terça-feira, 10 de março de 2009

Rotina

Rotina. Queremos arranjar uma, talvez para não sentirmos necessidade de improvisar, diariamente, o que teremos de fazer, ou talvez para evitarmos o atrapalhamento de tarefas. Quando a temos e vivemos, queremos abandoná-la a todo o custo, arranjar uma nova, fugir, inovar, improvisar de novo, pois ela sufoca-nos e come-nos vivos. Precisamos de respirar, e a rotina corta-nos o fôlego. Precisamos de viver, e ela prende-nos numa vida que podemos ter escolhido, mas que agora desejamos nunca ter determinado. Precisamos de sobreviver, e a rotina da rotina torna essa tarefa praticamente impossível. Temos de fugir à rotina, o mais possível, tentar introduzir no quotidiano inovações, que possam ajudar-nos a sobreviver num mundo em que tudo tem horários, tudo tem prazos de cumprimento, tudo tem agendamentos. Precisamos urgentemente de aprender a improvisar, nas nossas vidas e nas dos outros, para não cairmos na desgraça. Ou torna-se um ciclo vicioso que estamos condenados a repetir até ao fim dos nossos dias, um círculo do qual é impossível sair. Precisamos de uma mudança no mundo. E quando ela vem, por vezes, por menor que seja, e a rotina é quebrada, por momentos que seja… sentimo-nos de tal forma surpreendidos com a fuga ao que está estipulado no destino que imaginámos, que não sabemos muito bem como reagir. E tem sempre um saborzinho especial, a mais pequena mudança, mil vezes maior do que se estivéssemos à sua espera. Podemos viver numa rotina, mas temos de saber quebrá-la, de quando em vez, surpreendendo-nos a nós próprios e aos outros, mudando o mundo a cada ínfimo toque que lhe damos. Por mais insignificante que seja.

5 comentários:

Carlos disse...

Olá Raquel!:)
Mais uma vez surpreendes com um bom tema, especialmente este, que nos afecta practicamente a todos. É realmente impressionante a necessidade extrema que o ser humano tem de se prender à rotina e de planear cada passo que dá no seu dia-a-dia. Infelizmente essa obsessão pela rotina, pelo controle sobre tudo aquilo que fazemos, priva-nos daquilo que a vida tem de melhor, não nos permitindo ter aquelas pequenas , mas tão agradáveis surpresas que por vezes a vida nos reserva.
Tomara que a mudança de que falas surja depressa, para que finalmente a Humanidade possa parar de correr ao ritmo do relógio, respirar fundo e finalmente conseguir apreciar tudo o que a vida tem para oferecer.
Mais uma vez, bom post. Espero ansiosamente pelo próximo. :) Bjs

Raquel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raquel disse...

Carlos,
No teu blog, o comentário que está lá é meu, mas estava com outro utilizador, e à segunda vez também. Enfim, uma confusão. Obrigada pelo teu comentário :)
Beijinhos

Miguel Pires Prôa disse...

Hello!

A rotina é só mais um artefacto do mundo real com o qual nós temos de lidar... Eu uso-a como método (não confundir com filosofia) de vida: gosto de ter uma rotina nas coisas práticas, vertir-me, comer, apanhar o metro, pequenos hábitos diários que, uma vez tornados rotina, faço sem pensar neles. E este tempo precioso que eu não gasto a pensar em coisas práticas, gasto-o a pensar em noutras realidades (sonhar, fugir)...

Preciso deste tempo.

Não me custa nada fugir à rotina; custa-me mt mais não a seguir e ser obrigado a pensar em coisas idiotas, pequenas e simplesmente necessárias! São os períodos de mudança aqueles onde produzo menos e em que sou menos criativo...

Enfim...

Já estou a divagar demais, lol.

Bjs.

Raquel disse...

Miguel,
O teu ponto de vista é completamente verdadeiro. Precisamos da rotina, para não termos de pensar nas coisas mais simples que temos de fazer. Mas não sentes, às vezes, que estás ficar refém da rotina, que precisas de escapar dela, nem que seja por uns momentos?
Continua a divagar demais!! Obrigada pelo teu comentário.
Beijinhos