terça-feira, 25 de novembro de 2008

História de amor...?

Meteu-se-me na cabeça escrever uma história passada noutra época. Uma história romântica, claro, mas com muito mais do que isso... que mostrasse um rapaz e uma rapariga separados pelo destino, e a trocarem cartas para não esquecerem o seu amor. Tentei começar, mas não tem havido tempo para mais. Aqui fica o início da história, uma carta do personagem principal, Lourenço, para a sua mãe, a contar o encontro que tivera com Cecília, o amor da sua vida, naquele mesmo dia.
1946
Querida mãezinha,

Estou apaixonado. Ela chama-se Cecília, e é a mulher da minha vida.
Mergulhei os meus olhos nos seus, pela primeira vez, na manhã deste dia longo e encantador, e perdi-me no profundo azul que os distingue de todos os outros. A bondade do seu coração conquistou-me, e desde logo senti que ela era especial, que me roubara o coração apenas com o primeiro olhar.
Mãezinha, escrevo-lhe para comunicar os meus mais profundos sentimentos em relação a esta rapariga fantástica que conheci, e para procurar, de certo modo, a sua bênção. Não o faria se não pressentisse algo entre nós, uma ligação forte e evidente, pois passámos este dia maravilhoso juntos, de manhã até à noite, altura em que lhe escrevo esta carta. A minha mão ainda treme da emoção de a ter comigo, e da dor de a ter visto partir para longe, desconhecendo quando a voltarei a ver. Mas que a memória deste dia permaneça viva nos nossos corações, é o mais que posso demandar do mundo cruel em que vivemos.
Estou apaixonado. Não consigo parar de o repetir para dentro… não consigo tirar a imagem dela da cabeça. Provavelmente não conseguirei dormir esta noite, mas não importa. Vou escrever-lhe, mil e uma cartas se necessário for, para expressar o meu amor e manter vivo este sentimento que julgo nunca antes ter experimentado. Apesar de desconhecer o futuro, sinto-me feliz por tudo o que aconteceu hoje, e sou até capaz de sorrir, como observo no espelho do quarto. Cecília. Cecília.
Em breve estaremos juntos, e poder-lhe-ei contar tudo com mais pormenor. Perdoe-me, por favor, a falta de educação, mas a minha mente vagueia ainda por outras paragens. Espero sinceramente que esta carta a encontre de boa saúde. É para mim um consolo enorme sabê-la desse lado, ouvindo as minhas lamentações e alegrias, e esperando pelo meu regresso sentada no alpendre da nossa casa. Fico a aguardar notícias suas.

Com esperança e amor,
Lourenço

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pequeno Conto de Natal

As luzes coloridas do pinheiro de Natal bruxuleavam pela sala, como pequenos pirilampos acesos à noite. As meias decorativas estavam espalhadas pelos puxadores das portas, guardando pequenos presentes no seu interior. As prendas, de todos os tamanhos e feitios, aguardavam debaixo da árvore a chegada da véspera de Natal. As restantes decorações natalícias cobriam a sala e contrastavam com os enfeites do pinheiro. A música de fundo que se ouvia era “Merry Christmas”, o que conferia ao momento o perfeito ambiente de Natal.
Sentadas no pequeno sofá da sala, aconchegadas, encontravam-se Mariana e Carolina. A primeira, que chegava já com os pequeninos pés ao chão, agarrava carinhosamente o braço da irmã mais nova, sentada com os pés no sofá, de modo a aquecerem-se ambas do forte frio invernal que se fazia sentir, mesmo dentro de casa. Enroladas numa manta comprida, que as cobria até ao pescoço, sorriam ao observar o espírito natalício que se instalara na sala de estar, e trauteavam a música que continuava a soar no ar. Conversavam baixinho, indagando sobre o conteúdo das prendas que já se encontravam debaixo do pinheiro, e tentavam conter o desejo aceso de correr para as abrir antes do tempo.
Uma senhora velhota aproximou-se do sofá, caminhando lentamente pelo chão de madeira envelhecido. Trazia outra manta comprida a cobrir o corpo, e sentou-se junto das raparigas, aconchegando-se no sofá. Olhava atentamente o televisor da sala e, ternamente agarrada ao braço de Mariana, pediu-lhe que olhasse para a televisão. A rapariga obedeceu à avó, e mal se apercebeu do que o seu olhar encontrara no pequeno aparelho, deu um leve puxão no braço de Carolina. A mais pequena olhou também para a televisão, e foi o seu sorriso que mais brilhou naquela noite fria de Inverno.
No centro daquele ambiente natalício, entre enfeites de Natal, um pinheiro iluminado, música de fundo e alguns presentes por abrir, duas crianças e a respectiva avó fixavam o televisor, onde apreciavam um filme de Natal, aquele que viam todos os anos por aquela época, e permaneceram aconchegadas no sofá a viver a sua história, sorrindo de quando em vez umas para as outras, de orelha a orelha; felizes. O frio acabou por desaparecer no calor que se fazia sentir debaixo das mantas, naquela noite calma; os rostos iluminaram-se, como sempre acontecia durante o Natal; e a avó e as duas raparigas acabaram por adormecer no sofá, abraçadas, após o final do filme, ainda com leves sorrisos nos lábios. Todas sonharam com a possibilidade de, na manhã seguinte, abrirem antecipadamente um dos presentes da árvore, e poderem desvendar o seu interior, tal não era o espírito natalício que rodeava a sala. E a neve, que caía lá fora, foi o auge do seu sonho.