sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dia de anos. 17. Yupi.

Por que raio quis vir ao mundo mais cedo do que era previsto? Era sexta-feira, dia 28 de Fevereiro de 1992. Faltava cerca de um mês para o parto, que se esperava natural. Mas a criança que habitava na barriga da futura mãe decidiu entrar mais cedo neste mundo. Talvez cansada da posição desconfortável dentro do leito materno, com dificuldades para dar a volta e ficar com cabeça pronta para sair, a rapariga começou a dar fortes pontapés que obrigaram a mulher grávida a correr para o hospital, na manhã daquele dia. Que vontade que tinha de nascer! E os médicos obedeceram a essa vontade. Cuidadosamente, de parto normal, a criança foi retirada da barriga da mãe, de onde saía de rabo para o exterior, e começou a chorar nos seus dois quilos e duzentas gramas, cerca das dez horas e um quarto.
A recuperação da prematuridade aconteceu nas semanas seguintes, com algumas dificuldades devido ao baixo peso e à fraqueza, mas com um final feliz. Aqui estou eu, e desse dia guardo apenas o primeiro choro, a primeira respiração, o primeiro contacto com o mundo exterior. Mas porque quis chegar aqui mais cedo, viver mais um mês do que era suposto? O que imaginava que seria a vida, para querer assim tanto nascer, viver e morrer? Incompreensível. Vivo há 17 anos neste mundo, e ainda não compreendo o que me fez querer instalar-me nele prematuramente. Nestas três etapas da vida, apenas crescemos e sofremos. Há quem diga até que viver é sofrer. Então, porque queremos assim tanto viver e evitar a morte?

Outra questão, agora mais generalizada: Porquê o entusiasmo, a alegria de comemorar os aniversários? É só um dia, como todos os outros. É apenas uma efeméride. Porque hão-de lhe atribuir um maior significado? Fazer anos não significa mais do que crescermos, todos os anos ficarmos mais maduros, envelhecermos. Faz parte da vida e dos seus patamares: nascer, viver, morrer. O nascer não recordamos, está bastante turvo na memória, tal como o morrer, que desconhecemos e tememos diariamente. Mas o viver… esse está sempre presente, sempre a chamar-nos para a realidade, sempre a chamar-nos a atenção para o crescimento e para as responsabilidades que dele advêm. O dia de anos, o próprio dia em que nascemos, há anos atrás, não significa mais do que um acontecimento, o nascimento, o primeiro choro, o primeiro ar respirado, o primeiro contacto com o mundo exterior ao proteccionismo materno. Para quê comemorar esse dia, qual o objectivo?
A cada ano que passa, sentimo-nos mais velhos, mais maduros, por vezes até mais sábios. Será essa sensação suficiente para nos fazer sentir a diferença de idades entre o último aniversário e o actual? Será que comemoramos os aniversários para termos essa sensação de crescimento mais demarcada? Crescer traz responsabilidade, traz independência. Neste ponto da vida, não importa querer fazer anos mais depressa, querer crescer rapidamente, mas sim ir subindo as escadas, ir escalando os patamares, até chegar a um nível mais agradável, aquele em que gostaríamos de ficar para sempre. Mas no ano seguinte já o teremos ultrapassado, e o número nada significa. Por isso talvez seja melhor olharmos para trás, para a infância, para a juventude. As pessoas mais velhas bem nos dizem ‘Não queiras crescer depressa, quando tiveres a minha idade vais querer ser mais nova’. É provável. Mas enquanto não atingirmos o patamar pretendido, vamos querer crescer, fazer anos todos os meses. Talvez a ansiedade pelo dia de anos provenha daí; mas não deixa de ser incompreensível. Não deixa de ser apenas um dia, como todos os outros, que regista a nossa entrada neste mundo. O que tem isso de especial? Porque gostamos de crescer até esse nível, porque não queremos ser crianças para sempre? Por outro lado, porque aproveitamos tão intensamente os anos de adolescência e não queremos assumir as responsabilidades do futuro?

17 anos. Não significa nada para mim. 18, talvez. É um grande passo para a responsabilidade: carta de condução, independência parental, cartão de eleitor, e uma série de outros direitos que a maioridade possibilita. Mas 17? É só um passo para atingir o número seguinte, e todos os outros. Há uns dias atrás, alguém me disse: ‘Aproveita, porque não vais ter 16 anos para sempre’. E eu respondi: ‘Eu sei, e ainda bem’. A verdade é que não gostava de ficar aqui, de parar no tempo aos 16, 17 anos. Talvez um pouco mais tarde, ou então na infância, que serão e foram tempos mais felizes. Mas agora? Ter esta vida, adolescência, para sempre, entre uma infância agradável e um futuro talvez agradável também? . Por enquanto, não me importo de crescer, pois voltar atrás no tempo não é uma hipótese viável. Mas continuo céptica quanto a aniversários. Fazer anos não representa a maturidade de uma pessoa; é apenas mais um dia, mais vinte e quatro horas que não registam qualquer mudança em relação às vinte e quatro horas anteriores. Ainda por mais quando se irá viver, sempre, mais um mês do que se devia…

2 comentários:

Carlos disse...

Olá outra vez!:D E já agora, parabéns pelo aniversário.
Também partilho da mesma falta de entusiasmo em comemorar os aniversários. Desde miudo que não sinto mesmo nenhum interesse em comemorar esses dias. Se calhar até dou mais importância aos aniversários dos outros, do que ao meu próprio.
Como tu tão bem dizes, não é mais do que um dia, mais 24 horas, mais um passo que nos leva ao final da longa caminhada a que chamamos vida (ok, esta soou um bobado mórbida, não achas? :P).
No entanto, aqueles que nos dizem para aproveitar a nossa juventude não estão propriamente errados. Às vezes, na nossa ânsia de crescer mais depressa do que devíamos, deixamos para trás algumas coisas importantes que nunca mais iremos recuperar.
Digo isto por experiência, visto que fui uma dessas pessoas que "cresceu antes do tempo", e practicamente não gozei na plenitude a minha infância e a minha adolescência, na ânsia de ser adulto e independente. Agora, aos 27 anos, vejo a bela asneira que fiz, pois vejo que desperdicei aqueles que podiam ter sido os anos mais felizes da minha vida, em que podia explorar tudo com a "paixão" e curiosidade típicas dessas idades, mas que preferi encarar com o cepticismo e espirito analítico tipico de um adulto. Como podes calcular, o resultado desta troca não foi nada famoso, pois tornou essa fase de descoberta em algo cinzento e enfadonho, assim como tudo o que se seguiu, até aos dias de hoje.
Fazer 18 anos parece bom antes de lá chegarmos, pois pensamos em tudo de bom que poderemos fazer, na liberdade que teremos, mas depois de lá chegarmos vemos que não é bem assim. Muitas vezes, por diversos obstáculos, damos por nós ainda mais condicionados do que quando éramos menores, pois somos legalmente adultos, mas ainda somos considerados demasiado novos para que as nossa opiniões sejam levadas a sério. Isso só acontece lá por volta dos nossos 23-24anos... se tivermos sorte.
Mais uma vez, peço-te desculpa pelo comentário tão alongado,mas torna-se difícil resistir à tentação de elaborar mais estes temas tão interessantes que continuas a colocar no teu blog.
Como o tempo já è curto, tenho que me despedir uma vez mais. Espero que te tenhas divertido no teu aniversário e que tenhas tido um dia agradável. E lembra-te, aproveita ao máximo estes anos, pois nunca mais os poderás viver outra vez. Bjs :)

Raquel disse...

Olá Carlos :)
Obrigada, pelos parabéns e pelo longo comentário. 'Longa caminhada a que chamamos vida', mórbida? Ná, pelo contrário, apenas realista!
Dizes que não gozaste totalmente a tua infÂncia e adolescência, e que te arrependeste disso, mas não foi por não quereres, foi por seres como eras, e não podia ter sido de outra forma... ou podia? às vezes é impossível mudarmos quem somos...
Acabei por ter um dia relativamente agradável, nos meus anos, com algumas pessoas que me fizeram bastante feliz. Não acontece sempre, mas tive sorte. E prometo tentar aproveitar estes anos, apenas não prometo consegui-lo :)
Obrigada pelas tuas palavras, sempre amigas e sábias :)
Beijinhos