quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vejo o mundo a preto e branco

Vejo o mundo a preto e branco. Por vezes, não é preciso ter cor para se ver a cor. Ela está lá, implícita. Os tons escuros, mesclados com os tons claros, o preto e o branco, as sombras a dançarem, dia ou noite. A cor, quando presente, estraga a paisagem, a nossa visão das coisas. O branco das nuvens a rasgar o azul do céu… o laranja a cobrir o amarelo, ao pôr-do-sol. Não basta saber que as nuvens são mais claras do que o céu e que, ao final do dia, a claridade desvanece-se tão clandestinamente quanto apareceu? As estrelas continuam a brilhar, com ou sem cor, lá no alto, e adornam o céu de pequenos pontos esbranquiçados. A lua completa a paisagem, na sua forma arredondada, celeste. Não precisamos de lentes coloridas para pigmentarem a paisagem. Talvez isto seja o universo a falar, através da minha voz. O que é certo é que o mundo é a preto e branco, e sempre será, para aqueles que escolherem vê-lo a descoberto.

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