terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pequeno Conto de Natal

As luzes coloridas do pinheiro de Natal bruxuleavam pela sala, como pequenos pirilampos acesos à noite. As meias decorativas estavam espalhadas pelos puxadores das portas, guardando pequenos presentes no seu interior. As prendas, de todos os tamanhos e feitios, aguardavam debaixo da árvore a chegada da véspera de Natal. As restantes decorações natalícias cobriam a sala e contrastavam com os enfeites do pinheiro. A música de fundo que se ouvia era “Merry Christmas”, o que conferia ao momento o perfeito ambiente de Natal.
Sentadas no pequeno sofá da sala, aconchegadas, encontravam-se Mariana e Carolina. A primeira, que chegava já com os pequeninos pés ao chão, agarrava carinhosamente o braço da irmã mais nova, sentada com os pés no sofá, de modo a aquecerem-se ambas do forte frio invernal que se fazia sentir, mesmo dentro de casa. Enroladas numa manta comprida, que as cobria até ao pescoço, sorriam ao observar o espírito natalício que se instalara na sala de estar, e trauteavam a música que continuava a soar no ar. Conversavam baixinho, indagando sobre o conteúdo das prendas que já se encontravam debaixo do pinheiro, e tentavam conter o desejo aceso de correr para as abrir antes do tempo.
Uma senhora velhota aproximou-se do sofá, caminhando lentamente pelo chão de madeira envelhecido. Trazia outra manta comprida a cobrir o corpo, e sentou-se junto das raparigas, aconchegando-se no sofá. Olhava atentamente o televisor da sala e, ternamente agarrada ao braço de Mariana, pediu-lhe que olhasse para a televisão. A rapariga obedeceu à avó, e mal se apercebeu do que o seu olhar encontrara no pequeno aparelho, deu um leve puxão no braço de Carolina. A mais pequena olhou também para a televisão, e foi o seu sorriso que mais brilhou naquela noite fria de Inverno.
No centro daquele ambiente natalício, entre enfeites de Natal, um pinheiro iluminado, música de fundo e alguns presentes por abrir, duas crianças e a respectiva avó fixavam o televisor, onde apreciavam um filme de Natal, aquele que viam todos os anos por aquela época, e permaneceram aconchegadas no sofá a viver a sua história, sorrindo de quando em vez umas para as outras, de orelha a orelha; felizes. O frio acabou por desaparecer no calor que se fazia sentir debaixo das mantas, naquela noite calma; os rostos iluminaram-se, como sempre acontecia durante o Natal; e a avó e as duas raparigas acabaram por adormecer no sofá, abraçadas, após o final do filme, ainda com leves sorrisos nos lábios. Todas sonharam com a possibilidade de, na manhã seguinte, abrirem antecipadamente um dos presentes da árvore, e poderem desvendar o seu interior, tal não era o espírito natalício que rodeava a sala. E a neve, que caía lá fora, foi o auge do seu sonho.

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