quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mensagem de Ano Novooooooo

Passagem-de-ano em casa a ver os Ídolos
o Dança Comigo e o 5 Para a Meia-Noite.
Com o Manuel Reis, yupi.
E gravámos um vídeo a desejar Bom Ano.
Ah pois foi.
Vejam-no mais abaixo.

Por enquanto ouçam-me.
Falta meia hora para 2010.
Não que seja algo de muito especial, mas...
é o passar do ano, é o passar da década.
É kinda especial.
E amanhã... aliás...
daqui a meia hora
estaremos num ano decisivo.
Este foi mais calmo, mais tranquilo, mais sereno
(3 adjectivos para dizer o mesmo)
e com imeeeeeensas coisas boas
um grande ano de amizade e verdadeira felicidade.
A partir de agora será mais sério,
mais complicadote.
Mas igualmente bom, ou até melhor.
Esperemos.

Há desejos, muitos desejos.
E há previsões que, esperamos
serão cumpridas.
Há expectativas.
Haverá decisões a tomar,
e decerto algumas desilusões.
Mas é a vida.
Só nos resta esperar que tudo corra bem, e que seja um ano ainda melhor.

Bom Ano Novo, gente :)

Aqui fica o vídeo, riam-se um bocadinho:

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

do we know it's christmas?

It's Christmas Time.
O espírito natalício não anda muito por cá
não há aquela azáfama para receber as prendas.
Há simplesmente um dia como todos os outros.
Mas com amizade a toda a volta
e 'trabalho', pela primeira vez na vida! :)

Feliz Natal a todos :)

A próxima semana vai ser boa.
Muito boa. Algo me diz.

P.S. - O conto apresentado no post anterior (e que já recebeu críticas positivas, o que me põe muito contente:D) tem todos os direitos reservados, sendo proibida a venda, a cópia, e tudo o mais que seja ilegal.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Café da Saudade

O Café da Saudade situa-se ao fundo da rua principal, na esquina com o Bairro da Consolação, numa qualquer cidade na fronteira com o interior. Por vezes denominado Café da Esquina, o estabelecimento é um ponto de concentração de pessoas de todas as idades, profissões, raças ou ideais, desde o nascer até ao pôr-do-sol, e um sítio muito estimado pela população da pequena cidade.
No exterior, a fachada rústica do café evoca o mundo rural, com os desenhos de trigo e de centeio a iluminar as paredes. Também a porta da cor da madeira e as cortinas brancas e vermelhas, que se adivinham nas janelas, transportam o pensamento para o campo, para as típicas casas que caracterizam a paisagem campestre. Dentro do café, as paredes coloridas a bege, as mesas e cadeiras de madeira, as toalhas com o mesmo padrão das cortinas e o longo balcão recheado de souvenirs rurais contrastam com a televisão ligada num canal por cabo, a aparelhagem a transmitir a rádio local e o próprio cosmopolitismo citadino, o que lhe oferece um carácter paradoxal e simultaneamente universal.
Por detrás do balcão de madeira, uma mulher, nos seus trinta e cinco anos, morena, de olhos esverdeados, com um sorriso de orelha a orelha e um avental colorido sobre as roupas simples, atende os clientes que vão chegando ao café, oferecendo-lhes rebuçados de morango e convidando-os a sentar-se nas mesas ou ao balcão. Trata-se de Julieta Saudade, proprietária do estabelecimento, construído pelo próprio pai, que lho deixou em testamento há dez anos atrás. É a sua paixão, o que a faz levantar todos os dias da cama e a torna verdadeiramente feliz. Se não tivesse aquele escape, aquele emprego que tanto gosto lhe dá, provavelmente a saudade e a angústia da vida apoderar-se-iam dos seus pensamentos, quebrando-a por completo. Mas ver todas aquelas vidas paralelas, todas aquelas caras, velhas ou novas, tristes ou contentes, saudosas ou esperançosas, dá-lhe uma razão para continuar, para servir os clientes da melhor forma possível e ajudá-los a tornar os seus dias mais agradáveis, deixando-se contagiar pelo que eles próprios sentem.
É na roda-viva de entradas e saídas que D. Julieta, como é carinhosamente tratada, observa o encontro de culturas e emoções no seu café, sendo também este, para as pessoas que vão e vêm, um ponto de abrigo, um local para conversarem enquanto bebem café ou simplesmente dizerem “olá” a alguém e receberem um cumprimento de volta. Naquela gélida manhã de Inverno, o café encontra-se particularmente lotado, devido às favoráveis condições climatéricas do interior, e as pessoas começam a abandonar o espaço apenas quando se apercebem de que está na hora de regressar ao trabalho, à escola, aos seus afazeres do quotidiano.
D. Julieta permanece atrás do balcão, sorrindo aos fregueses, tentando dar conta de todos os pedidos e contando com a ajuda da empregada Rosa para servir às mesas. Pensa na vida, na forma como esta a desiludiu em relação às expectativas que tinha, e em tudo o que podia ter feito e nunca fez. É solteira, vive sozinha, aparenta ter cerca de cinquenta anos, e todos a tratam como uma avó, ou uma tia em muitos graus, o que é simultaneamente simpático e constrangedor. No auge dos seus anos trinta, talvez gostasse de estar casada, de ter um ou dois filhos, de ter uma vida “normal” de mulher moderna, uma vida perfeitinha, de conto de fadas, como aquelas mulheres de negócios que se vêm nos filmes. Sim, é verdade que viver quase no interior não ajuda muito, e que muitos aspectos dessa vida não a agradam. Mas seria mais feliz, decerto, e sentiria que o curso natural do rio a tinha levado na direcção certa, na direcção que todas as raparigas procuram tomar quando entram na idade adulta. A vida que leva, porém, traz-lhe apenas dias alegres e monótonos, bons mas vulgares, faltando-lhe toda a magia de uma vida perdida.
Perdida igualmente nos seus pensamentos, só minutos depois se apercebe da presença do rapaz num dos assentos do balcão, com o olhar tristonho, pousado no galão que arrefece entre as suas mãos. É Diogo Esperança, jovem de dezassete anos e cliente assíduo do Café da Saudade. Ignora tudo à sua volta; o movimento, a televisão, a rádio e as pessoas parecem não existir para si, bem como o frio que provoca arrepios nas espinhas de todos os presentes. O rapaz só dá pela aproximação da mulher quando esta se senta mesmo à sua frente e lhe oferece um rebuçado.
- Diogo, estás bem? O que tens, rapaz? – pergunta D. Julieta, agarrando-lhe serenamente o braço direito e acariciando-lhe as mãos geladas.
O rapaz olha para ela, tentando esboçar um sorriso forçado, procurando dissipar o que quer que seja que o seu rosto mostre e que D. Julieta quer desvendar. Mas não o consegue, e apercebe-se da sua própria tentativa frustrada, voltando a fitar a mulher e ganhando coragem para falar.
- É a Susana Paixão… sabe, a minha colega que vem aqui tomar o pequeno-almoço todos os dias?
D. Julieta acena afirmativamente com a cabeça, várias vezes, esperando que o rapaz recomece a falar. Ao aperceber-se da sua hesitação, volta a questioná-lo, sempre de forma delicada.
- Mas o que se passa?
Diogo Esperança baixa repentinamente o olhar e volta a fitar o galão, que ainda está por beber.
- Eu… eu… - tenta recomeçar o rapaz, num murmúrio, como se a voz lhe faltasse. Finalmente, e mantendo o olhar baixo, murmura o que lhe aperta o coração. – Eu acho que estou apaixonado por ela.
A dona do café aguarda uns segundos, mas rapidamente começa a esboçar um dos seus largos sorrisos, obrigando o rapaz a olhar para si.
- E porque estás triste? – pergunta, tentando mostrar-lhe que o facto de estar apaixonado não deveria ser sinónimo de tristeza. O rapaz aquiesce.
- Não faço a mais pequena ideia se ela sente o mesmo por mim. – afirma, abatido, sentindo-se como uma formiga prestes a ser esmagada por uma multidão em fúria. No entanto, em lugar de baixar de novo o olhar, ganha a coragem suficiente para continuar a sua narrativa, acreditando que pode contar com D. Julieta para o ouvir até ao fim. – Conheço a Susana há menos de um ano, mas falamos praticamente todos os dias, temos imensas coisas em comum, e somos bons amigos… acho eu. Gosto dela assim de uma forma especial desde que nos conhecemos, não sei explicar bem como nem porquê, simplesmente gosto. Quero estar com ela a toda a hora, quero mais do que simplesmente acompanhá-la a casa e dar-lhe um beijo de despedida na cara. Mas não sei, não sei o que ela sente, não sei se sinto o que realmente sinto. E isso põe-me triste… o não saber, o desconhecer, o ignorar o que se passa do outro lado.
D. Julieta deixa cair os ombros e baixa o olhar, pensando na sua própria vida desperdiçada e revendo-se naquele jovem rapaz que, tal como ela, aparenta ter mais peso sobre as costas do que qualquer outra pessoa da sua idade. Mas uma revelação surge-lhe ao relembrar a idade de Diogo e tudo o que este não tem a perder.
- Diogo… – começa, pegando-lhe na mão aquecida pela chávena. – Porque não lhe perguntas? Porque não lhe dizes o que sentes e descobres a resposta dela? Não tens nada a perder… E se ela gostar de ti, serás a pessoa mais feliz do mundo…
O rapaz sorri, mas não leva a sério a proposta da conselheira e amiga.
- E se ela não gostar? – questiona, mostrando a sua inquietação em relação ao assunto. – Tenho medo que ela não corresponda… temo perder a sua amizade, que é o máximo que obtenho da sua parte, por agora. Não posso arriscar tudo, assim, sem mais nem menos…. Posso perdê-la para sempre. - faz uma pausa, sentando-se melhor no banco e apoiando-se no balcão. – Alguma vez se apaixonou, D. Julieta? Sabe o que é estar apaixonado?
D. Julieta baixa o olhar, resignando-se à resposta do rapaz e ainda mais à sua pergunta, que a abate por completo. Mas decide dar-lhe uma resposta sincera, falar com a alma:
- É quereres dar tudo o que não tens, é sentires que tens o mundo nas mãos e não saberes o que fazer com ele. É gostares de alguém mais do que gostas de ti próprio e de qualquer outra pessoa… é quereres sentir tudo ao mesmo tempo, de todas as maneiras, e quereres viver a vida como se não houvesse amanhã. É quereres ser correspondido, quereres ser amado, mas ainda assim importar mais o que dás do que o que recebes. É ser feliz e sofrer, é ganhar e perder, é jogar e recuar… é ter tudo e não ter nada.
Diogo engole em seco, compreendendo os seus sentimentos em relação a Susana. Ao mesmo tempo, apercebe-se de que atingiu a fraqueza de D. Julieta, a sua maior fragilidade, e que esta já amou alguém, no passado, embora não seja algo que goste de recordar. No entanto, não deixa de insistir.
- Conte-me acerca do seu Romeu… porque não está ele aqui consigo?
A mulher sente o olhar a fixar-se num longínquo ponto da parede, como se fosse a coisa mais importante naquele momento, para si. O rapaz espetara-lhe uma enorme farpa no coração, talvez sem se aperceber, talvez procurando desvendar o seu ponto fraco. E apesar do medo que sente, do temor da recordação, D. Julieta não leva a mal a pergunta, acreditando que a resposta pode até ajudá-lo a perceber o que deve fazer de seguida. Assim, recuperando do transe momentâneo em que se sentira cair, endireita-se no banco e aproxima-se de Diogo para lhe contar a história da sua paixão, começando a falar após uma breve hesitação:
- Tinha sensivelmente a tua idade quando tudo aconteceu. Conheci o Romeu Coração naquele ano, e desde a primeira palavra que trocámos, desde o primeiro olhar, senti que havia algo especial entre nós. Depressa descobrimos gostos comuns e começámos a passar algum tempo juntos, como dois amigos inseparáveis. Conversávamos sobre mim, sobre ele, sobre as pessoas à nossa volta, sobre os projectos em que nos envolvíamos… Em suma, dávamo-nos bem. E eu tive sempre aquela paixão escondida por ele, aquela admiração que suplantava a amizade, por mais que me quisesse convencer de que tudo não passava de uma ilusão. E é como em tudo na vida… sempre que ele parecia gostar um pouco mais de mim, essa admiração crescia, bem como as minhas certezas em relação ao que sentia. No entanto, sempre que ele parecia menos atencioso, as dúvidas regressavam, e acabava por ficar pela amizade que me era concedida.
D. Julieta faz uma pausa, olhando para Diogo. Parece talvez surpreendido pela história, por tudo isto ter realmente acontecido àquela pequena e simpática senhora que parecia sempre a pessoa mais feliz do mundo, apesar de todos a saberem solteira e solitária sempre que o Café da Saudade chegava à hora do fecho. Não se deixando afectar pela aproximação à parte derradeira da história, a proprietária do café continua a sua narrativa:
- E foi sempre assim, durante os longos anos que fomos amigos, até um dia deixarmos de o ser, por força do destino, do tempo, da vida e de tudo o mais. Nunca lhe disse, nunca lhe declarei o meu amor nem mostrei o que sentia. E arrependo-me disso, do fundo do coração. É o meu maior arrependimento. Se lhe tivesse dito a verdade, será que ainda estaríamos juntos? Será que teria sido feliz para sempre? A verdade é que continuei a minha vida e não voltei a encontrar alguém como ele, o que me leva a pensar que era o “tal”, a pessoa com quem poderia ter passado o resto da minha vida. Mas nunca o saberei e, de qualquer das formas, já passou demasiado tempo para lamentos. O destino assim o decidiu, e aqui estou, apesar de nunca me ter perdoado por não ganhar coragem e contar-lhe o que sentia.
Diogo olha-a com ternura, sentindo o coração a palpitar, não sabe se o seu se o dela, já que as mãos estão unidas e procuram consolar-se mutuamente. Compreende a sua desolação, a sua frustração, a falta que lhe faz aquela figura que nunca conseguira esquecer, passados tantos anos, e que a marcara para a vida inteira. Quando D. Julieta se prepara para voltar a falar, o rapaz percebe que ainda lhe falta dizer o essencial, e volta a abstrair-se do movimento do café para lhe dar atenção.
- Perguntaste-me, e contei-te a verdade. Mas o que quero dizer com isto é: meu querido Diogo, tu tens dezassete anos e a vida inteira pela frente. Não tens nada a perder porque, se ela não sentir o mesmo por ti, e se a amizade entre vocês terminar, é porque ela não a merecia, e não te merecia a ti. Segues em frente, conheces novos amigos, conheces outras raparigas e vives a tua vida. Mas se ela disser que sente o mesmo… tens a possibilidade de a ter, de ser feliz com ela, nem que seja por uns meses, ou por uns anos apenas… Se não o fizeres, contudo, nunca saberás. Tu próprio disseste que odiavas a ignorância, o desconhecimento em relação ao que ela sente. E tens razão, isso é o mais doloroso. Se não te declarares, ela nunca saberá… tu próprio nunca saberás se ela sentia efectivamente algo por ti, se era a “tal” ou não. – após uma breve pausa para o olhar nos olhos, D. Julieta recupera o seu raciocínio. – Não cometas o mesmo erro que eu cometi, Diogo. Não faças algo ou, neste caso, não deixes de fazer algo de que te possas vir a lamentar durante a vida inteira. Arrisca, ganha coragem e vai falar com ela. Nenhum sofrimento supera a dor de não saber, de desperdiçar a única oportunidade que o destino te dá para ser feliz. Aproveita-a. Fá-lo por ti, e fá-lo por mim também... És novo, tens em ti todos os sonhos, toda a esperança do mundo. O meu tempo já passou, mas o teu está a acontecer agora. Não o deixes fugir, ouviste?
O rapaz sorri após o longo discurso de D. Julieta, acenando com a cabeça e mostrando-se confiante e decidido a ir ter com Susana e contar-lhe tudo. Para quê continuar a viver naquela tristeza constante, sem saber o que sentir ou o que pensar da amiga? Porque não confessar-lhe todo o seu amor? Ao mesmo tempo, a dona do café prepara-se para regressar ao trabalho e libertar Rosa de todos os serviços que deveria ter atendido enquanto Diogo a colara à conversa. Está contente, por o ter feito perceber, por o ter convencido a fazer algo que nunca conseguiu convencer o seu corpo e a sua mente a fazer. É verdade que ele não pode remediar o seu passado e dar-lhe o romance e a vida que nunca teve. Mas Julieta pode ter contribuído para a sua felicidade, para Diogo vir a ter o que nunca terá, e isso é satisfação suficiente para si.
Quando se levanta para recomeçar a trabalhar, observando os clientes que, uma vez mais, se juntavam no café para se abrigarem do frio e beberem um café bem quente, Diogo pega-lhe na mão e aproxima-se dela.
- D. Julieta… – chama, fazendo-a olhar sobre o ombro e voltar a aproximar-se do rapaz. – Talvez ainda não seja demasiado tarde para si. Talvez o seu Romeu ainda ande por aí à deriva, à procura do mesmo… Talvez o deva procurar e esclarecer as coisas… falar com ele, ver o que ele sente, ver o que a própria D. Julieta sente… - faz uma curta pausa. – A sua vida ainda não acabou… Talvez ainda haja esperança para si. Talvez não seja tarde demais.
A mulher olha-o com dúvida, mas sente um estranho impulso para dar atenção às suas palavras, como se parte da sua esperança estivesse a ser telepaticamente transmitida para a senhora Saudade. Porque não? Nunca se tinha questionado onde estaria ele hoje, mas calculara sempre que tivesse casado e vivido feliz para sempre. E se tal não tiver acontecido? Se ela ainda sentir aquela paixão desmedida por ele e o sentimento estar apenas magoado pela força do tempo? E se ele tiver sentido o mesmo por ela e ambos ainda vaguearem pelo mundo à espera de algo que nunca virá? É uma hipótese em mil, tem consciência disso. Mas não deixa de ser uma hipótese.
Diogo sorri ao ver que D. Julieta está a ponderar as suas palavras. Beija-a no rosto e sussurra-lhe um suave “obrigado”, pagando o galão e abandonando o Café da Saudade naquela tarde invernosa. D. Julieta pega na chávena vazia em cima do balcão e leva-a para o lava-louças, mas não consegue deixar de pensar no que Diogo lhe disse e na esperança que as suas palavras que tinham dado. Talvez seja demasiado cedo para declarar a sua vida perdida… talvez possa recomeçar de novo. A questão assola-lhe constantemente a cabeça: porque não? Então, num impulso repentino, desaperta o avental e dirige-se a Rosa.
- Desculpa, Rosinha, mas achas que consegues tomar conta do café durante o resto da tarde? Prometo voltar antes do fecho, mas… tenho de sair neste preciso momento.
A empregada aquiesce, surpreendida com a atitude da patroa, e vê-a sair pela porta acastanhada enquanto toma as rédeas do estabelecimento sozinha. Nesse preciso momento, Julieta ignora os clientes que entram à procura do seu sorriso, ignora o frio e o vento que se fazem sentir, ignora todos os obstáculos e todas as consequências que provavelmente enfrentará dali para a frente. Embebida de uma enorme força de vontade de mudar o destino que lhe está reservado, abandona o café e deixa para trás toda a mágoa de uma vida passada que não soube aproveitar e que espera conseguir alterar agora, através da única réstia de fé que ainda possui. Neste momento, sente-se de novo com dezassete anos e com toda uma vida pela frente. Neste momento, Julieta Saudade transforma-se em Julieta Esperança. E volta a ter em si todos os sonhos do mundo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

another perfect day

Mais um encontro da tertúlia
desta vez em Coimbra.

Nada como ser-se rebelde
(uhuh)
e safar-nos de pagar 100,20 euros de multa
pelo bilhete de comboio
não é pessoal?
(fiquei tipo tomate
o coração a bater mais depressa
mas o homem acreditou na nossa cara de santos!
Não volto a andar de comboio em Coimbra xD)

Grandes caminhadas
grandes conversas
grandes risadas!

O ar anti-social do Fábio
o estilo John Lennon do Pedro
o humor inteligente do Manuel
as chamadas para o Tiago, a Inês e a Rita
o apertar de bochechas constante do Ricardo
a espera vã pela Romina para comer
a estranha habilidade do Pedro com o cabelo
a Vânia a desesperar no McDonald’s
o McFlurry do Ricardo e a colher que andou por todos
o desespero da Romina com o último comboio para casa
os olhares telepáticos à Sandra Bullock do Manuel
os ataques do Fábio na escadaria
o último abraço do Ricardo.

O pássaro do twitter pintado na parede
o Fábio a querer ir brincar e a mãe a não deixar
aquele buraco na parede que tinha máquinas de M&M
o escurecer e as fotos desfocadas
o senhor que não conseguia tirar a foto no pátio da fac
o meu serviço gratuito de bengaleiro para o Ricardo
o ficar sozinha na estação bué corajosa e tal x)
o mini-concerto dos U2 proporcionado pelo Rock Café
a conversa sobre dentes do Manuel com a sra. empregada
as batatas fritas que tivemos de pôr em cima do banco, entre mim e o Fábio
(por falta de espaço na mesa)
entre muuuuuuuuuuuitas outras coisas.

Esteve um frio de rachar, oui, c’est vrai.
E congelámos, literalmente.
Mas foi um dia perfeito :)
Uma prenda de Natal espiritual e antecipada.
Adorei, obrigada por tudo!

P.S. – Três coisas a lamentar: primeiro, o meu (e nosso) grande pedido de desculpas ao Diogo por não lhe termos ligado :( ; depois, as fotos bastante desfocadas que registaram o dia; e por último o facto de termos ido apenas seis, mais a amiga do Pedro… mas haverá mais encontros e mais oportunidades de nos vermos, right?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

É Natal

A pensar no Natal.
Tempo de alegria,
De férias e magia,
De amor e melancolia.

E agora deu-me para as rimas… que raio?
Enfim.
(de novo, enfim)

O Natal põe assim uma pessoa.
E estar de férias também contribui.
Só hoje senti o verdadeiro espírito natalício
Com a turma reunida e a cantar músicas fofas.
E agora estou quase de férias.
É Natal.
Weeeeeeee.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

esperançaaaaaaaa

Escrevi uma história *-*
Sinto-me feliz por isso lol
É uma espécie de conto
uma história hipotética
mas ao mesmo tempo é real...
O Café da Saudade.
Um mini-romance
algo lamechas, mas não muito
o suficiente para emocionar,
que é o que se pretende.

Está frio.
Só para ficar registado.
Gostava de ver nevar, btw.

E faltam 4 dias
#TertúliaInCoimbra :)
Está quase.
E, quem sabe
talvez 3 dias apenas
para outra visita
àquele programa especial com nome de hora.
Com o pessoal.
Quem sabe... mas há esperança :)

Ter esperança é fundamental em tudo na vida.
Write that down.

religião e efeito placebo

Acabei de fazer um paralelismo fantástico
e de afirmar que o efeito placebo pode ser aplicado à religião.
Ups.
E justifiquei-o.
E estive a explicar à Ana a minha visão da religião.

Raquel. diz:
já ouviste falar no efeito placebo?
funciona a todos os níveis, psico ou fisiológico
quando temos alguma patologia, por ex
imagina que estás com febre
se tomares um benuron, melhoras
mas imagina que tomavas um comprimido parecido com o benuron
e pensavas que era o benuron
o que fazias? associavas o efeito à causa, ou seja, ao comprimido que tomaste
apesar de ele n ter feito baixar a febre
ela baixou por outra razão qualquer.
E com essa coisa da fé é a mesma coisa...
tu acreditas que foi por a tua mãe ter feito a promessa
que não precisaste de ser operada
mas pode ter simplesmente melhorado, há milagres médicos

Ana diz:
mas há coisas que nem os médicos coseguem explicar

Raquel. diz:
pois não... há mil anos tbm n se sabia muita coisa acerca da medicina
a evolução vai trazendo mais respostas

Ana diz:
tu vais ser como o saramago
nem quando estiveres numa situação limite
vais ter necessidade de acreditar em Deus

Raquel. diz:
ouve uma coisa
ser-se religioso, acreditar-se nas coisas
n tem nada a ver com a religião sem si, com Deus.
podemos acreditar em nós, nos outros, nas coisas...
sem ter alguma coisa a ver com deus.
eu acho - e claro, são opiniões
que a religião é uma invenção do homem...
porque a vida faz mais sentido e tem mais sabor
se tivermos algo em que acreditar
pq se a vivermos nua e crua
o sofrimento é tanto q n aguentamos
mas isso n significa q a coisa exista, q seja verdade.

Ana diz:
mas não acreditas que existe algo superior a ti?

Raquel. diz:
não.. o que é superior é o homem, é a civilização, é o progresso... as coisas não acontecem simplesmente porque há alguém poderoso que controla tudo e todos...


Estas são as conversas filosóficas que se têm no MSN.
Respeito as outras visões, obviamente.
É um tema de grande debate.
Se a crença existe, e se foram assim educados
força, acreditem.
Mas não significa que seja verdade.
É verdade porque as pessoas acreditam.
Já dizia o Fernandinho
O mito é o nada que é tudo
right?
E passo a publicidade ao benuron, btw.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

stay here.

All my bags are packed I'm ready to go
I'm standin' here outside your door
I hate to wake you up to say goodbye
But the dawn is breakin' it's early morn
The taxi's waitin' he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now, they don't mean a thing
Every place I go, I'll think of you
Every song I sing, I'll sing for you
When I come back, I'll bring your wedding ring

Now the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Close your eyes I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave alone
About the times, I won't have to say

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh baby, I hate to go

John Denver. Apaixonei-me pela música. E estando numa de paixões e de exagerada sensibilidade, até calhou bem.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

emotional

Post para o Manuel perceber:

Completamente
Mas completamente…
Sandra Bullock.

Não há nada a fazer.
Gosto, claro que gosto.
Não deve ser muito difícil de perceber.
Não posso evitar.
E admito, gosto.
É o que é.

Enfim.
(os meus últimos posts têm tido muitos ‘enfins’)

Sandra Bullock.
Este nome que tem um significado especial
e que não significa mais do que
um grande turbilhão emocional cá dentro...
Mixed feelings
nossos e dos outros.

Era para tu compreenderes, simplesmente.
E deves compreender.
Compreendes, claro.
Melhor do que eu, até, talvez.
E estou de novo em transe
como podes observar.
Gosto. Whatever.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

not so good

Constipada.
Ainda pensei que fosse
uma pseudo-constipação
e passasse logo
mas não.
Ando aqui toda ranhosa
entupida
congestionada
com falta de ar.
Bah.

E vou a Belém.
Weeeee ver arte e mais arte
uma alegria.

E tenho uma história na cabeça
desde há uns dias
para escrever
mas não sei por onde começar.
Coitada da I,
por este andar espera por mim eternamente.
Mas eu escrevo-a, prometo.
Estou com o desejo todo lol
Chamar-se-á O Café da Saudade
(nada de copiar, hein?)
E será algo de extraordinário.
Ou talvez não.

Despeço-me com um espirro fugaz
e abanando um lenço branco e enranhosado
(se é que tal palavra existe..).

Au revoir, mes amis.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

of the edge

Não sei sobre o que escrever. Sei que me apetece escrever, apenas.
Isto fez-me lembrar o
Não sei para onde vou, / Sei que não vou por aí
mas invertido, of course.
Isto porque o
Circunda-te de rosas, ama, bebe / E cala. O mais é tudo
ainda está muito presente na minha memória a curto prazo
(ou ficará na de longo prazo? Who knows)
e enfim, a abulia, a ataraxia, a apatia, o epicurismo, a áurea mediocritas e o estoicismo
apoderam-se de mim, carnivoramente, como dizia o outro e bem.

Acho que ainda não o disse, aproveito a oportunity
Contentíssima com o regresso daquele programa que começa às cinco para a meia-noite..
e desejosa de lá ir de novo
e bater muitas palmas (muitas, muitas, muitas, muitas, muitas)
e voltar a viver uma good good good good night.
Carpe Diem! Hoje estou very Reis, estou estou.

Há coisas que surpreendem pela positiva.
E há coisas que não surpreendem pela negativa.
Ok, isto está um bocado confuso e tal. Whatever.
Só queria deixar bem claro.

Há coisas que fazem recordar, também.
Uma conversa trouxe-me um enorme desejo
de regressar àquela maravilhosa cidade.
Maybe someday!
Sure, someday, why not?

Ah, música e rádio, rádio e música.
Apetece ouvir durante todo o dia
talvez evitar ouvir outros sons, outras pessoas
abster do mundo que nos rodeia.
Sabe bem, muito bem.

Escusava era de ter batido com o joelho na cama.
Isso não soube nada bem.
Mas enfim.
Happy to be here and now.

So what if it hurts me?
So what if I break down
So what if this world just throws me off the edge
My feet run out of ground
I gotta find my place
I wanna hear my sound
Don’t care about other pain in front of me
Cause I’m just trying to be happy, yeah
Just wanna be happy, yeah

totalitarismo allez

Ana diz:
depois da descasca que lhe dei, ele apercebeu-se de que tem de ter cuidado

Raquel. diz:
sim, tens um poder reivindicativo muito forte

Ana diz:
eu estive a pensar 8-|
acho que dava para gerir um regime fascista
a minha primeira medida era erradicar a rata de p e a psicopata de h
depois bania a língua inglesa do mapa de Portugal
a seguir fazia-lhes um boicote
depois punha-os aprender a língua portuguesa (porque estava a construir o 5º Império)
punha as baixelas a lavar escadas
fazia o sindicato do aluno
muita propaganda apoiada na Mensagem para ninguém perceber nada e gostar muito de tudo
punha os rapazes a ir à tropa, para abrirem os olhos
punha muita repressão em literatura cor-de-rosa e livros sobre assuntos que achasse entediantes
e depois pensaria em mais algumas com o decorrer do tempo
é este o programa eleitoral do partido Aneliano

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

basics

Cruzes credo.

Adoro feriados
Adoro a aproximação do Natal
Adoro falar no skype
Adoro comer chocolates do calendário do advento
Adoro ver filmes no sofá enrolada na manta
Adoro rir-me com coisas que não têm piada nenhuma
Adoro estudar rapidamente e ter o resto do dia livre
Adoro a possibilidade ínfima de ter um mac
Adoro fazer posts parvos neste blog fofinho

E fiz e senti tudo isto hoje, não é maravilhoso?
Ah, one more thing...
Cois'.

declarations

I feel good
Uhuh

Imaginem isto em nu!

By Filimena Cautela, a propósito da ‘actuação’ dos Rapazes Nus a Cantar no #5meianoite

Mensagem menos própria dirigida ao visado: introduza o seu dispositivo computorizado no símbolo químico do cobre, mas com muito jeitinho, para não provocar estragos de maior, visto não ser apologista da violência.

By Inês Brito, a propósito de um comentador abusivo no seu blog.

Isto fez-me rir. Twice x)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

don't you love in vain

Gotta live like we’re dying
You never know a good thing until it’s gone.

Oh pá, estou farta.
de acordar cedíssimo e tipo zombie
de computadores lentos e bloqueantes
de professores que não sabem nada
de sextas-feiras a sair tarde, para a escuridão da noite
de não ter chocolate em casa
de incompreensões, falta de coisas e coisas a mais.

Oh pá, gostava de ter umas coisitas.
de poder dormir 24 horas seguidas para compensar o resto
de um Mac para poder brincar com o software
de professores que não me afastassem da beleza das disciplinas
de poder dizer “estou de fim-de-semana” depois do almoço
de estalar o dedo e aparecer chocolate à frente
de toda e mais alguma coisa.

Enfim (sim Tiago, ri-te ri-te)
C’est la vie!

Tenho outras coisinhas, né?
(e agora veio-me à cabeça o Ruanda, god, somos tão egoístas…)
um “emprego” muito porreirinho, que adoro (e um cargo chique, de senhora editora!)
amigos muito porreiros, apesar de estarem longo como o raio. graças a deus há skype, msn e moche (e twitter, claro, que sem ele nada disto seria possível)
outros professores bonzitos, e matérias muito interessantes
dias menos maus, a sair a meio da manhã
e comida, e saúde (não me venham falar da gripá, please -.-) e tudo o mais.
Não me posso queixar, mas enfim, já não escrevia aqui há muito, e é o que sai :s
Não me posso queixar porque estou sort of glad (very cold, but glad), por isso…

E daqui a umas horas vou falar à turma em inglês sobre o sinhor Hemingway, que teve uma vida dos diabos, em termos pessoais… e nem o sucesso profissional o salvou do suicídio, coitado.

Psicologia dá-me para pensar nestas coisitas, e não posso generalizar o estímulo de não gostar de certas e determinadas pessoas… para o gosto pela matéria. Never never. É giro, e põe-nos a pensar, não é Rita? Tu compreendes-me.

A ouvir Kris Allen, Paramore e Muse, e a pensar nas top models do programa da tyra banks… oh pá, sim, gosto de ver aquilo, adoro as fotografias que elas tiram *-* (crédito concedido ao magnífico fotógrafo da imagem acima).

E por fim, e pegando em algo que ouvi na comercial
(pedro ribeiro, markl e palmeirim, são o máximo!)
Hum, tão bom! E eu agora tenho de ir embora.