segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

primavera

Já não escrevia aqui há tanto tempo e sinceramente nem sei muito bem o que venho aqui fazer hoje. Os dias vão passando e cada vez menos sei o que escrever, nada parece digno de ser lembrado, e no entanto tudo parece ser importante para ser aqui colocado. Paradoxos que culminam em meses e meses de ausência. Mas enfim, é um novo ano, pode ser que as coisas mudem. Hoje apeteceu-me vir dizer olá.

E dizer que este ano não há nada daquelas resoluções manhosas de ano novo, que acabam por nunca se cumprir e por dar lugar a outras. Primeiro, porque não há nada a festejar, vai ser um ano difícil. Depois, porque há resoluções mais importantes para incluir aqui (afinal há algumas), mais gerais e concretizáveis (espero!).

Por exemplo decidir efectivamente o que quero fazer da vida, já que este carpe diem não pode durar para sempre. Começar a trabalhar, nem que seja numa certa papelaria, o que pode, sei lá, fazer algum clique na minha cabecita. Ler mais de dez livros nas férias de Verão (que, descobri, não é necessariamente a única altura do ano em que se consegue ler decentemente livros) - e agora com o Goodreads então, este ano têm de ser 28. Mais... passar uma semana sem ir à internet, algo que gostava mesmo de fazer, para ver se espairecia deste mundo em constante mutação dos media (lindíssimo). E viajar, o que, ao que parece, não faltam muitos dias para concretizar - e as sextas-feiras 13 são dias de sorte, quem diz o contrário que vá ver se chove para a semana.

E mais umas coisitas: está um tempo maravilhoso, uma primavera misturada com outono (isto porque agora já somos obrigados a usar o novo acordo ortográfico), naqueles dias em que só apetece chegar a casa a meio da tarde e apanhar sol na varanda ou estar de manga curta no quarto a descansar. Isto tendo em conta que estamos no inverno. E uma conclusão brilhante (ou nem por isso) que se tem sempre que há, lá está, um clique na nossa cabeça, o que habitualmente acontece em dias em que temos de estudar e só nos apetece passar a tarde a conversar e a rir: os amigos são a única coisa que temos neste mundo. E nem sempre sentimos mais saudades de algumas pessoas quando elas estão longe - às vezes apenas sentimos que elas nos fizeram falta quando regressamos à companhia delas.

É isto tudo. Com pequenas coisinhas, pode ser que o ano nem seja assim tão mau como o pintamos, legitimamente. Como nas mensagens fofinhas de ano novo - há sempre uma esperançazita, não é? por isso enviam-se as mais belas mensagens nesta altura, quando verdadeiramente nos abrimos para dizer o quanto gostamos uns dos outros :) -, todos juntos somos capazes de conseguir tornar isto mais suportável, até mesmo bonito. Uma primavera, indeed. Vamos a isso.

sábado, 1 de outubro de 2011

é só desbundar


Não basta usufruirmos de uma semana de praxe no nosso ano de caloiros, estando do lado dos praxados - temos dois outros anos para aproveitar semanas semelhantes estando do outro lado, de quem praxa. E que sensação. Os pés doem diariamente e cada vez mais, o calor torna-se um hábito e o traje um vício. Cansamo-nos mais do que os praxados, mas por vezes também nos divertimos mais que eles. O respeito vai-se conquistando, os laços de amizade vão-se criando e num fechar de olhos passa uma semana que nunca desaparecerá da memória.
Ajudar a integrar e manter a tradição são os únicos objectivos, para além da diversão adjacente. Sabe bem poder fazê-lo mais de perto, junto dos afilhados, que não se faz questão de ter mas aos quais se dá enorme valor quando se tem. E sabe bem voltar aos sítios e aos momentos que nos levaram até ali, que há um ano nos colocavam no mesmo sítio que eles. Notamos o nosso crescimento e vamos começando a notar o deles.
E que orgulho é ir atravessando com eles todas as etapas da semana: os primeiros momentos de obediência, de cantorias (e berrarias), de jogos, de bebedeira, de concursos, de escolhas; a passagem de bichos a caloiros. 
Nunca fazer figuras no meio da rua foi mais subvalorizado do que quando se faz parte de um grupo e estas são partilhadas por todos os seus membros. Nunca fazer pega-monstros a um vulcão de água (perfeitamente legal) foi mais emocionante do que quando a água está prestes a molhar-nos a todos e a expectativa da queda sobre os corpos nos faz temer e ansiar, em simultâneo, o momento que se segue. x as vezes que se quiser.
Limpar a imagem que se tem de um local e substituí-la por memórias bonitas e idílicas é também motivo de grande alegria. O verde da relva serve para rebolar, a beira-'mar' para conversas melancólicas e o ar para receber sorrisos sinceros, com algo a correr no sangue que nos dá força para sermos mais do que habitualmente somos. Não há melhor final de tarde que este.
Vale a pena repetir a máxima de que as pessoas representam o pedaço mais importante da bolacha que é a vida universitária e que sem todo um ambiente favorável seria impossível aguentar pressões, prazos ou tarefas chatas. A verdade é que são as pessoas que cá estão e as que vão chegando que nos fazem continuar e nos dão força, uma espécie de efeito Rivaldo. E a sensação de ir aumentando a 'família' é das melhores que se pode ter :)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

stage 2

É tão estranho estar aqui, neste lugar, neste papel, nesta situação. Como as coisas mudam, como mudamos com elas... como tudo é tão transcendente, tão superior a nós, que por vezes só nos apercebemos quando efectivamente estamos a viver estes momentos. Mas como é tudo tão bom, ao mesmo tempo.
Há um ano a ansiedade era semelhante. Aproximava-se uma nova etapa, as mãos tremiam, a barriga dava sinais de fome ainda que estivesse cheia. Os sorrisos eram constantes e as novas amizades depressa se aprenderam a estimar. Por muito que nos queixássemos nos tempos que se seguiram, estávamos felizes. Fazíamos parte daquilo, uma espécie de 'coisa bonita' que nos assoberbava, que nos unia como nada antes o tinha feito.
Daí que quando saíram as confirmações tenha sido como um clique, um estalar de dedos, um acordar mental para a realidade... só aí compreendi o verdadeiro significado de tudo isto, da nova missão, da nova 'vida'. E se hoje já soube tão bem, daqui a uma semana então vai ser um eterno *.*.
Nunca pensei que fosse tão bom, sabe quase tão bem como estar do outro lado, como no início. É um regressar às emoções fortes, à tradição, à descoberta de novas pessoas e de novos caminhos. Um regressar às origens através das novas pessoas, que agora ocupam o lugar por nós outrora ocupado. Um novo olhar sobre o que representa fazer parte desta família, ao receber nela novos membros. E que bela família que estamos a construir.
E aquelas questões que nos fazem corar e sorrir, como se de propostas de compromisso se tratassem, são igualmente tão estranhas de ouvir. Mas sabem tão bem, ao mesmo tempo, Sabe tudo tão bem. É tudo um orgulho tão grande :) Porque cada vez tenho mais a sensação de que a frase "vens ver ou vens viver?" se aplica, antes de mais, à vida universitária.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pantagruel das pequenas coisas da vida

Ingredientes:
água quente q.b.
gel de banho 2 c. chá
necessidade de relaxamento q.b.
silêncio 1 pacote inteiro
ausência de perturbação c. sopa


Procedimento:
Encha a banheira de água quente e misture um pouco de gel de banho com as mãos. Não deixe arrefecer e entre na banheira, cobrindo o corpo de água e espuma. Adicione a necessidade de relaxamento, o silêncio e a ausência de perturbação (é imprescindível reunir os três ingredientes) e deixe-se ficar em banho-maria durante cerca de 7 minutos. Seguidamente, dobre as pernas e deixe a cabeça cair para dentro de água de modo a ficar apenas com parte do rosto de fora, mergulhando o cabelo e as orelhas. Permaneça assim durante 10 minutos, a ouvir apenas a sua respiração e o bater do coração. Pense ou, se preferir, limpe a cabeça e não pense em nada, relaxe, esteja apenas. Verá que é a melhor sensação do mundo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

- Ficaste logo com saudadinhas, tu...

É a despedida em si, das pessoas, do local, da vida perfeita. Tudo deixa saudades, logo no momento em que nos apercebemos do que estamos prestes a abandonar. Sentimos imediata e inadvertidamente os olhos húmidos, um aperto cá dentro, uma voz na cabeça que nos diz "tens de voltar ao mundo real, à rotina diária", enquanto o que sentimos é uma enorme vontade de ficar exactamente onde estamos, rodeados por aquelas pessoas, a respirar aquele ar puro que não encontramos noutro lugar. Não é preciso afastarmo-nos muito para sentirmos saudades, basta um virar de costas custoso, um último abraço apertado... e surge o pensamento do tempo que falta para voltarmos a sentir o conforto que o aqui e agora nos proporciona. É a vida.


há sonhos que inspiram

É tão bom ter-te cá, digo-lhe. É tão bom poder estar contigo, quando temos tantos quilómetros a separar-nos, sempre, e quando raramente podemos partilhar o mesmo ar. Gosto tanto que estejas a passar uns dias em minha casa, continuo. Ela abraça-me, num daqueles abraços fofinhos de quem já não se vê há meses, ainda que falemos quase diariamente e este reencontro nos dê a parecer que ainda ontem estivemos frente-a-frente.
No momento seguinte estou na rua, à porta de casa. E de repente ele surge à minha porta, como uma visão, uma ilusão? Nunca o vi mas estou a vê-lo à minha frente, é ele, não tenho dúvidas... está mesmo aqui? Carrega um olhar curioso, preocupado, sorridente ao mesmo tempo. Não precisa de dizer nada, eu sei o que ele quer. Ela está lá dentro, digo, e ele assente, com mais um enorme sorriso.
Subimos as escadas e conduzo-o até ao quarto em que ela está, a remexer carinhosamente nas minhas coisas, a ver tudo com olhos de quem conhece, apesar de só ter ouvido falar. Tenho uma surpresa para ti, digo. Ela ri-se, pára o que está a fazer e olha-me nos olhos, desperta, curiosa, incrédula ao mesmo tempo. É aí que ele entra no quarto, com o mesmo ar que carregava à porta de casa. Mas quando os seus olhos se encontram, assola-me a sensação de missão cumprida.
Ele corre a abraçá-la, ela ri de tanta incredulidade por o ver aqui, de tanta alegria por ele ter ido ter com ela tão longe, tão inesperadamente, tão ao acaso. Vejo o olhar dele, carinhoso, enquanto a abraça com força e demoradamente... os olhos brilhantes, emocionados, contentes, agradecidos. Viro-me de costas e desço as escadas com um sorriso nos lábios. Estou tão contente por ela, sinto-me tão feliz por ela estar feliz, sinto que não preciso de mais nada neste mundo.

Há sonhos que valem a pena ter. Sabes que estou mesmo feliz por ti. E que, embora a realidade nunca seja tão apelativa quanto este mundo dos sonhos, tenho fé no que o destino te reserva. Até durante o sono REM me inspiras :P

sábado, 21 de maio de 2011

coração selvagem



"Era tão mais fácil se pudéssemos mandar no coração, não era?"

Não te exaltes, mantém os pés na terra, tem calma, não cries expectativas, aguarda. Não vale a pena sonhares acordado, pois nem sempre o que sonhas corresponde à realidade e mais vale agarrares-te a essa mesma realidade em lugar de andares por aí a deambular, à procura de algo que poderás nunca vir a ter. Não olhes assim, não cobices tanto... deixa-te estar quieto, no teu lugar, à espera da tua oportunidade, se ela chegar. Se não chegar, ao menos não tens mazelas... nem artérias feridas, nem ventrículos abalados com a desilusão.

Porque não obedeces? Porque insistes em criar a expectativa de algo que pode nunca vir a ser... em arriscar quando tens tanto a perder e podes sair verdadeiramente magoado? Andas para aí a bater desalmadamente, por vezes em dose dupla, como se estivesses prestes a saltar do peito. Exaltas-te sem motivos concretos, sem confirmações de nada, totalmente incontrolável, a fugir a tudo e todos... não me deixas mandar em ti, não me ouves quando peço desesperadamente para parares de instaurar a dúvida no meu cérebro através da corrente sanguínea.

Por tua causa, a aorta está fraca e não sabes bem o que fazer. Magoaste-te já e continuas a magoar-te, ainda que por outros motivos, desistindo de algo para te abrires de imediato a outro algo... para quê essa expectativa toda, essas ideias malucas que não sabes serem possíveis de concretizar, que não te trazem certezas mas apenas uma cada vez maior indecisão? Só queria que me oferecesses respostas em vez de me virares para algo que temo pela sua indefinição, pela incerteza intrínseca.

Não posso mandar em ti, bem o sei. É assim a vida. Espero que um dia me leves para a direcção certa e que até te agradeça por não me teres deixado mandar em ti. Que hoje seja o dia.

sábado, 9 de abril de 2011

a esperança de não esperar

Diz-se, no jornalismo, que o inesperado é o sal da profissão. Eu arriscaria dizer que o inesperado é o sal da vida em si, que sem ele tudo seria igual e monótono, que com ele parece sempre existir uma esperança intrínseca em tudo o que acontece. Ao mesmo tempo, pode destronar tudo o que construímos até ao momento e constituir uma grande desilusão no caminho que estamos a percorrer. Magia das magias, este surge quando menos esperamos para introduzir uma mudança na nossa vida. É a beleza de tudo isto.
Porque há dias verdadeiramente maus, malditos, que parecem amaldiçoados por uma qualquer entidade superior. Nada de bom acontece, sentimo-nos impotentes, desgraçados, sem força para andar daqui para ali, que seja. Vamos a caminho de casa e a curta viagem de autocarro torna-se uma longa viagem de pensamentos, de austeridade no rosto, de tristeza no olhar, porque nos sentimos verdadeiramente fracos perante a sombra que recaiu sobre o dia. Tudo parece ir de mal a pior, o regresso à dita normalidade parece uma miragem.
E depois há coisas inesperadas que conseguem dar a volta à situação, de um momento para o outro, como se o dia não tivesse sido assim tão mau, afinal. Entre o querer terminar mais cedo e o querer prolongar um pouco mais, é apenas uma questão de tempo, de disponibilidade, de vontade, de esperança (a esperança, uma vez mais). Porque, subitamente, podemos ser consciente ou inconscientemente motivados a seguir em frente, a pensar no que está para vir, a desviar conversas e olhares para o que nos pode colocar mais alegres. Porque com um simples gesto ou sorriso, uma visita ou preocupação - com uma simples e pequena coisa inesperada -, podemos ganhar força para conquistar a boa disposição e transmiti-la aos outros, para conseguirmos ultrapassar tudo o que ainda não tínhamos tido coragem para arriscar.
A vida é feita destes inesperados. Criar expectativas leva, demasiadas vezes, à desilusão - o inesperado, por seu lado, é sempre algo que cria em nós sentimentos espontâneos, verdadeiramente nossos, sinceros e pouco reflectidos. O inesperado descobre o que está cá dentro, se quisermos ser mais abstractos e rigorosos, em simultâneo. O inesperado é o que dá cor e sabor à vida. E às vezes sabe tão bem!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

café hollywood.

Nunca pensei ver o Robert Pattinson e o Leandro juntos em palco, mas já aconteceu, não foi Mourisca? Para não falar dos dois Jesus (de pijama azulinho) e do Bieber. E relembrando ainda o anão, o chinês que engravidou a outra e os moços todos vestidos à sushi bar. A verdadeira diversão não está no palco e nas pessoas que tocam baixo inesperadamente, está sim nos comentários feitos na plateia :P Isto leva-me para conversas parvas sobre o departamento que vai ser criado, agora, para o sr. morais (será assim?), o melhor parvalhão da actualidade, que merece todo o destaque do mundo. E para os autocarros que dizem "recolha", porque estão a caminho do sítio onde vão dormir; e para a escola da vida que, esperemos, ensinará alguma coisa a algumas pessoas. E para pessoas que podem estar escondidas dentro do armário, mas que já saíram dele.
Coisas de uma semana longa, cheia de tardes calorosas e conversas, de incentivos, de insubordinações, de independências; de grandes alegrias e tarefas cansativas, mas gostosas. De mudança! Em suma, muito inconvencional, e o que é inconvencional é bom :)

terça-feira, 15 de março de 2011

o presente ilusório

Olho para trás e vejo-te, pequena e ingénua, sorridente, despreocupada. Tu, que hoje ainda és uma parte de mim, que já não existes mais em ti mesma, mas que ainda estás presente, inconscientemente, em tudo o que faço. Sorrio ao ver-te, melancólica, saudosa e tudo o mais. Sorrio parolamente, como quem recorda e gostava de ter mantido um pouco mais do que era antes. Vejo-me ao espelho e revejo nele uma réstia dessa ingenuidade, dessa esperança de criança, desse olhar feliz e cheio, apesar de sentir e saber que cresci, sofri e vivi já muito mais do que tu. Olho para a frente e vejo-te a ti, mais serena, experiente, cansada, e ao mesmo tempo sorridente, completa e realizada. És muito mais do que sou hoje: também já cresceste, sofreste e viveste muito mais. E olhas-me com o mesmo olhar de nostalgia, parecendo recordar-me, detendo ainda uma réstia do que sou hoje, do que já foste em tempos.
Tu, quem já fui um dia; e tu, quem um dia serei. Sinto-me estranha aqui no meio, entre o antes e o depois, o passado e o futuro, o não ser ninguém e o ser toda a gente. O presente é este tempo de transição, no qual existimos apenas para deixar de ser pequenos e ingénuos e passarmos a ser grandes e conscientes. No qual sonhamos ser quem está à nossa frente, sempre tendo em conta o que está atrás, o que já fomos. Somos um conjunto de experiências, nas quais o presente entrará certamente... mas seremos hoje alguém, já, ou apenas uma maquete do que queremos/esperamos ser no futuro? Porque na verdade queremos sempre ser mais e melhores, nunca estamos completos, nunca sentimos que não há futuro. E a dúvida mantém-se até este efectivamente deixar de existir.

quarta-feira, 9 de março de 2011

ver com olhos de ver, ou talvez não

Rio-me, estupidamente, porque não percebes. Passa-te tão ao lado... está mesmo à tua frente e, ainda assim, olhas sem ver, ouves sem escutar verdadeiramente. E não te apercebes do que está mesmo a pedir para ser visto e escutado. É como se fosses cego e surdo, ou fingisses sê-lo... mas porque fingirias? Não, é mesmo uma ignorância estranha, que tento mitigar constantemente, mas sem sucesso. E para ti continua tudo na mesma, como sempre, como se nada fosse. Pareces nem dar por isso. Dói tanto que acaba por ter a sua piada, as coisas escaparem-te de tal forma. Não percebes a força de uma palavra, o significado de um olhar mais demorado, de um gesto mais poderoso, tanto meu como teu. Para ti são como muitos outros, por isso acabas por já não lhes dar qualquer novo significado. Ignoras inconscientemente, no fundo, e roubas constantemente a oportunidade de qualquer coisa que poderia ser, efectivamente, qualquer coisa, mas que acaba por não ser nada. Dá-me para rir, estupidamente, do ridículo que é não veres o que está debaixo do teu nariz, na distância dos teus olhos, mesmo junto às tuas orelhas. E dói bastante não compreenderes a importância que as tuas atitudes adquirem num contexto, ou a falta delas, ou simplesmente a tua pessoa inserida numa qualquer ilusão da mente. Dói não te aperceberes do que significas.

É giro, quando estamos numa determinada sensação propícia a agir de uma determinada forma, fazemos exactamente o oposto.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O tempo passa, mas nem sempre apaga.

Já lá vão quê... quase sete anos (?) desde que a nossa amizade floresceu no seio de uma relação de professora-aluna. E já lá vão mais de dois desde que a vi e falei com ela pela última vez. Credo, como o tempo passa e nem damos por ele. Mas parece que foi ontem. A última aula com ela, as lágrimas de quem está inevitavelmente a crescer e tem de enfrentar novas realidades e superar novos desafios. O desenho (muito razoável) que lhe ofereci para nunca se esquecer de mim. Não sei se foi o desenho, se este tinha algum pó mágico ou algo semelhante. A verdade é que ela nunca me esqueceu, e eu também não a esqueci, nunca.
Não fui das melhores alunas que alguém pode ter, pelo menos naquele campo das artes. Recordo com uma certa curiosidade aquela negativa que se transformou numa excelente nota no teste seguinte, e todos aqueles desenhos que até podiam estar pior para alguém que nunca deu cartas nas cenas visuais e tal (e tinha doze anos de idade). Mas o que lhe ofereci, para além de ser um dos últimos, era também a minha obra-prima - e foi por isso que decidi oferecer-lho. No entanto, o que mais recordo daquele dia são as lágrimas, não de uma professora que se separa dos alunos, não de uns alunos que querem voltar a ter a professora, mas sim de amigos (de diferentes idades, é certo) que se afastam porque assim o dita o destino. Verdadeiras lágrimas de tristeza e saudade. E os sorrisos que lhes seguiram e fizeram recordar todos os bons momentos passados em conjunto.
Recordo o painel de azulejos que fizemos para decorar o muro - e que ainda lá estará geração após geração com os nossos nomes inscritos, pronto a ser visitado pelos nossos netos num futuro longínquo. Recordo as construções em barro e todas as aulas em que ficava a ajudar até mais tarde, nem que fosse a limpar as salas, para estar um bocadinho mais a conversar com ela e a aprender coisas. Recordo (ah, como recordo!) aqueles encontros na 'nossa' loja - que pena que não tenham voltado a acontecer.
É certo que o tempo também afasta. As pessoas deixam-se levar pelas situações do dia-a-dia e esquecem-se temporariamente de algumas coisas que, de vez em quando, gostavam de lembrar. Visitei-a algumas vezes depois desta 'separação', e até mesmo depois da separação 'definitiva' que uma nova (e maior) mudança de vida veio a obrigar, visitas que davam apenas para pôr a conversa em dia. Uma delas foi a última vez que a vi.
Estava diferente, tinha um brilho especial. Vinha uma menina a caminho, havia felicidade ali no ar, e fiquei feliz por ela também. E agora, dois anos depois, recebo um telefonema... Todos os anos lhe costumo dar os parabéns, é fácil relembrar uma data que ocorre exactamente um mês antes do nosso aniversário. Ainda assim, ela surpreendeu-se com o gesto e decidiu agradecer-me com mais do que uma mensagem escrita. Agora vem mais um/a menino/a a caminho e continua tudo na mesma pela escola. Falei-lhe também da faculdade, de algumas mudanças, das saudades. Gostei tanto de a ouvir, de lhe falar, de voltar a sentir aquela facilidade em partilhar coisas.
Porque há pessoas que nos marcam, assim, para sempre. Através de pequenas coisas, é certo, mas que ficam como um marcador impossível de apagar, que fazem de nós o que somos hoje. Felizmente ela é uma delas, agradeço-lhe por tudo o que tem significado para mim, ainda que nem sempre o lembre. E sinto-me feliz por ainda estar no coração dela também.

domingo, 30 de janeiro de 2011

so true *.*

"Only once in your life, I truly believe, you find someone who can completely turn your world around. You tell them things that you’ve never shared with another soul and they absorb everything you say and actually want to hear more. You share hopes for the future, dreams that will never come true, goals that were never achieved and the many disappointments life has thrown at you. When something wonderful happens, you can’t wait to tell them about it, knowing they will share in your excitement. They are not embarrassed to cry with you when you are hurting or laugh with you when you make a fool of yourself. Never do they hurt your feelings or make you feel like you are not good enough, but rather they build you up and show you the things about yourself that make you special and even beautiful. There is never any pressure, jealousy or competition but only a quiet calmness when they are around. You can be yourself and not worry about what they will think of you because they love you for who you are. The things that seem insignificant to most people such as a note, song or walk become invaluable treasures kept safe in your heart to cherish forever. Memories of your childhood come back and are so clear and vivid it’s like being young again. Colours seem brighter and more brilliant. Laughter seems part of daily life where before it was infrequent or didn’t exist at all. A phone call or two during the day helps to get you through a long day’s work and always brings a smile to your face. In their presence, there’s no need for continuous conversation, but you find you’re quite content in just having them nearby. Things that never interested you before become fascinating because you know they are important to this person who is so special to you. You think of this person on every occasion and in everything you do. Simple things bring them to mind like a pale blue sky, gentle wind or even a storm cloud on the horizon. You open your heart knowing that there’s a chance it may be broken one day and in opening your heart, you experience a love and joy that you never dreamed possible. You find that being vulnerable is the only way to allow your heart to feel true pleasure that’s so real it scares you. You find strength in knowing you have a true friend and possibly a soul mate who will remain loyal to the end. Life seems completely different, exciting and worthwhile. Your only hope and security is in knowing that they are a part of your life."

Bob Marley

P.S. - o stumble fez o favor de me encontrar isto e foi amor à primeira vista, tive de partilhar!

R crazy IIII (blue e thank yous)

P.P.P.S. - Obrigada pela histeria conjunta às três da manhã relativamente ao return dos míticos Blue às luzes da ribalta :P É a curtain, é a one love, é a minha amada guilty, é a obcessão pela breath easy, é a panca de advogada pela all rise, é a paixão pelo Lee e tudo o resto. Traz-me recordações de outros tempos, daqueles longos intervalos no degrau da sala de teatro a ouvir o best of em repeat com as pessoas que aqueciam muito o coração na altura. De decorar os dossiers escolares com os posters da bravo e uma imagem gigante do Lee vestido de azul, de guardar tudo o que era Blue e chegava às mãos, de respirar a if you come back, de sentir a bubblin a sair pelos poros, aaaaaaaaaaah. De falar com a Martinha ainda antes de chegar à fequeche e partilhar com ela toda esta vivência de Blue (e agora a histeria do regresso!), e de ela me dizer que ia levar o best of para ouvir numa viagem de carro (coisa que também tenho de fazer no meu foxie, ainda por cima agora que ando a ganhar a prática outra vez :P e gostando de cantar a conduzir como gosto!). Mesmo antes de ser oficial nas lides ef'ianas, tive de partilhar contigo esta notícia e estes pormenores fantásticos da febre que durou... sei lá, alguns anos da nossa adolescência, lá para os 5º e 6º anos x) E agora este regresso, cinco anos depois de nos terem dado a pior new de sempre com o fim da banda - e apesar de o simon ter tido success, de o lee ter tido aquelas músicas f'finhas no início e de o duncan ter aquela balada-dueto com a moça unknown -, é tipo a bomba que se precisava na eurovisão (já nem queremos saber dos homens da luta para nada). Um grande avé para os blue que ao contrário de entristecerem a nossa adolescência, lhe deram um brilho muito característico e lamechas :P

PPPPP(infinitos Ps!). S. - Obrigada pela ceninha das bolhas do chinês *.*

----> uma rosa blue para ti!

R crazy III

Há pessoas um bocado precipitadas, que enfim, talvez gostem mais de sensações do que propriamente de o que acham que gostam. E os optimismos exagerados também não ajudam nada e só chateiam. Claro que tudo isto em épocas de menor bom humor e cenas dessas ainda vêm mais à superfície. Mas claro também que todas estas partes boas dos nossos dias se sobrepõem a quaisquer outras que nos deixam mais pensativos. Daí fazermos pausas computeiras e mac'ianas para trabalhar e pesquisar coisas giras x) E descobrir cenas do estilo: as pessoas que gostam de ver o não-oficial espalhador de vestuário (nem com acordo ortográfico, avé!) pesquisam 'raquel multilada' para lá chegar. Um mix muito creepy que já levou a interpretação de "mutilação em vários lados, por ser multi"... ainda assim não deixo de rir à gargalhada com este facto :P
O magricela pode ter uma boca ainda pior que a da MMG (e aquela noiva esquisita que se estava a fazer ao padrinho british giro e vice-versa), mas ele não diz publicamente que adora ciganos e malucos - a sinceridade é louvável (mas também é a única coisa, porque tem a sua piada)! Mas por falar em pesquisas na internet e tal, não há melhor que o stumble para se descobrir as maiores pérolas de sempre, como o Family Feeeeeeeeeeeud! Ficamos a saber que depois de morrermos tanto podemos apodrecer como tornar-nos fantasmas (e se formos tipo Casper ainda melhor, LOL, f'finhossssss <3). No entanto, há um senão: a Rosa diz que é o melhor computador que existe para mim, o que me deixa em dúvida... deverei vender o meu mac e contratar-te a tempo inteiro?
Olha que não me importava nada... vinhas viver cá para casa e fazer festas à cadela a toda a hora x) Podíamos ter aquelas conversas psicológicas, todas e mais algumas, e rir com as coisas mais parvas - e íamos esplanar mais um bocadinho com o grupo de friends fixolas (numa esplanada que não é no telhado!), e íamos ao ccb quando estivessem lá mais exposições fófis, e íamos à gulbenkian visitar os patinhos, e íamos ainda à baixa comprar mais postales e passear *.* Achas que pode ser? Traz a teia contigo (aquela que tu sabes - as relationships obscuras entre as pessoas também são tão awesome) e somos todos felizes ever after em lisbon city. E depois vamos fazendo umas trips à terra das oliveiras e do hospital para visitar a family e o futuro rabbit president (de qualquer coisa!) :P porque as despedidas são sempre o que custa mais :( mas fico à espera dos próximos episódios desta loucura das pessoas com o nome começado pela letra R, soooooooooon :D
P.P.S. - já me tinha mesmo habituado à tua companhia, agora é muito estranho! mas sabes que estás aqui <3

R crazy II

Ao hibridismo junta-se o omnivorismo das pessoas - que comem tudo, carne e peixe, fêmeas e machos, vai tudo a eito, não há discriminação! O que está relacionado com o polilove, uma coisa belíssima - há uma omnivoridade (LOL) intrínseca nestas modernices que nos chegam aos ouvidos agora. Já para não falar dos buracos negros e das semelhanças que a história deles têm com algumas situations bem reais (teoria partilhada com a Rosa e o discovery, que teve um papel fundamental no desenvolvimento da cena toda): porque os buracos negros (sobretudo os supermassive black holes do belo do Matt!) comem tudo o que lhes aparece à frente, tudo o que mexe, tudo o que lhes vem à rede, são verdadeiramente omnívoros, e não hesitam em comer-se uns aos outros também, quando se justifica... aliás, deve ser bastante comum, tendo em conta as características uns dos outros. O quasar é aquele momento solitário dos black holes, quando se comem a si próprios (ahahah), e o facebook dos buracos negros permite a comunicação entre eles e a partilha de comes e bebes.
Pegando nisto e na teoria da anatomia do corpo humano formulada in esplanada da fequeche, o mundo é todo feito de buracos, na sua essência, e estes buracos são verdadeiros abismos, não têm fim. Bonito, não é? Profundo *.* Mas gostei também de ter conhecimento da Teoria do Ucal (de despejar leitinho para um copo ou para o outro, e tal e tal) e da Teoria do Naperon People (uma grande verdade enunciada pela nossa querida moça com nome de flor ("o meu vestido azuuuuul perdeu a cor!"), com pessoas que não são o que são e etc e tal). Por falar em flor, aquele rap da floribella dava mesmo para concorrer ao festival da canção, pena não teres conhecido a tua alma gémea Inês antes do final do prazo!
Conhecer o magricela também foi um momento alto da tua estadia (e pedir-lhe um autógrafo para o Sr. Manuel que nem o deve conhecer xD), espero que com ele consigas chantagear os friends relativamente a um rolo de carne decente :P Pau do algodão doce, passar entre as redes do trapézio e outras piadas fizeram parte da madrugada passada a atirar arroz e pétalas artificiais aos noivos e principalmente aquele adorado balde de lixo, acompanhado por toda a efusividade da rosinha (não relacionada com outra rosinha person, awesome segundo o mesmo júlio césar que falou do pato e da mãe-natureza!). Coisas que se capturaram nestes dias dias de convivência.
P.S. - o Castelo Branco não é uma pessoa awesome, por mais visionária que seja :P

R crazy I

Cinco dias de Ritices em Lisbon <3 Esta cena da distância é sempre uma chatice, mas vai sendo compensada por estes encontros de vez em quando. E são dias de loucura em que se sofrem influências das psicologias e das inúmeras teorias parvas e curiosas :P
Começamos com patos gulbenkianos que comem a mãe-natureza numa relação incestuosa e muito estranha, e com comentários do estilo 'eu nunca sei o sexo do pato da minha mãe'... isto para quem adora arroz de pato torna a coisa um bocado weird a partir de agora. Ver as vistas e lavar os olhos também é sempre bom numa viageeeeeeem, e tens razão, aquele brilhozinho é especial é tipo uma aura engraçada, mas pá, o refinamento que exige dá um bocado de trabalho, só nos resta esperar mais um tempinho e ver o que a coisa dá LOL. Estas férias andam a fazer-te mal à cabeça, andas paradinha do cérebro, andas! (expressão mais repetida dos últimos dias).
Se esplanar na fequeche é mítico, praiar no terreiro é assim algo de ainda mais épico! principalmente com chuva :P E lembro-me do oásis no deserto - qual luz no deserto, ahah -, mas aquelas ravinas das quais atiramos pessoas que não gostamos são o melhor soporífero (vá, as nossas talks nocturnas eram mais profundas e interessantes, sobretudo a primeira, bué sentimentalona!). E por falar em coisas nocturnas, nós temos uma relação muito híbrida, com saltinhos na cama e tudo! LOL gozar com as pessoas é sempre tão nice.
Os livros ensinam-nos muita coisa, não é? Por exemplo que há Noras fixes (tipo a Jones e o Chico, ahahahah), e outras menos fixes (tipo a Roberts, que só põe beijos nos livros que é uma coisa louca, aquilo é só beijos e cenas) - mas tenho a dizer que aqueles espaços de leitura são fantásticos. As novelas também ensinam imenso, como pessoas que deviam aprender a montar com a idade (?), e relações maravilhosas entre velhas e rapazes novitos. Coisas híbridas que são o máximo x)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

that evening

Aquela tarde de esplananço espontâneo, acompanhado pelo Sol que raiava bem lá no alto, fez-me recordar aquela outra bela tarde invernosa e gélida que se prolongou até à noite. Raquel, a noite e as ervas - as árvores que custaram a sair. Estava um frio de rachar, não sentia os dedos dos pés, tinha as pernas dormentes e as mãos imóveis. Quando me levantei pensei que ia cair para o lado imediatamente, tal era o estado do meu corpo passadas aquelas horas todas ao frio. Mas soube tão bem. Não há palavras para descrever a sensação calorosa, por dentro, de estar ali sentada a tarde toda a ler coisas, a conversar, a rir com as coisas mais parvas de sempre, a ver as pessoas chegar e ir embora, novas pessoas a sentarem-se connosco, novas conversas a chegarem, novos segredos a serem revelados. Era tão bom que todos os dias pudessem ser assim. E aquela tarde fez-me lembrar essa outra tarde maravilhosa, desta vez acompanhada por um dia de Inverno bastante ameno e agradável. Estavam lá as conversas e as pessoas, as ervas e tudo o mais. Até se pode dizer que só faltava o frio terrível do outro dia, para lhe dar um clima ainda mais especial :)
P.S. - Quero uma cena das bolhas do chinês.

fall

Esta noite pensei em pessoas para atirar da ravina abaixo. São sempre decisões difíceis... principalmente aquelas pessoas de quem não gostamos, que nos vêm mais à cabeça nesta altura. Será que as atirava com força, ou será que, por mais que não goste delas, as acabaria por salvar de um fim terrível? São questões insolúveis, só saberíamos efectivamente se chegássemos a essa situação. Por outro lado, é reconfortante pensar que há um conjunto de pessoas que nem hesitaria, que procuraria a todo o custo salvar, ainda que estivessem cinco ou seis penduradas e só pudesse salvar uma ou duas. De certeza que arranjaria uma solução para as salvar a todas, ou então atirava-me da ravina também, porque não valeria a pena viver num mundo em que elas não existissem mais. Acaba por ser um exercício bastante interessante, embora talvez não o recomendasse para quando estamos na cama a tentar adormecer. Para esse momento em particular, sempre temos os pensamentos sobre a vida futura, sobre os nossos sonhos e desejos, o que queremos ser na vida e o que queremos fazer dela, um dia. Quem sabe se não estão ambos interligados. Afinal de contas, as pessoas que os compõem acabam por ser as mesmas que compõem a nossa vida passada e presente, por isso podemos pensar em atirar da ravina pessoas que não queremos ver mais à frente no futuro. Ok, há aqui alguma maldade pelo meio, e algum *não-tenho-nada-para-fazer* próprio das férias, talvez. Mas pensai nisso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

two

Vem-me à cabeça aquela coisa das duas faces, do olhar para cima e para baixo, dos opostos. És feito de contradições, de dilemas, de situações com possibilidades binárias, sim ou não, isto ou aquilo, branco ou preto, aqui ou ali. És as duas faces da mesma moeda, em simultâneo; és o copo meio vazio e o copo meio cheio sem te aperceberes de que é impossível ser um sem ser o outro. Olhas para cima e vês algo ou alguém que merece respeito e cuja vontade deves procurar cumprir, mas olhas para baixo e consegues sentir-te o dono do mundo, sabes que o que ou quem agora vês te deve respeito e vontade também. És inferior quando és superior, em consonância, como se estes opostos se atraíssem como cargas eléctricas contrárias. És tudo ou és nada, e muitas vezes és ambos, porque tudo na vida é feito de opostos, e estes opostos são mais semelhantes ao que se opõem do que parece à primeira vista. Por isso não ligues quando te disser que não gosto de ti, que nos devemos afastar para sempre, porque a linguagem é traiçoeira e só mostra o que pretendemos que venha cá para fora, ignorando o que está cá dentro e se guarda a sete chaves. E por isso, quando ouvires dizer que algo é impossível de concretizar, ignora simplesmente quem to disser. Porque é tão provável ser impossível quanto possível. Porque pode ser possível e impossível ao mesmo tempo. Porque tudo é paradoxal e por vezes a verdade engana. Porque precisas sempre dos dois lados da moeda para desafiar a sorte.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

life's a romance

A vida é um romance, constante, contínuo, é só amor a voar de um lado para o outro, sempre a rodear-nos, a fazer-nos olhar para a direita ou para a esquerda. Somos movidos pela paixão, pelas pessoas que nos atraem, pelo que as queremos fazer sentir e pelo que elas nos fazem sentir cá dentro. A vida é uma relação amorosa, ou um conjunto delas, melhor dizendo, com maior ou menor intensidade. Tudo o que fazemos, dizemos, escrevemos, acreditamos, defendemos, é por amor. Nada na vida existiria sem amor. Amor pelos outros, pelos amigos, pelas pessoas de quem gostamos no sentido amoroso, pela família, pelas coisas. Se não for por eles, para quê viver? Somos seres que precisam uns dos outros para sobreviver. Precisamos das pessoas e sobretudo das relações que estabelecemos com elas. Precisamos do contacto, da compaixão, do carinho. Precisamos de dar e receber, de estar com elas, de experienciar em conjunto, porque isoladamente não somos nada nem ninguém. Precisamos constantemente uns dos outros, e precisamos constantemente de amor, porque a própria vida é amor da cabeça aos pés. Há quem diga que somos o que comemos, o que pode estar correcto do ponto de vista biológico, mas a verdade é que, psicológica e socialmente, somos quem amamos ao longo da nossa vida. Somos influenciados pelas pessoas que se encontram perto de nós, que nos amam de verdade; aprendemos com elas e autonomizamo-nos, mas ficamos sempre presos a elas, às primeiras experiências, à sua influência. E quem diz que a autonomia não exige também a sua quota-parte de relações e de amor pelos/dos outros (até mais, quem sabe?)?. A vida é um autêntico romance, do início ao fim. E nós não somos mais que seres gregários que precisam de comunicar e de se apaixonar a toda a hora pelas pequenas coisas da vida. Somos seres feitos de paixões, tudo o que fazemos é por amor a algo ou alguém. Não é curioso pensar assim?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

you're the itch that i can't scratch

... e não consigo perceber porquê. Não sei o que (ainda) me atrai em ti, o que me faz continuar com esta comichão dolorosa. Tento coçar e coçar, mas por mais que coce, não desaparece... pelo contrário, parece que quanto mais coço, mais comichão tenho; quanto mais me tento livrar de ti e desta coisa estranha que vai cá dentro, mais me preocupo e quero estar ao pé de ti, ajudar-te, dar-te tudo. E não consigo compreender as razões do meu próprio coração. És tipo uma pulga aqui a chatear-me constantemente, a insistir em ficar. O que é ridículo, tendo em conta que o que me faz querer sair desta situação é exactamente o facto de não quereres estar ao pé de mim. Ironias da vida?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

i wish...

1. Manter os bons amigos e fazer novos.
2. Ler livros.
3. Escrever contos/histórias/artigos.
4. Passar mais tempo com a Rita.
5. Dedicar mais tempo ao EF.
6. Aprender uma nova língua.
7. Tornar-me voluntária.
8. Viajar.
9. Começar a trabalhar/arranjar um emprego.
10. Ir ao casino.

Que seja a continuação de muitas coisas e o início de muitas outras. Que haja espontaneidade, coragem, esperança, amor e paciência. Que continuemos a sonhar, ainda que os sonhos não se concretizem. Que sejamos o que queremos que os outros sejam para nós. Que consigamos realizar alguns desejos, ou que estes falhem e novos sejam criados. Que nem tudo corra como previsto, que haja surpresas. Que nem sempre façam o que queremos, que nos levem a descobrir novos quereres. Que nos deixemos guiar pelo coração. Que vivamos um dia de cada vez. Acima de tudo, que sejamos diferentes do que fomos ontem e do que seremos amanhã, mas que sejamos sempre nós próprios.

sábado, 1 de janeiro de 2011

it's a new daaaaay

2010 foi um bom ano. Concretizei grande parte dos desejos que tinha, dos objectivos que traçara em 2009 para o novo ano. Tirei a carta. Li e escrevi coisas. Fiz dezoito anos. Tornei-me dadora de medula óssea. Fui ao Rock in Rio. Realizei o maravilhoso projecto de AP. Entrei na faculdade. Conheci gente maravilhosa, conheci melhor outra gente igualmente maravilhosa. Mudei de vida. Viajei. Encontrei. Conheci. Aprendi. Gostei. Ganhei e perdi. Esperei, às vezes em vão, outras com algum tipo de prémio final. Também tive saudade, e tristeza, e desespero às vezes. E faltaram concretizar alguns desejos. Mas alguma coisa tem de ficar para 2011, não é? Sobretudo, gostei, bastante. 2010 foi um dos melhores anos de sempre. E foi fantástico passá-lo convosco :) Que venha o próximo. Ok, isto era suposto ter sido escrito ontem, mas assim sendo, que este ano seja ainda melhor do que o anterior. Pessoas, como dizia uma grande amiga, vivam. Isso é tudo o que importa.

domingo, 26 de dezembro de 2010

goodbye hope

Oh esperança, porque não te consigo matar?
És teimosa, persistente, insistes demasiado em coisas que não valem a pena, coisas inúteis e sem qualquer futuro.
Quem me dera poder pegar numa arma e dar-te um tiro no peito.
Quem me dera poder cortar-te os pulsos ou enfiar-te uma caixa de comprimidos pela garganta abaixo.
Porque é que custa tanto acabar contigo?
Sei que és sempre a última a morrer...
... mas porque não morres agora, quando já não há nada que te alimente, que te impele para continuares nesta missão falhada, quando já tudo o resto morreu e se enterrou?
Porque não desistes e me deixas desistir também?

Dás-me um pequeno sinal, um só pensamento, ou uma só ausência dele.

É agora, vais finalmente deixar-me em paz?
Vais fazer-me ver total e claramente a realidade, tal como ela é, sem essa fina camada adocicada que lhe costumas colocar em cima?
Vais-te embora como te pedi sempre, mas sobretudo agora, quando compreendi definitivamente que não compensa bater na mesma tecla, que mais vale desistir e procurar aquela 'coisa linda' noutro lado?
Será que é agora, que é hoje, que vais morrer para sempre?