quarta-feira, 29 de julho de 2009

This is your LIFE

A política portuguesa envolve muita politiquice, muitas acusações falsas, manipulação de factos e falsas críticas. Disse-o José Sócrates na blogconferência, o encontro que teve segunda-feira com os bloggers, e é verdade mais do que reconhecida no nosso país. Se é porque se faz, é porque se faz; se é porque não se faz, é porque não se faz. A insatisfação é constante, e a culpa é sempre de quem está no poder, de quem não age de acordo com os ideais daquele e do outro. É impossível agradar a todos. Satisfaçam-se com o que têm, ou lutem pelo que defendem. Mas não censurem, não critiquem apenas; tentem fazer melhor.

Este foi apenas um pequeno desabafo quanto às reacções registadas durante e após a blogconferência do Primeiro.Ministro em Lisboa, cuja transmissão em directo na Internet falhou, infelizmente, devido a um problema técnico. Antes de mais, quero voltar a agradecer a Jorge Seguro, Rui Grilo e Paulo Querido pela excelente iniciativa, que me deu a oportunidade inimaginável e impagável de estar com José Sócrates, ser uma das vinte pessoas presentes na sala, como blogger, e questionar o Secretário-Geral do PS, ouvindo igualmente as suas respostas às restantes questões colocadas. Merecem todo o mérito pelo sucesso da sessão, que se prolongou por quatro horas. E durante esse tempo pudemos twittar, em directo, o que ia acontecendo e as nossas impressões. Fantástico.
Uma vez mais, falo nos nervos. Tenho um sistema nervoso que dá cabo de mim, fisicamente. Tinha a pergunta preparada, preparei mentalmente a introdução, e apesar de estar literalmente a tremer, dedos das mãos, dentes, entre outras partes do corpo, falei pausadamente e não me engasguei muito. Correu bem. Suei, tremeliquei, mas passou e correu bem. E José Sócrates gostou da minha questão. E respondeu esclarecendo bem o assunto. E compensou os nervos.

Foi bom ouvir também as restantes questões e respostas, sabe sempre bem aprender coisas novas e exercitar a mente com argumentos e opiniões. O que me surpreendeu largamente foi a disponibilidade do Primeiro-Ministro, que se manteve firme, sentado no seu lugar, durante horas e horas, numa conversa aberta, livre, com os bloggers presentes. E todos estávamos a apreciar os momentos passados. Quer dizer, nem todos. Mas a maioria. Foi agradável reencontrar a Ana Martins, uma pessoa preocupada com o mundo que nos rodeia, Paulo Querido, que é um modelo a seguir como jornalista, e o deputado Jorge Seguro, que uma vez mais mostrou ser uma excelente pessoa, humilde e inovadora. Foi também um prazer enorme conhecer Tito de Morais, com quem tive oportunidade de falar, e alguns dos bloggers inscritos para a blogconferência.
Uma palavra especial para Luís Brandão Pereira, conhecido do twitter que me deu um enorme prazer conhecer pessoalmente naquele dia. Enquanto conferenciava com José Sócrates, foi ele que transmitiu em directo, no twitter, as ideias expostas, e os antes e depois da minha intervenção foram também passados na sua companhia twitteira. Depois de tantas conversas sobre gostos musicais, almoços oferecidos e followers (ele sabe do que falo…), no final da conferência acabámos por nos encontrar, finalmente, e conversar um pouco. Obrigada pela simpatia, pela porreirice, pela companhia. E não, não são só elogios… isto ainda são os efeitos do fato e gravata e de tudo o resto… ahaha. Mas quero o almoço prometido. Ou jantar, tanto faz. Ou uma coca-cola! De qualquer forma, aqui fica a referência prometida. Ele merece-a.

Foi um dia verdadeiramente grande. E bom. Sabe bem começar a carreira, se assim o podemos dizer, tão cedo… tenho 17 anos, e as portas que o twitter me tem aberto são impossíveis de compensar. Esta foi mais uma delas. E este jornalismo cara-a-cara, apesar de exigir muito mais integridade e força, e de me pôr os nervos em popa, é maravilhoso de saborear. Falta-me a formação, a idade, a independência e a experiência, mas tudo isso se ganha com o tempo. E estas oportunidades são uma ajuda irrecusável, que agradeço com todo o coração.

domingo, 19 de julho de 2009

Nuvem de palavrinhas


O que o www.wordle.net fez ao meu blog.. :D

sábado, 18 de julho de 2009

Special One

Há pessoas que nos marcam profundamente, por estarem presentes nos momentos mais importantes, por nos ensinarem a encarar a vida, por nos serem fiéis e apoiarem sempre. O meu avô é uma dessas pessoas, talvez a única na minha vida. Desde pequena que me identifico com ele, com a pessoa que é, muito possivelmente pela partilha de gostos e pela maneira de ser. Se saí a alguém na minha família, foi decerto ao meu avô. Ou então apreendi conhecimentos e gostos durante o crescimento a seu lado, e tornei-me alguém que vê a vida de forma semelhante à dele. Seja como for, não há ninguém que me tenha marcado mais ao longo destas quase duas décadas de vida. É a verdade das verdades.

As recordações são imensas, incontáveis, desde os primeiros anos de vida até hoje. Era eu uma simples criança, e durante anos e anos fui levada pela mão daquele senhor já algo velhote, com a boina na cabeça, todos os dias, da escola para casa. Esta é a imagem que tenho do meu avô, desde sempre… o senhor da boina às riscas, ou aos quadrados, sempre sorridente e simpático para toda a gente. E até há muito pouco tempo, o caminho da escola para casa era feito a seu lado, independentemente da escola e independentemente do caminho percorrido. Eu e o senhor da boina, lado a lado.

Recordo a ajuda que me dava com as coisas da escola, ainda que, com o tempo, começasse a preferir ser deixada sozinha a estudar calmamente. Ainda antes da primeira classe, ensinou-me as primeiras letras, iniciou-me na aprendizagem da leitura, e durante todo o primeiro ciclo insistiu com ditados para me ensinar a escrever correctamente e sem erros ortográficos. E conseguiu. Hoje em dia, sou a escritora que sou graças à sua persistência nos meus erros, graças a tudo o que me ensinou. O meu desejo de escrever e o meu próprio talento, herdei-os dele, do seu gosto pela escrita desde que se conhece, da sua habilidade para a escrita, para as histórias, para a poesia.

O gosto pela história, pelo conhecimento, pelo mundo, pela informação, foram-me também transmitidos e ensinados por ele. O meu próprio sonho de ser jornalista deriva dessa personalidade que me ajudou a construir. Ainda hoje conversamos horas e horas sobre a actualidade, ou um tema especial que gostemos, e partilhamos opiniões e ideias. Um dos meus passatempos favoritos é ouvir as histórias que tem para contar, sobretudo sobre o passado e o que viveu antes de eu ser nascida. É algo que me fascina profundamente.

Enquanto pequena, havia um jogo muito engraçado que fazia com o meu avô. Hoje considero-o ridículo, totalmente infantil, mas divertia-me imenso com ele sempre que o fazíamos. Era algo a que chamávamos a máquina das cócegas, ou algo semelhante. Eu sentava-me ao colo dele, no sofá, e de repente ele começava a fazer-me cócegas. Eu ria que nem uma perdida, até não aguentar mais os soluços e sair dali quase sem fôlego. É uma memória da minha infância.

Outro pormenor característico do meu avô é o gosto pela leitura, que também me transmitiu. Passava horas e horas agarrado a livros antigos, a relembrar histórias, e tentava sempre captar o meu interesse para a leitura. Hoje ainda o faz, sobretudo relendo livros pela terceira e quarta vez, mas dedica-se mais às palavras cruzadas diárias enquanto toma o cafezinho. Outro dos seus gostos, derivado do conhecimento: as palavras-cruzadas. Foi algo que nunca me fascinou muito, mas quando ele se entretém de roda das pistas, gosto de tentar a minha sorte e adivinhar as palavras que faltam.

A verdade é que, hoje em dia, as memórias não passam de memórias, e apesar de algumas coisas subsistirem, outras mudaram. Eu mudei. Ele mudou. À medida que ambos fomos crescendo, fomos também sendo ligeiramente separados, os nossos gostos alterados, e todas as recordações fazem parte do passado. É certo que continuamos a conversar regularmente sobre os temas que nos interessam, e isso é o mais importante. Não temos a relação de antigamente, mas continuo a admitir que temos muito em comum e que não seria ninguém sem ele. Talvez o possa admitir hoje, mais do que nunca, porque estou a construir a minha personalidade, pouco a pouco, e a sentir na pele a influência que a presença dele teve em quem sou e em quem me tornei.

Não sei que mais dizer. É uma pessoa importante para mim, que me marcou e continua a marcar diariamente. Tenho pena que a idade e a inércia o estejam a consumir lentamente, e a afastar da pessoa que tanto gostava de se divertir e de fazer o que mais lhe aprazia. Mas espero conseguir inverter essa tendência. Aqui, tento relembrar a pessoa que é e que me inspirou durante estes anos todos. Merece-o.

domingo, 5 de julho de 2009

VERTIGENS

É importante compreender que existem diversos tipos de jornalismo, e que para além do jornalismo online e da imprensa escrita, há um imenso mundo de aprendizagem e curiosidade a descobrir. Há sempre um receio generalizado de experimentar coisas novas, conhecer novas técnicas e diversificar a prática, apesar de ser fundamental fazê-lo, sobretudo se se pretender ser um bom jornalista. No entanto, um amigo disse-me, há pouco tempo, que se quero realmente ser jornalista, e se vou lutar por isso, não devo ter receio de aceitar qualquer trabalho, seja ele de que natureza for, que me possa aproximar desse objectivo. E assim, impelida por este desejo enorme de aceitar um desafio e praticar o verdadeiro jornalismo, lancei-me de cabeça para um projecto imediato: a estreia na rádio.

Inicialmente, a ideia era fazer uma gravação, uma espécie de reportagem, sobre o encontro de twitters na Assembleia da República e o debate do Estado da Nação, que aconteceria no mesmo dia. Mais tarde, ou como quem diz, no dia anterior ao acontecimento, a ideia evoluiu para um directo (sim, uma estreia em directo, na rádio) no rescaldo do debate no Parlamento. E, apesar do nervosismo que me envolveu de imediato… não fui de modas. Aceitei o desafio. Aceitei entrar em directo na rádio, sem qualquer texto para me guiar, e ainda por cima num tema que não domino: a política.

Para esclarecer como surgiu o convite para a rádio, já que isto parece uma situação muito fora do normal: para mim, o twitter tem funcionado como uma plataforma de conhecimento, de pessoas, de situações, mas também de lançamento ao nível profissional, ou semi-profissional, se preferirmos. Quando lá estou, para além de ver frases, imagens, interesses, vejo pessoas, porque por detrás de cada conta, ou perfil, existe alguém que procura no twitter uma janela aberta para o mundo. E é exactamente isso que ele significa: uma janela aberta, um outro mundo, complementar ao mundo real. Através dele conheci, entre muitas outras pessoas, o Pedro, com quem partilho, para além de uma idade muito próxima, praticamente todos os interesses, a nível pessoal e profissional. Através do Twitter, ganhei um amigo e um colega de trabalho. Não podia pedir mais.

Ora, o Pedro trabalha numa rádio local de Oliveira do Hospital, terrinha do interior português, perto da Guarda, ainda no distrito de Coimbra – a Rádio Boa Nova que, em Lisboa, apenas pode ser ouvida em emissão online. Faz rádio há cinco anos, nasceu na rádio e para a rádio, e nas férias trabalha diariamente, a pôr músicas e nos noticiários locais e regionais. O convite para experimentar a rádio veio dele. Porque não entrar em directo naquele dia de debate e de encontro de twitters na Assembleia da República? Pois bem, o desafio foi aceite.

No próprio dia do acontecimento, o nervosismo não podia ser maior. Posso até garantir que a estreia na rádio era o que me punha mais nervosa: encontrei-me com todas aquelas pessoas desconhecidas, conheci deputados… apertei a mão ao nosso Primeiro-Ministro, José Sócrates! E não senti absolutamente nervosismo nenhum. Só quando chegou a hora de entrar em directo comecei, de novo, a desesperar. Em relação ao encontro, em si, foi uma iniciativa fantástica do deputado Jorge Seguro, que se revelou também uma pessoa muito acessível, simpática, prestável e humilde. Pudemos entrar nas galerias do Parlamento com os computadores e twittar durante todo o debate, participando num evento histórico, fazendo parte da história. E essa sensação é maravilhosa.

Quando chegaram as seis horas da tarde, abandonei a galeria e dirigi-me para o extenso corredor que rodeia a sala das sessões, com os nervos em popa. Aguardei pelo telefonema do Pedro, impaciente, com as mãos suadas, mas ainda assim mais tranquila do que quando estava nas galerias a contar as horas para o momento derradeiro. «Três minutos», recebi por SMS no telemóvel. Respirei fundo, tranquilizei-me. Os senhores polícias que andavam de um lado para o outro do corredor, a olhar para mim, não foram propriamente tranquilizadores, mas procurei ignorá-los. E o telefone tocou. «Nervosa?»; «Não, já estou melhor»; «Sim, nota-se». O Pedro tentou também acalmar-me, explicando como ia funcionar tudo: depois dos comerciais, o noticiário iria começar, eu ouviria a voz dele, e quando me introduzisse e fizesse perguntas, eu entraria em directo. E assim foi.

O nervosismo, associado à inexperiência, é tramado. Comecei a falar sobre o debate, sobre as várias bancadas, e a tentar responder às perguntas do Pedro. Engasguei-me quando falou no Paulo Portas, perdi-me no meio dos papéis onde tinha escrito os tópicos. Disse «Ahh», «pronto», «e é isso», completamente fora do espírito da rádio. Senti-me mais à vontade quando falei sobre o encontro, sobre o que tinha acontecido, e essa parte correu melhor. Repórter especial da Boa Nova em directo da Assembleia da República. Para primeira vez, não correu mal, de todo. O próprio Pedro mo disse, quando terminou o noticiário e voltou a pegar no telefone. «Estás aprovada», foram as palavras dele. «Foi precisa muita coragem para fazer isto, e tu conseguiste. Agora consegues fazer tudo». E eu assenti. E memorizei aquelas palavras na minha cabeça. Consegui. Foi difícil, mas consegui.

Não tínhamos combinado praticamente nada, mas todas as pessoas que nos ouviram àquela hora referiram a grande coordenação entre nós, a conversa de se desenrolou de forma muito natural. Ainda bem que assim foi. Passámos para o estúdio de gravação, onde repeti algumas das coisas que já tinha dito e voltei a falar do debate, respondendo a perguntas do Pedro. Já não tinha o nervosismo do directo, e enganei-me diversas vezes, mas a edição dele tratou de juntar os bocados bons e eliminar os maus. Para além de ter sido a minha primeira vez na rádio, foi também a primeira vez que, profissionalmente, perdi um exclusivo. O conhecido gesto do Ministro da Economia tinha já ocorrido quando entrei em directo, mas o olhar atento dos polícias ao meu tom de voz elevado e todo o clima de nervosismo fizeram-me esquecer o pormenor. Mais tarde, como todos sabemos, o Ministro apresentou a demissão, e eu perdi a oportunidade de referir o pormenor minutos depois da sua ocorrência. Mas não pensei muito nisso. Estreei-me na rádio, em directo. Custa-me parar de o dizer. E isso foi o mais importante.

É uma sensação agradável, sentir que podemos experimentar e ter sucesso numa outra plataforma jornalística que não os jornais ou as revistas online. É bom podermos diversificar conhecimentos e praticar jornalismo de forma diferente, utilizando outros meios, neste caso específico abdicando dos recursos escritos e visuais, e valorizando a voz, a dicção, a pontuação e o texto radiofónico. O jornalismo é tudo isto. Depois da estreia, posso afirmar com segurança que quero praticar mais, tentar melhorar, e que não me arrependo de ter aceite o convite e ultrapassado todo o nervosismo para o conseguir realizar. E tenho de agradecer, em especial, ao Pedro, por o ter permitido e ajudado a fazer.