sorriso forçado, procurando dissipar o que quer que seja que o seu rosto mostre e que D. Julieta quer desvendar. Mas não o consegue, e apercebe-se da sua própria tentativa frustrada, voltando a fitar a mulher e ganhando coragem para falar.
- É a Susana Paixão… sabe, a minha colega que vem aqui tomar o pequeno-almoço todos os dias?
D. Julieta acena afirmativamente com a cabeça, várias vezes, esperando que o rapaz recomece a falar. Ao aperceber-se da sua hesitação, volta a questioná-lo, sempre de forma delicada.
- Mas o que se passa?
Diogo Esperança baixa repentinamente o olhar e volta a fitar o galão, que ainda está por beber.
- Eu… eu… - tenta recomeçar o rapaz, num murmúrio, como se a voz lhe faltasse. Finalmente, e mantendo o olhar baixo, murmura o que lhe aperta o coração. – Eu acho que estou apaixonado por ela.
A dona do café aguarda uns segundos, mas rapidamente começa a esboçar um dos seus largos sorrisos, obrigando o rapaz a olhar para si.
- E porque estás triste? – pergunta, tentando mostrar-lhe que o facto de estar apaixonado não deveria ser sinónimo de tristeza. O rapaz aquiesce.
- Não faço a mais pequena ideia se ela sente o mesmo por mim. – afirma, abatido, sentindo-se como uma formiga prestes a ser esmagada por uma multidão em fúria. No entanto, em lugar de baixar de novo o olhar, ganha a coragem suficiente para continuar a sua narrativa, acreditando que pode contar com D. Julieta para o ouvir até ao fim. – Conheço a Susana há menos de um ano, mas falamos praticamente todos os dias, temos imensas coisas em comum, e somos bons amigos… acho eu. Gosto dela assim de uma forma especial desde que nos conhecemos, não sei explicar bem como nem porquê, simplesmente gosto. Quero estar com ela a toda a hora, quero mais do que simplesmente acompanhá-la a casa e dar-lhe um beijo de despedida na cara. Mas não sei, não sei o que ela sente, não sei se sinto o que realmente sinto. E isso põe-me triste… o não saber, o desconhecer, o ignorar o que se passa do outro lado.
D. Julieta deixa cair os ombros e baixa o olhar, pensando na sua própria vida desperdiçada e revendo-se naquele jovem rapaz que, tal como ela, aparenta ter mais peso sobre as costas do que qualquer outra pessoa da sua idade. Mas uma revelação surge-lhe ao relembrar a idade de Diogo e tudo o que este não tem a perder.
- Diogo… – começa, pegando-lhe na mão aquecida pela chávena. – Porque não lhe perguntas? Porque não lhe dizes o que sentes e descobres a resposta dela? Não tens nada a perder… E se ela gostar de ti, serás a pessoa mais feliz do mundo…
O rapaz sorri, mas não leva a sério a proposta da conselheira e amiga.
- E se ela não gostar? – questiona, mostrando a sua inquietação em relação ao assunto. – Tenho medo que ela não corresponda… temo perder a sua amizade, que é o máximo que obtenho da sua parte, por agora. Não posso arriscar tudo, assim, sem mais nem menos…. Posso perdê-la para sempre. - faz uma pausa, sentando-se melhor no banco e apoiando-se no balcão. – Alguma vez se apaixonou, D. Julieta? Sabe o que é estar apaixonado?
D. Julieta baixa o olhar, resignando-se à resposta do rapaz e ainda mais à sua pergunta, que a abate por completo. Mas decide dar-lhe uma resposta sincera, falar com a alma:
- É quereres dar tudo o que não tens, é sentires que tens o mundo nas mãos e não saberes o que fazer com ele. É gostares de alguém mais do que gostas de ti próprio e de qualquer outra pessoa… é quereres sentir tudo ao mesmo tempo, de todas as maneiras, e quereres viver a vida como se não houvesse amanhã. É quereres ser correspondido, quereres ser amado, mas ainda assim importar mais o que dás do que o que recebes. É ser feliz e sofrer, é ganhar e perder, é jogar e recuar… é ter tudo e não ter nada.
Diogo engole em seco, compreendendo os seus sentimentos em relação a Susana. Ao mesmo tempo, apercebe-se de que atingiu a fraqueza de D. Julieta, a sua maior fragilidade, e que esta já amou alguém, no passado, embora não seja algo que goste de recordar. No entanto, não deixa de insistir.
- Conte-me acerca do seu Romeu… porque não está ele aqui consigo?
A mulher sente o olhar a fixar-se num longínquo ponto da parede, como se fosse a coisa mais importante naquele momento, para si. O rapaz espetara-lhe uma enorme farpa no coração, talvez sem se aperceber, talvez procurando desvendar o seu ponto fraco. E apesar do medo que sente, do temor da recordação, D. Julieta não leva a mal a pergunta, acreditando que a resposta pode até ajudá-lo a perceber o que deve fazer de seguida. Assim, recuperando do transe momentâneo em que se sentira cair, endireita-se no banco e aproxima-se de Diogo para lhe contar a história da sua paixão, começando a falar após uma breve hesitação:
- Tinha sensivelmente a tua idade quando tudo aconteceu. Conheci o Romeu Coração naquele ano, e desde a primeira palavra que trocámos, desde o primeiro olhar, senti que havia algo especial entre nós. Depressa descobrimos gostos comuns e começámos a passar algum tempo juntos, como dois amigos inseparáveis. Conversávamos sobre mim, sobre ele, sobre as pessoas à nossa volta, sobre os projectos em que nos envolvíamos… Em suma, dávamo-nos bem. E eu tive sempre aquela paixão escondida por ele, aquela admiração que suplantava a amizade, por mais que me quisesse convencer de que tudo não passava de uma ilusão. E é como em tudo na vida… sempre que ele parecia gostar um pouco mais de mim, essa admiração crescia, bem como as minhas certezas em relação ao que sentia. No entanto, sempre que ele parecia menos atencioso, as dúvidas regressavam, e acabava por ficar pela amizade que me era concedida.
D. Julieta faz uma pausa, olhando para Diogo. Parece talvez surpreendido pela história, por tudo isto ter realmente acontecido àquela pequena e simpática senhora que parecia sempre a pessoa mais feliz do mundo, apesar de todos a saberem solteira e solitária sempre que o Café da Saudade chegava à hora do fecho. Não se deixando afectar pela aproximação à parte derradeira da história, a proprietária do café continua a sua narrativa:
- E foi sempre assim, durante os longos anos que fomos amigos, até um dia deixarmos de o ser, por força do destino, do tempo, da vida e de tudo o mais. Nunca lhe disse, nunca lhe declarei o meu amor nem mostrei o que sentia. E arrependo-me disso, do fundo do coração. É o meu maior arrependimento. Se lhe tivesse dito a verdade, será que ainda estaríamos juntos? Será que teria sido feliz para sempre? A verdade é que continuei a minha vida e não voltei a encontrar alguém como ele, o que me leva a pensar que era o “tal”, a pessoa com quem poderia ter passado o resto da minha vida. Mas nunca o saberei e, de qualquer das formas, já passou demasiado tempo para lamentos. O destino assim o decidiu, e aqui estou, apesar de nunca me ter perdoado por não ganhar coragem e contar-lhe o que sentia.
Diogo olha-a com ternura, sentindo o coração a palpitar, não sabe se o seu se o dela, já que as mãos estão unidas e procuram consolar-se mutuamente. Compreende a sua desolação, a sua frustração, a falta que lhe faz aquela figura que nunca conseguira esquecer, passados tantos anos, e que a marcara para a vida inteira. Quando D. Julieta se prepara para voltar a falar, o rapaz percebe que ainda lhe falta dizer o essencial, e volta a abstrair-se do movimento do café para lhe dar atenção.
- Perguntaste-me, e contei-te a verdade. Mas o que quero dizer com isto é: meu querido Diogo, tu tens dezassete anos e a vida inteira pela frente. Não tens nada a perder porque, se ela não sentir o mesmo por ti, e se a amizade entre vocês terminar, é porque ela não a merecia, e não te merecia a ti. Segues em frente, conheces novos amigos, conheces outras raparigas e vives a tua vida. Mas se ela disser que sente o mesmo… tens a possibilidade de a ter, de ser feliz com ela, nem que seja por uns meses, ou por uns anos apenas… Se não o fizeres, contudo, nunca saberás. Tu próprio disseste que odiavas a ignorância, o desconhecimento em relação ao que ela sente. E tens razão, isso é o mais doloroso. Se não te declarares, ela nunca saberá… tu próprio nunca saberás se ela sentia efectivamente algo por ti, se era a “tal” ou não. – após uma breve pausa para o olhar nos olhos, D. Julieta recupera o seu raciocínio. – Não cometas o mesmo erro que eu cometi, Diogo. Não faças algo ou, neste caso, não deixes de fazer algo de que te possas vir a lamentar durante a vida inteira. Arrisca, ganha coragem e vai falar com ela. Nenhum sofrimento supera a dor de não saber, de desperdiçar a única oportunidade que o destino te dá para ser feliz. Aproveita-a. Fá-lo por ti, e fá-lo por mim também... És novo, tens em ti todos os sonhos, toda a esperança do mundo. O meu tempo já passou, mas o teu está a acontecer agora. Não o deixes fugir, ouviste?
O rapaz sorri após o longo discurso de D. Julieta, acenando com a cabeça e mostrando-se confiante e decidido a ir ter com Susana e contar-lhe tudo. Para quê continuar a viver naquela tristeza constante, sem saber o que sentir ou o que pensar da amiga? Porque não confessar-lhe todo o seu amor? Ao mesmo tempo, a dona do café prepara-se para regressar ao trabalho e libertar Rosa de todos os serviços que deveria ter atendido enquanto Diogo a colara à conversa. Está contente, por o ter feito perceber, por o ter convencido a fazer algo que nunca conseguiu convencer o seu corpo e a sua mente a fazer. É verdade que ele não pode remediar o seu passado e dar-lhe o romance e a vida que nunca teve. Mas Julieta pode ter contribuído para a sua felicidade, para Diogo vir a ter o que nunca terá, e isso é satisfação suficiente para si.
Quando se levanta para recomeçar a trabalhar, observando os clientes que, uma vez mais, se juntavam no café para se abrigarem do frio e beberem um café bem quente, Diogo pega-lhe na mão e aproxima-se dela.
- D. Julieta… – chama, fazendo-a olhar sobre o ombro e voltar a aproximar-se do rapaz. – Talvez ainda não seja demasiado tarde para si. Talvez o seu Romeu ainda ande por aí à deriva, à procura do mesmo… Talvez o deva procurar e esclarecer as coisas… falar com ele, ver o que ele sente, ver o que a própria D. Julieta sente… - faz uma curta pausa. – A sua vida ainda não acabou… Talvez ainda haja esperança para si. Talvez não seja tarde demais.
A mulher olha-o com dúvida, mas sente um estranho impulso para dar atenção às suas palavras, como se parte da sua esperança estivesse a ser telepaticamente transmitida para a senhora Saudade. Porque não? Nunca se tinha questionado onde estaria ele hoje, mas calculara sempre que tivesse casado e vivido feliz para sempre. E se tal não tiver acontecido? Se ela ainda sentir aquela paixão desmedida por ele e o sentimento estar apenas magoado pela força do tempo? E se ele tiver sentido o mesmo por ela e ambos ainda vaguearem pelo mundo à espera de algo que nunca virá? É uma hipótese em mil, tem consciência disso. Mas não deixa de ser uma hipótese.
Diogo sorri ao ver que D. Julieta está a ponderar as suas palavras. Beija-a no rosto e sussurra-lhe um suave “obrigado”, pagando o galão e abandonando o Café da Saudade naquela tarde invernosa. D. Julieta pega na chávena vazia em cima do balcão e leva-a para o lava-louças, mas não consegue deixar de pensar no que Diogo lhe disse e na esperança que as suas palavras que tinham dado. Talvez seja demasiado cedo para declarar a sua vida perdida… talvez possa recomeçar de novo. A questão assola-lhe constantemente a cabeça: porque não? Então, num impulso repentino, desaperta o avental e dirige-se a Rosa.
- Desculpa, Rosinha, mas achas que consegues tomar conta do café durante o resto da tarde? Prometo voltar antes do fecho, mas… tenho de sair neste preciso momento.
A empregada aquiesce, surpreendida com a atitude da patroa, e vê-a sair pela porta acastanhada enquanto toma as rédeas do estabelecimento sozinha. Nesse preciso momento, Julieta ignora os clientes que entram à procura do seu sorriso, ignora o frio e o vento que se fazem sentir, ignora todos os obstáculos e todas as consequências que provavelmente enfrentará dali para a frente. Embebida de uma enorme força de vontade de mudar o destino que lhe está reservado, abandona o café e deixa para trás toda a mágoa de uma vida passada que não soube aproveitar e que espera conseguir alterar agora, através da única réstia de fé que ainda possui. Neste momento, sente-se de novo com dezassete anos e com toda uma vida pela frente. Neste momento, Julieta Saudade transforma-se em Julieta Esperança. E volta a ter em si todos os sonhos do mundo.

3 comentários:

Inês Brito disse...

Este texto está muito para além do inefável. Que lindo, Raquel :')

Bj,
(i)

Miguel Pires Prôa disse...

Gosto! Grande tema, grandes verdades, boa escrita. Só acho que os nomes são um bocado forçados (ok, eu percebo que é de propósito, mas mesmo assim...). E acho q a tua D. Julieta tem mesmo os 50 anos q aparenta: 35 é muito nova para achar q o tempo dela já passou!!! É uma grande personagem, fico curioso por saber o que lhe vai acontecer a seguir!
Vou dar-te uma sugestão: não ponhas o Diogo a sussurrar ao ouvido da D. Julieta, especialmente se ela tiver 35 anos...
E vou ser pedante: um galão vem num copo alto e não em chávena, se vem em chávena chama-se meia-de-leite.

Bjs,

Miguel

Raquel Silva disse...

Obrigada pelo teu comentário, Miguel :) Estava a precisar dos teus conselhos / críticas! LOL.

Beijinhos*