sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Vampiros

Falava com um amigo sobre o dia de hoje, 08/08/2008.
Filipe diz:
quando for 8008 eu digo que é especial :P
Raquel diz:
claro, chegas lá e tudo=fhd
Filipe diz:
pq duvidas? :P
Raquel diz:
és vampiro?:-O
Filipe diz:
pq não .. tenho cabelo escuro , pele muito branca
Filipe diz:
olhos verdes
Filipe diz:
posso ser
Raquel diz:
e os dentinhos afiados?
Filipe diz:
esses só na altura das mordidelas
Raquel diz:
ahahah
Raquel diz:
está certo
Raquel diz:
vou manter-me longe:D
Filipe diz:
acho que estás segura ,, é difícil morder pela net :P
Raquel diz:
sim, virtualmente não deve ser fácil, a não ser que saias disparado do ecrã do portátil, o que é pouco provável
Filipe diz:
tenta escrever uma história sobre isso :P

Raquel diz:
estás a gozar... estou mesmo a escrever a história :D
Filipe diz:
ahhahah imagino o que vai sair daí


E pronto. Aqui está o que saiu daqui:

O diálogo virtual estava a ser agradável. Falava com Filipe através da Internet, sobre acontecimentos do quotidiano. A certa altura, a conversa levou-os até àquele dia.

Ela: «Hoje é dia oito do mês oito de dois mil e oito».
.
Filipe: «Quando chegar o ano oito mil e oito eu digo que é especial»

Ficou pensativa, e escreveu, troçando:

Ela: «Por acaso és vampiro?»

De repente, a imagem dele veio-lhe ao pensamento. Cabelo escuro, olhos verdes, pele muito branca…

Filipe: «Porque não?»

Sentiu-se assustada. Seria mesmo? Interpretou aquilo como uma brincadeira dele. A sua aparência não significava nada. Para além disso, os vampiros são mitos; não existem realmente. Decidiu entrar no jogo.

Ela: «Vou manter-me longe, então… É pouco provável que me consigas morder através da Internet…»

Ele não respondeu, deixando-a intrigada. Algum tempo depois, dava um salto em frente ao computador portátil. Ocupando o ecrã, aliás, saindo literalmente do ecrã minúsculo… Filipe mostrava um daqueles seus sorrisos brilhantes. Desta vez, porém, os dentes caninos encontravam-se saídos e afiados…
Tremeu, da cabeça aos pés. As suas mais remotas profecias tinham-se concretizado.

- Está na hora do lanche… – disse Filipe, com a cabeça de fora do computador. Soltou uma gargalhada, fixando o olhar assustado da rapariga, que tinha largado o aparelho em cima da secretária, e tentava afastar-se da cadeira onde tinha estado sentada minutos antes.

- Vais mesmo… ah… morder-me?

Ela deixava correr as lágrimas que lhe caíam dos olhos, como a água que segue a corrente do rio.

- Pensava que éramos amigos… – lamentou ela, tentando apelar à amizade dele.

- Amigos, amigos… negócios à parte. – respondeu Filipe, saindo cada vez mais de dentro do computador.

Desatou a correr dali para fora. Saiu do escritório e fechou a porta à chave. Continuava a chorar compulsivamente, não querendo aceitar o que lhe estava a acontecer. Refugiou-se no quarto, fechando uma vez mais a porta à chave. Estava exaltada, e não sabia o que fazer. Não conhecia assim tão bem o mundo dos vampiros, e ignorava se conseguiam atravessar paredes. Tentou acalmar-se, mas sem sucesso. Ouviu um barulho do outro lado da porta, e estremeceu.

Acordou exaltada, com a mesma sensação que tinha antes… no pesadelo. «Que alívio!», pensou, esboçando um leve sorriso. Tinha estado a sonhar, mas nem por isso se sentia menos assustada. Ainda tremia constantemente, e o suor escoria-lhe pelo rosto, tal como as lágrimas.

Mais tarde no mesmo dia, ligou o computador e a Internet, sentada no escritório. Já se sentia mais calma, e o pesadelo estava já diluído no seu pensamento. De repente, uma mensagem apareceu-lhe no ecrã:

Filipe: «Dormiste bem?»

1 comentário:

Miguel Pires Prôa disse...

Esta é mesmo fantástica! Onde uma simples conversa vai parar!