sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Queda

Um rapaz de seis anos pega num bocado de maçã e prepara-se para andar de bicicleta. Ignorando a sua tarefa de comer a fruta, senta-se no selim e começa a pedalar, sentindo o ar no rosto e seguindo o percurso estabelecido pelo cimento da estrada. Sente-se um super-herói, forte, imbatível, imortal, conseguindo inclusive andar de bicicleta com apenas uma mão no guiador, encontrando-se a outra a segurar o pedaço de maçã que, de vez em quando, leva à boca para trincar.

De repente, a queda.
A bicicleta caída e o corpo contra o chão.
O joelho esfolado,
o sangue a escorrer perna abaixo,
o choro inevitável.
Dias e meses de betadin e dores.
Cicatriz para o resto da vida.
Heroísmo falhado.


Quando somos crianças, regularmente sentimos este espírito vencedor, este heroísmo, esta inocência, inconsciência até, que nos leva a tomar decisões erradas, a efectuar comportamentos quase absurdos, a cair e sujar e esfolar e a errar quase constantemente, por instinto, por carolice, por essa mesma inconsciência. Mas lá está, somos crianças. É suposto errarmos, e aprendermos com esses erros. É suposto sentirmos este ímpeto de heroísmo, porque afinal de contas somos seres, mas ainda estamos na frase de nos construirmos como humanos, ainda temos a sensação de que somos os donos do mundo, mas não passamos de simples pirralhos que andam por aqui à deriva e à procura de tudo e de nada.

Quando crescemos, porém, as coisas mudam. Não somos mais inconscientes, inocentes, imaturos. Não somos mais crianças que caem e se esfolam e erram constantemente, não somos mais heróis do nosso mundo, super-heróis invencíveis, imunes contra todos os perigos do universo. Pelo contrário. Somos adultos, racionais, humanos, conscientes; amamos, sofremos, sentimos com o coração e com a razão, tudo ao mesmo tempo, numa roda-viva, em catadupa, como se o amanhã não existisse. Mas existe, e há responsabilidades. E a inconsciência da qual nos gabávamos enquanto crianças, evaporou-se.

Dela resta apenas a pequena cicatriz no joelho.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

regresso à primária

R: Ele é giro, já sei…

A: Eu não disse que era.

R: Disseste sim.

A: Não.

R: Sim.

A: Não.

R: Sim.

A: Infinitas vezes não. Pronto, ganhei.

R: Parecemos duas miúdas da primária…

(horas antes de irmos visitar uma escola primária)

domingo, 25 de outubro de 2009

non, je ne regrette rien

Apetece-me citar a Piaf e dizer
Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.

Não me arrependo de nada.


Não importa se faz sofrer, se por vezes apetece chorar, se custa superar a saudade.
É melhor do que não ter nada por que sofrer.
É melhor do que não ter arriscado e ter perdido todos os bons momentos.

Estou feliz, apesar de triste, apesar da saudade e da distância.
Estou feliz por tudo o resto.

Não me arrependo de nada.

Farra e afins

X: Pensei que viesses, és uma mulher da farra!

Y: Ahah.. não vou, o Z é que vai...

X: Oh, mas o Z é doido!

Conversas mocheiras com alguém sobre tudo e todos. Do melhor.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Hibridismo

Afinal só pensamos claramente se pudermos sentir. Quem diria.

Ainda há dias disse o contrário. Separar as emoções do pensamento, afirmei. Nunca podemos agir racionalmente quando temos as emoções à mistura, referi. Não podemos agir de cabeça quente, ou as coisas correrão mal, reafirmei.

Epá, cometi o mesmo erro que aquele tipo meio estranho que dava pelo nome de déscartes, e que era (um bocadinho) mais louco do que eu. Afinal não fui a única. Mas ainda assim, fiquei estupefacta.

Afinal, a nossa inteligência, e o nosso pensamento concreto, estão relacionados com as nossas emoções, com a nossa capacidade de sentir. Ao menos temos um senhor cientista português (atenção, português!) que “enterrou” o outro senhor francês e explicou esta coisa toda. Agora sim, sabemos a verdade. E a verdade é esta: só somos capazes de tomar decisões em relação à nossa vida, de pensar, de agir racionalmente, se sentirmos, se nos emocionarmos, se transmitirmos alguma emoção em tudo o que fazemos.

Isto deita abaixo as minhas teorias todas, pá. Mas ao mesmo tempo traz-me um contentamento especial, porque somos humanos, pensamos e sentimos, e raramente conseguimos dissociar uma capacidade da outra. Assim sendo, não temos desculpa, mas também não temos que nos preocupar em afastá-las. Elas não existem uma sem a outra.

E a esta hora, está a Rosinha toda contente, a dizer que a psicologia é uma ciência muito híbrida, que já sabia disto tudo e mo podia ter dito há mais tempo. Ahah :)

P.S. – Elliot lê-se Elliô? –‘ a burra que tem a mania que é psicóloga e filósofa bem podia ir dar uma curva, mas não vai, que pena. Eu e a A. só nos rimos. Ou não. Às vezes só dá para chorar. Abençoada psicologia híbrida, que é atractiva e cativante anyway! E bastante!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vícios

Viciada em muitas coisinhas.

Primeiro, em vocês todos. Porque me fazem companhia quando mais preciso, me ligam quando mais quero falar ou ouvir, me abraçam virtualmente quando mais quero voltar a sentir-vos perto. E discussões malucas à parte, o amor é uma coisa linda, e não é virtual. Just for the record :)

Depois, em I belong to you. Porque é uma música assim.. linda... e muito ao estilo Queen, adoro! E porque não sou de ninguém, essencialmente, mas sou de todo o mundo. Como dizia o Fernandinho (e perdoem-me, mas eu gosto do homem... apesar de toda a sua loucura, era um génio!), eu não sou nada, serei sempre nada, não posso querer ser alguma coisa, mas tenho em mim todos os sonhos do mundo. Enfim, apeteceu-me citar o homem. É fofo.

E por fim, no tumblr, aquela coisa fofinha que me parece o twitter mas sem ser micro(blogging). É uma espécie de blog para coisas piquenas e giras, dá para pôr fotos e vídeos, inserir música e textos. Gosto bastante, e vou pondo lá umas coisinhas. Mais um vício.

E é isso. Agora são estes vícios que vão deixando sair da rotina, espairecer do trabalho e do cansaço, lembrar os bons momentos. Ainda bem que eles existem!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

o inglês é fofo

Se disser
O inglês é fofo
pode ter duas interpretações. Com uma delas concordo eu, com outra delas concorda a A. Right? Depende de quem ou do que é o sujeito da frasesinha. Ah pois.

Embora eu possa vir a concordar com ambas (se vier a conhecer o inglês, o que é bem possível, devido à minha curiusidade aguçadíssima), a A. nunca virá a concordar totalmente com a minha dupla interpretação, mas pronto, ao menos fico feliz porque posso dizer
o inglês é fofo
sem qualquer problema de interpretação. Ah pois. E isto tudo é muito fofo.

A propósito deste inglês fofo (pick your interpretation!), a frase fofa da A.:

Se tu soubesses o quão bonito ele é, por ele ias até ao equador, a linha que separa o mundo, mas que não pode separar o amor.

Não foi outra frase fofinha? Foi sim. E
caminhar nas planícies nubladas do céu
também é muito fofo.

É só isto que tenho a dizer. That's it.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

#TertúliaInOporto !

Sinto-me tão feliz :) E ao mesmo tempo, tão triste :( Sinestesia!

Mas foi um excelente dia. Daqueles mesmo... bédafofos. Adorei, e adoro-vos. Do fundo do coração *.*

Foi bom andar a pé da estação até ao restaurante, ver a francesinha do Fábio toda desfeita (e ajudar a desfazê-la com o garfo…), escrever uma espécie de dedicatórias em cadernos, receber um guardanapo a dizer “Estou aqui Raquel” (que guardei religisamente *:*), falar e rir alto, afastando as pessoas do restaurante e recebendo olhares sinistros dos empregados, dar passou-bens fofos ao Diogo e ao Fábio, conversar com o Mário Soares (uhuh LOL!)…

Ouvi o Diogo a tentar cantar Papparazzi para mim, embora não tenha resultado muito bem. Relembrei o “soxinhos” com o Fábio. Cantámos o “Fainaway”, tocámos guitarra e fizemos um estardalhaço no meio das ruas do Porto. Não cantámos alto e bom som a música da tertúlia, mas todos tínhamos a sensação de que seria um bom dia, uma boa tarde… e foi.

O palácio de cristal não tem nada de cristal, para quem não sabe. Tem é uns jardins muito fofos. Muito mesmo. E com coelhinhos. O coelho fofinho que nos apareceu e que seguimos (sobretudo o Manuel e o Diogo, malucos a tirar-lhe fotos :P), é a nova mascote da tertúlia (substituirá o Diogo!)… pena ter fugido! Fizemos “eu amo você” e “tens casa de banho” (don’t ask…), coitado do Boinas! Pedimos-lhe desculpa, fomos queridos…

Fotos, muitas fotos. E estranhas! Aquele coiso dos bombeiros, com a ventoinha… não me inspirou muita confiança. Mas lá nos sentámos e pusemos em pé… enfim, aguentou, e parece que demos em trepadores. E começou a chover. O sol radiante deu lugar às nuvens e à chuvinha. Soube bem, até!

Telefonámos ao Ricardo, o querido Ricardo que esteve quase para fugir de casa, mas não pode mesmo ir ter connosco. Esteve lá na mesma, no coração *.* E a questão das vozes… god. Idolatram a minha voz! E cobiçam o meu amor… o Tiago, o Diogo, às vezes o Fábio… \medo. Eu gosto de todas as vozes, e gosto de todos! :)

Subir as encostas, tipo São Francisco (não é Vitória?), não é para todos… muito menos com all stars. Ah pois, os meus ténis fofos - sapatilhas, pois… as minhas sapatilhas fofas xD. Minhas, do Diogo e do Tiago, todas diferentes e giras! Gostei dos cartazes com bolas vermelhas no nariz, da Diana Krall gigante e das fotos pelo buraquinho… e aquele moche matou-me! Nunca senti tanta gente em cima de mim LOL! Mas também nunca me ri tanto na minha vida xD

O Tiago disse algo que me emocionou e que me fez concordar plenamente com ele… “ó pá, vocês são os MAIORES, hoje parecia que éramos amigos desde de sempre… LINDO. Quero estar todos os dias com vocês, todas as semanas!”. Eu também, mesmo… vocês fazem-me tão feliz, que nem tenho palavras! Lamechas ou ridículo que soe, são os melhores amigos que já tive, pá. Seriously. Obrigada pelo dia, pela companhia, pela amizade x)

P.S. – A tristeza é por vos ter deixado, por ter acabado (tudo o que é bom acaba…), por não estarem sempre aqui ao lado… abençoada tertúlia msneira! :)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Gravity.

Rapazes loiros, de olhos azuis, giros e ingleses. Haverá coisa mais perfeita?

Fins-de-semana muito ocupados (btw, dois dias para o mega encontro!) e algumas impossibilidades indesejadas.

Professoras algo parvas, que dizem "Concordas comigo? Eu também..." (???) e que nos olham de lado. Rimo-nos. A ciência híbrida que estuda os comportamentos... é uma comédia de aula.

Palavras com o som da cobra... tss tss, por exemplo through, thing, thin. Brad Pitt e roubo de isqueiros (fiquei estupefacta?!?), e mais rapazes ingleses giros. E que não sabem falar português, que é a melhor parte.

Funerais oferecidos. 90 dias para morrer. Fiquei chocada! Encavacada, como disse aquela senhora candidata na televisão (adorei a ironia! LOL)! É bizarro, macabro, tudo o que lhe queiram chamar. Mas teve uma piada desgraçada, e ainda terá (a).

Russos, comunistas, revolucionários. Tudo gente muito maluca e que não sabia o que fazia. Democracia rulezzz, digam o que disserem, e o que vivemos hoje é o melhor que alguma vez vivemos.

Problemas, troubles. E ignorâncias, para variaaaaaar. Ignorar é porreiro. Ou não. Mas é inevitável, às vezes, se queremos ultrapassar algo. Sandra Bullock, M. Se tem razão ou não, já não sei.

Só me apetece falar de coisas fofas, agora que já desabafei as parvoíces todas que tinha na ponta da língua. Sinto aqui (sort of..) a lágrima do T., ao canto do olho, sinto a fofura toda. With or without you, ppl... estão longe mas estão seeeempre perto, sempre aqui, comigo, e eu com eles *.*



Sentes a falta da gravidade? Eu sinto, frequentemente. Deixa de haver aquela força do interior da terra a puxar-me. Sinto-me leve, quase voo, e no momento seguinte caio, vou abaixo, desamparada. Gravity. Can't live without it.

*.*

Tiago diz:
está fantástico!

Raquel. diz:
oh, tu matas-me com elogios *.*

Tiago diz:
e tu raquel matas-me com tanta "fofisse"



Conversas MSNeiras :) Tu é que és o maior, Tiago!